Com a liberação da Anvisa, vacinação contra COVID-19 deve começar até 19 de março no Brasil

An illustration picture shows vials with Covid-19 Vaccine stickers attached, and syringes, on November 17, 2020. (Photo by JUSTIN TALLIS / AFP)

Órgão espera imunizar 136,5 milhões de pessoas em 2021. No primeiro semestre, seriam 65 milhões

DA REDAÇÃO | Estado de Minas – Nacional

Resultados preliminares dos estudos clínicos da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e pelo laboratório AstraZeneca aumentam as esperanças mundiais no enfrentamento da covid-19. O imunizante, que está na fase 3, mostrou eficácia de 90% com a administração de meia dose, numa primeira etapa, e de uma dose completa, na segunda. Ou seja, pelo levantamento, não são necessárias duas doses completas para cada indivíduo, como se avaliava inicialmente.

Isso significa que um maior número de pessoas poderá ser vacinado com uma quantidade menor do imunizante. A descoberta fez a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que produzirá as doses no Brasil, prever a vacinação de 136,5 milhões de pessoas em 2021. Ainda falta a liberação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas a intenção é de que as doses comecem a ser aplicadas até março.

A estimativa é 30% maior do que a prevista anteriormente pela Fiocruz. “No primeiro semestre, teríamos 100,4 milhões de doses para oferecer a 50,2 milhões de brasileiros. No entanto, com esse protocolo anunciado, as mesmas 100,4 milhões de doses poderão ser utilizadas na vacinação de cerca de 65 milhões de pessoas”, indicou o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Marco Krieger. “No segundo semestre, com a produção 100% nacional na Fiocruz e mais 110 milhões de doses, poderemos vacinar mais 71,5 milhões de pessoas. Isso coloca o país numa posição privilegiada entre as nações que terão um grande número de doses para as suas populações.”

A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, comemorou a mudança prevista no esquema vacinal que beneficiará mais pessoas. “Essa vacina deixa de ser uma candidata promissora para ser uma vacina que será produzida pela Fiocruz e uma resposta à saúde pública brasileira”, destacou.

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Com novo esquema vacinal apresentado pelo laboratório AstraZeneca e pela Universidade de Oxford para o imunizante que desenvolvem contra a covid-19, Fiocruz espera imunizar 136,5 milhões de pessoas em 2021

A Fiocruz assinou um acordo de transferência total de tecnologia com a Universidade de Oxford e com a AstraZeneca para produção do imunizante no Brasil, que será feita pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz).

Segundo o diretor do Bio-Manguinhos, Mauricio Zuma, o preço da vacina de Oxford é uma das vantagens. “Estamos trabalhando dentro do cronograma previsto, com uma expectativa de produção de 210,4 milhões de doses em 2021, com um valor por dose extremamente acessível, entre US$ 3 e US$ 4 (cerca de R$ 16 a R$ 22) e uma vacina que pode ser armazenada e transportada na temperatura de 2°C e 8°C, podendo ser distribuída e armazenada utilizando toda a logística já existente no Programa Nacional de Imunizações (PNI)”, enfatizou. Numa comparação, a vacina da Pfizer, por exemplo, precisa ficar a uma temperatura de -70°C, o que seria um problema para o Brasil, que não tem esse tipo de logística de armazenamento.


Balanço

Enquanto a população ainda não tem acesso à solução contra a covid-19, o Brasil sofre diante da possibilidade de uma segunda onda da doença. A atualização do balanço de casos do novo coronavírus feita pelo Ministério da Saúde, ontem, confirmou mais 16.207 diagnósticos positivos e 302 óbitos, em 24 horas. Com isso, o Brasil soma 6.087.608 de confirmações e 169.485 vidas perdidas.

Segundo o Portal Covid-19 Brasil, iniciativa formada por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade de São Paulo (USP), o país deve atingir, hoje, a marca de 170 mil vítimas da covid.

Com os novos números, as médias móveis de casos e mortes oscilam. De acordo com análise do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass), por dia, morrem 496 pessoas e há acréscimo diário de 30.163 casos.

O Ministério da Saúde chegou a formalizar a intenção de compra da CoronaVac por meio de um ofício enviado ao diretor do Butantan, em outubro, mas o presidente Jair Bolsonaro cancelou o documento. Em novembro, o chefe do Planalto recuou e disse que pode comprar a vacina. No entanto, ainda não há nada oficialmente decidido. (MEC)

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