SITUAÇÃO CRÍTICA – Não têm mais leitos para casos críticos no PA Covid-19 Regional/Irecê

SITUAÇÃO CRÍTICA: Não há mais vagas para os leitos de casos críticos no PA - Covid-19 Regional de Irecê- FOTO: Ilustrativa
SITUAÇÃO CRÍTICA: Não há mais vagas para os leitos de casos críticos no PA - Covid-19 Regional de Irecê- FOTO: Ilustrativa

Irecê chega a 212 casos positivos e Cafarnaum aumenta em 300% em 36 horas

DA REDAÇÃO | Cultura&Realidade

A região de Irecê acompanha atônita a elevação de casos na principal cidade do território, que teve uma evolução nos últimos 15 dias, superior a 150% em casos positivos, entre o dia 26 de junho, quando se tinha 84 e neste sábado, 11 de julho, com 212 casos anotados no boletim divulgado pela prefeitura, às 19h00.

Em Cafarnaum, a população que vinha sendo considerada pelo governo do estado como a que tinha um dos menores índices de registros de casos positivos, viu, em menos de 36h, os casos serem elevados a 300%. Eram 4 até a última quinta-feira, 9. Na noite deste sábado, 11, já são 18, segundo informações da secretaria de saúde e o boletim de hoje só vai ser fechado às 22h, pois ainda está ocorrendo testes.

CASOS COMUNITÁRIOS – Todos os casos confirmados nas últimas 36 horas em Cafarnaum são de infecção comunitária, que não permite identificar a fonte contaminadora. Embora o desejo da nossa redação seja outro, no ritmo que vai, neste momento novos casos devem estar sendo registrados para o próximo informativo dos dois municípios, promovendo profunda ansiedade nas famílias e profissionais, que começam a sentir seus esforços sufocados pela quantidade de casos.

DUAS MÃES AMAMENTAM NO LEITO DA COVID-19 NO PA DE IRECÊ: “Cenário comovente” – FOTO: Ilustração

LEITOS LOTADOS EM IRECÊ – “Estamos enfrentando uma situação crítica. O PA Covid Regional está com ocupação máxima dos dois leitos críticos e com ocupação de 33,3% das enfermarias”, informou a coordenadora geral da unidade ‘Silvinha’ Cláudia David, apresentando uma relação de contextos, contendo casos de Lapão e Gentio do Ouro exigindo cuidados intensivos e de duas mães que estão amamentando, um cenário comovente.

Acompanhar diariamente estes espaços, onde profissionais buscam salvar vidas e a cada momento chegando pessoas contaminadas ou notícias dos crescentes casos em diversas localidades, promovem um ambiente de estresse permanente, por conta da sensação de impotência. “Estou aqui a três dias. A cada pessoa que chega, ou que recebe alta, ou mesmo que tem seu quadro clínico agravado e tem de ser regulado para Salvador, são sentimentos que se multiplicam na área de circulação. São rostos que choram por diferentes razões. A angústia é grande”, diz uma professora, irmã de um paciente. Ela falou condicionando à preservação da sua identidade.

POPULAÇÃO NÃO SE DÁ CONTA – Se no PA Covid – Regional a situação é crítica e os casos não param de crescer, nos diversos espaços sociais, privados ou nas vias públicas, em Cafarnaum ou em Irecê, as pessoas parecem não acreditar nos riscos. Não atendem aos apelos das autoridades em saúde sanitária.

Sejam com equipes em monitoramento, barreiras sanitárias, campanhas educativas, medidas repressivas, instrumentos administrativos para promoção de prevenção, são estabelecidos frequentemente, mas a adesão da população é muito baixa.

Porém, “muitas pessoas carregam consigo o desejo de dar um jeitinho para não cumprir as orientações. Muitas são as que se desviam das barreiras. A gente até desanima, pois investe em estruturas e chega-se à conclusão que não vale a pena. As pessoas não veem as barreiras sanitárias como um equipamento para ajudar a saúde dos que são abordados. Veem como algo impeditivo”, diz Ancelmo Vieira, de Central.

Autoridades querem fechar o comércio e espaços de prestação de serviços, mas sofrem pressão violenta de uma parte que valora o fluxo financeiro em detrimento da vida. Quando os casos começam a elevar os indicadores, começam a procurar culpados. “Um joga a culpa em A ou B. Ninguém tem culpa. A culpa é da própria pessoa, que não faz o que é certo. Muitos dizem não acreditar, que não tá nem aí. Se fosse só aqui em Cafarnaum, daria se um jeito. Se é a nível mundial… cada um faz sua parte e vamos clamar pela misericórdia de Deus, que isso acabe logo. Orar pelos que estão infectados”, apela a professora Ariene Soares Guerreiro, de Cafarnaum.

O secretário de saúde de Cafarnaum, Vinícius Martins desabafa: “todos os seres humanos da terra já estão bem treinados do que devem fazer neste momento de pandemia do coronavirus. Não temos como prender ninguém em casa e colocar um segurança na porta. A consciência de cada um é a que conta neste momento. Foi gasto muito dinheiro para conscientizar as pessoas sobre o perigo que corremos, por conta da nossa ignorância, e estamos vendo que pouco conseguimos”, fala em tom de desânimo.

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