segunda-feira, novembro 29, 2021

Abelha fazendo mel, vale o tempo que não voou

Professor é a única profissão em que você precisa trabalhar, antes de chegar ao trabalho, para que você tenha trabalho para fazer no seu trabalho. E em que, depois do trabalho, você precisa trabalhar para corrigir o trabalho feito durante o trabalho, pois não teve tempo de fazer porque estava trabalhando”.

ARTIGO I Por Arlicélio Paiva*

Há quem considere que o eminente filósofo chinês, Confúcio (551 a.C. – 479 a.C.), foi o mais famoso professor de todos os tempos. Seus ensinamentos serviram, durante vários séculos, como norma de comportamento para a civilização chinesa e da Ásia Oriental. No entanto, ninguém se arrisca a afirmar quem foi o primeiro professor. Alguém deve ter ensinado ao primeiro professor, que também foi ensinado por alguém.

O papel desempenhado pelo professor é reconhecido na grande maioria das vezes. Em linhas gerais, o professor atua como um mediador que favorece oportunidades de aprendizado para o aluno, permitindo que essa aprendizagem permaneça ao longo da vida e que ele tenha senso crítico e capacidade de construir uma sociedade mais justa e igualitária.

No entanto, existem pessoas que consideram os professores como seres extremamente perigosos. Para quem pensa desse modo, aqui vai um argumento muito bem descrito pela tirinha de Alexandre Beck, criador do personagem “Armandinho”, quando o menino indaga ao seu pai: “Por que tudo isso?! Os professores são assim tão perigosos?!”. O progenitor responde: “Para alguns, são sim… Eles podem ensinar o povo a pensar…”. O diálogo entre personagens da turma do Snoopy, criado pelo cartunista Charles Schulz (1922 – 2000), também destaca a importância do professor, quando Patty Pimentinha pergunta: “Afinal, o que faz um professor?” e Charlie Brown responde: “Na pior das hipóteses o professor faz toda diferença”.

O professor desempenha importante papel como educador, além de atividades, na maioria das vezes, excessivas e estressantes. Por conta disso, é um dos profissionais mais atingidos pela Síndrome de Burnout (esgotamento). Esse transtorno, também conhecido como Síndrome do Esgotamento Profissional, é provocado pelo excesso de trabalho, quase sempre em condições deficitárias, e se caracteriza pelo aumento do estresse, irritação e cansaço, que o leva à exaustão física e mental, resultando em baixa capacidade de realização profissional.

Há aqueles que imaginam que o professor é um ser que já nasce pronto, sabedor de tudo sobre todas as coisas, e indagam aos seus mestres – “Professor, o senhor trabalha ou só dá aula?” Não imaginam eles que o professor desempenha função multifacetada. Além da atividade na sala de aula, o professor atua como diretor, coordenador, presidente de comissões, orientador técnico-científico, membro de bancas, orientador comportamental, supervisor, parecerista, revisor… corrige e elabora trabalhos e provas, ou como diz uma postagem da internet – “Professor é a única profissão em que você precisa trabalhar, antes de chegar ao trabalho, para que você tenha trabalho para fazer no seu trabalho. E em que, depois do trabalho, você precisa trabalhar para corrigir o trabalho feito durante o trabalho, pois não teve tempo de fazer porque estava trabalhando”.

Um trecho da música “Amor de Índio” de autoria de Beto Guedes e Ronaldo Bastos explica bem os afazeres do professor – “Abelha fazendo o mel / Vale o tempo que não voou”. Considerando que o tempo em sala de aula do professor seja o “voo”, quando os alunos não o veem “voando” é porque está “fazendo mel”, ou seja, estudando, planejando, elaborando e corrigindo atividades avaliativas para que tudo aconteça na sala de aula – o “voo” observado pelo aluno.

Ser professor, portanto, não é somente exercer sua atividade didática específica a um tema ou a uma determinada área. Muito mais do que isso, ele é na realidade um educador que contribui para que seus alunos sejam profissionais competentes, além de verdadeiros cidadãos que venham constituir uma sociedade baseada em princípios e respeito.

No relevante ofício de educar, reconhecido pelo filósofo e pedagogo John Dewey ao dizer que “A educação, portanto, é um processo de viver e não uma preparação para a vida futura“, o professor precisa de quem apoie os seus esforços e o reconheça como educador que busca sempre a transformação social, já que, na opinião de William Arthur Lewis, ganhador do Prêmio Nobel de Economia: “Educação nunca foi despesa. Sempre foi investimento com retorno garantido”.

Arlicélio Paiva é professor doutor da UESC, Ilhéus, Bahia. *

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