De onde tiramos a ideia de que o outro deve sempre saber o que queremos?

É preciso aprender a se comunicar de forma clara e direta para que tenhamos relacionamentos saudáveis

DA REDAÇÃO | Luciana Kotaka

Como é interessante o processo de comunicação, já dentro da barriga da mamãe nós a ouvimos falar, chegamos ao mundo ouvindo diversos sons a princípio incompreensíveis, mas aos poucos vamos aprendendo a nomear o nome das coisas, a distinguir o calor do frio, a sensação de fome e a sede. Se caímos logo os pais falam da dor, entendemos que as feridas físicas causam incômodos, e logo vamos aprendendo a nomear o que sentimos.

Porém quando vamos crescendo nem sempre os nossos sentimentos são explicados de forma clara, e muitas vezes não são acolhidos pelos nossos cuidadores. Talvez porque também não saibam falar sobre o que sentem, ou por não acharem importante uma criança aprender sobre o mesmo.

A verdade é que muitas vezes crescemos sem aprender a falar o que queremos e pensamos por medo de sermos repreendidos, mal interpretados, quando tentamos falar algo, não encontramos espaço e nem compreensão. Crianças não têm que querer, já ouviram isso? Adolescentes são revoltados? Os sentimentos, as dificuldades, muitas vezes não são levadas a sério, vamos engolindo a seco as nossas dores, e as mesmas nos corroem por dentro.

Tornamo-nos adultos que não sabem se comunicar de forma clara, não aprendemos a dizer o que queremos, nem pedir ajuda, muito menos de falar de sentimentos sem agredir as pessoas. Partimos logo para a fala engasgada, a ansiedade a mil, o coração quase pula fora do peito, ficamos nervosos e se encontramos uma repreensão no meio do caminho, logo nos retraímos e nos calamos frustrados. Ou somos agressivos, as frases saem enroscadas e tudo acaba ficando pesado.

E nesse contexto onde não sabemos nos comunicar de forma assertiva, vamos aprendendo a lidar com as emoções e sentimentos do jeito que conseguimos, achamos que a outra pessoa tem que entender a nossa cara fechada, que precisa tirar a louça da mesa após o jantar, que também está cansada após um dia de trabalho e que o parceiro tem que ajudar nas tarefas de casa e com os filhos.

Parece tudo tão óbvio, mas não é. Muitas pessoas não sacam o que precisamos, sendo necessário pedir, comunicar, explicar, pois não irão adivinhar o que para nós é uma necessidade, até porque cada um tem uma forma de se relacionar com a vida.

É imprescindível aprender a se comunicar de forma clara, sair do papel confortável de achar que temos que ser compreendidos, pois a maioria das vezes não sabemos nos comunicar claramente, então imagine o outro entender o que precisamos, pensamos ou queremos. Criamos uma forma disfuncional de nos comunicarmos e agora é preciso corrigir isso.

O primeiro passo importante é entender como estamos transmitindo as informações para o parceiro. Será que realmente somos claros ou só achamos que fomos? Conseguimos falar com calma, com carinho dizer o que sentimos e precisamos? Depois é só buscarmos agir de forma bem clara, experimentando essa nova forma de se posicionar frente às próprias necessidades e cuidando da relação.

O exercício é entender o que está sentindo e querendo, para que desta forma possa buscar uma qualidade na relação com o parceiro. Se você não souber nomear os seus sentimentos e necessidades, ficará difícil realmente ser atendido no que gostaria, então comece por você. Mudar nem sempre é fácil, nós nos acostumamos a agir de uma determinada forma e por mais que queiramos algo, nem sempre temos disposição e paciência para mudar.

No entanto quando estamos abertos a rever a nossa forma de ser e agir em nossas relações, construímos parcerias mais saudáveis e fortes, possibilitando tranquilidade, acolhimento, e sem dúvida, mais felicidade.

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