Ícone da música baiana, Ademar Furtacor morre aos 62 anos em decorrência de câncer

Morre Ademar Furtacor após longa batalha contra câncer

Grande sucesso na década de 1980, Ademar Andrade descobriu câncer em 2010 e fazia tratamentos desde então. Cantor, músico e arranjador, ele comandou a banda Furtacor por décadas.

DA REDAÇÃO | Com informações G1

O cantor, músico e arranjador Ademar Andrade, conhecido como Ademar Furtacor morreu em decorrência de um câncer, na manhã desta segunda-feira (11), na casa onde morava, em Salvador. Ele tinha 62 anos.

Ademar lutava contra o câncer há dez anos e havia começado um novo tipo de tratamento em março do ano passado. Ele, que foi destaque da música baiana na década de 1980, descobriu um câncer no ânus em 2010.

O artista chegou a usar uma bolsa de colostomia e teve o estado de saúde agravado em 2012, quando sofreu um infarto e perdeu parte da função cardíaca. Em 2015, o câncer de Ademar teve metástase no fígado.

Em agosto de 2018, o cantor chegou a fazer pedidos nas redes sociais, para que ajudassem ele a pagar os exames que faziam parte do tratamento. Em novembro de 2020, ele lembrou nas redes sociais que a primeira cirurgia dele, contra o câncer, completou 10 anos.

Ademar liderou a banda Furtacor por várias décadas, ao som de músicas como “Frenezi”, “Negra Dourada”, “Demônio Colorido” e “Eu Amo Amar Você”. Ainda não há detalhes sobre o sepultamento do corpo do artista.

Ademar Furtacor foi enterrado na tarde desta segunda, no Cemitério da Ordem 3ª de São Francisco, situado na Ladeira Quintas dos Lázaros.

Em nota, o prefeito de Salvador, Bruno Reis, lamentou a morte do artista.

“Ademar é mais uma estrela da nossa terra que parte para brilhar no céu, depois de enfrentar, com muita vontade de viver, uma longa batalha contra o câncer. O seu legado e a sua alegria ficarão entre nós, que fomos presenteados com tantas canções inesquecíveis. Que Deus conforte a família e os amigos de Ademar neste momento de dor”, afirmou o prefeito.

Nas redes sociais, fãs se manifestaram. Veja o que disse o soteropolitano Franciel Cruz:

Desligado do que a zaga do Vitória em relação às coisas importantes, só há poucos instantes soube da morte do enorme Ademar Andrade, que se imortalizou na Banda Furtacor. Corri pras folhas, mas os obituários são breves notinhas. Até agora, pelo que vi, não reconheceram o tamanho do artista pra história da folia soteroplitana.

Sem confetes nem serpentinas, Ademar foi um dos inventores do moderno Carnaval da Bahia.

A estreia dele num trio rolou em 81, há exatos 40 anos, mas Ademar marcou seu nome, de modo INDELÉVEL, na chibança de 84, quando “enfrentou” os Novos Baianos.

A história é deliciosa. Ele querendo passar com sua turma do Papa Léguas e o povo de Moraes tirando onda. Então, ele perde a paciência e tira da cartola a Ave Maria de Gounod, em plena Castro Alves. A chibança termina com Baby boquiaberta com Zé Honório.

Pois bem. A partir de então, Ademar Andrade, que virou o proprio furtacor, não parou mais de inovar.

Nos estertores da ditadura empresarial-militar, ele largou no meio da avenida a canção “Menestrel das Alagoas” em homenagem a Teotônio Vilela. E ainda entoou Imagine, de Jonh & Yoko.

E como ousadia pouca é bobagem, nos anos seguintes, Ademar começou a meter música erudita no centro da folia de Salvadolores.

O Jornal Tribuna da Bahia chegou a registrar em manchete: “Beethoven, Schubert, Strauss…E o Carnaval da Bahia ganha um novo som”.

Ah, por fim, antes que as pessoas incautas comecem a achar que Ademar cometia apenas excentricidades na festa-mor, faz-se mister registrar que: ele tinha as manhas da chibança. Conhecia como poucos a linguagem carnavalesca das ruas de Soterópolis – e balançava a massa com Frenesi.

Haja folia no trio.

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