Professores estudam a evolução da Covid-19 na região e apontam preocupações

Professor Tassio Cunha e Professora Clarissa Bastos
DA REDAÇÃO | Cultura&Realidade

Clarissa Bastos tem 35 anos, professora e bióloga licenciada. Ela trabalha no Colégio Estadual José Ribeiro Araújo em Canarana. Tassio Barreto Cunha é Professor do Instituto Federal de Brasília – IFB e atua como professor e pesquisador junto a rede de pesquisadores do Centro de Estudos da Geografia do Trabalho – CeGet, que possui sede na Universidade Estadual Paulista UNESP em Presidente Prudente – SP, atuando em 24 estados no Brasil, em uma rede com professores pesquisadores da América Latina, Europa e África.
Os dois resolveram utilizar os seus conhecimentos para promoverem acompanhamentos, estatísticas e análises, sobre a evolução da Covid-19 no Território de Irecê. Semanalmente eles publicam resultados dos seus apanhados nas postagens oficiais dos municípios.
Na última quarta-feira, a publicação mais recente da dupla aponta o número de casos ativos versus os casos recuperados e óbitos nos municípios que compõem os municípios do Território de Identidade de Irecê.


Avanço da doença na região de Irecê


De acordo com eles os registros apresentam um cenário de forte avanço da doença nesta porção Centro-Norte do estado da Bahia, com um ritmo de crescimento de 74% nos últimos 30 dias, condição que aponta a necessidade de tomada de ações urgentes pelo poder público, sobretudo em municípios que a circulação do SARS CoV – 2 (novo coronavírus) se apresenta com maior intensidade.
“É notório que na Região de Irecê, os casos recuperados de COVID-19 avançaram em um ritmo mais rápido do que os casos ativos no último mês, estes em 80%. Porém, o não decréscimo dos casos positivos está impulsionando o número de óbitos, que cresceu 69%”, sinaliza Tassio Cunha.
Para a bióloga Clarisse Bastos, “este cenário de crescimento exponencial é preocupante, principalmente porque ocorre em um momento que o sistema público de saúde regional se encontra colapsado com 100% dos leitos de UTI’s ocupados, junto ao exercício de restrições que pouco ameniza a situação, em uma região carente de serviços públicos de saúde e possuidora de uma população com alto grau de vulnerabilidade social”, afirma.


Testes realizados e o número de casos positivos

A mensuração dos dois estudiosos sobre os casos positivos e os testes realizados nos mesmos municípios, está representada no gráfico 2, onde se nota uma variação entre os ritmos dos casos positivos e os testes realizados da COVID-19.
A dupla afirma que a situação é preocupante, sobretudo quando se verificou que no final de junho os indicadores se apresentam em um decréscimo no ritmo dos testes e um avanço dos casos. Este cenário indica maior incidência de contaminação a partir da continuidade de circulação da população e menor isolamento de pessoas contaminadas, o que faz acelerar a infecção do SARS CoV -2.
“Este momento indica uma forte tendência de continuidade na saturação do sistema público de saúde com o aumento da demanda nas internações e dos óbitos que prosseguem ocorrendo em ritmos acelerados nesta região, seguidos por afrouxamentos nas restrições de isolamento social e pressão política de entidades de classe que compõe o empresariado regional”, aponta Dr. Tassio Cunha.

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