IRECÊ

Sucessão 2020/Irecê: Consolidação do atual governo leva oposição a antecipar agenda eleitoral e busca uma balsa de salvamento

Cultura&Realidade - 05 de Agosto de 2019

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Zé Carlos da Cebola e Luizinho, na procissão de São Domingos - Foto: Ilustração

Neste mês de agosto, em que se deveria comemorar a emancipação política e administrativa de Irecê (02/08/1926), vamos perpassar superficialmente em alguns movimentos sociais como vetores da polarização política, até chegarmos em breve conjuntura do atual cenário eleitoral.

Historicamente, assim como toda cidade do interior, existem movimentos sociais, esportivos, culturais e comunicacionais, que logo circundam a polarização da política. No final da primeira fase do século XX, notabilizaram-se os movimentos culturais “A Voz da Liberdade” e “A Voz de Irecê”... geralmente, um era marcado por uma postura discursiva mais progressista, outra mais conservadora. Ambos tinham suas simpatias por determinados grupos. Hoje, esta polarização se dá nos espaços cibernéticos e radiofônico.

Por volta dos anos 70, os destaques eram os times de futebol, notabilizando-se os times do Fluminense, Botafogo e Flamengo do Achado. Todos com suas tendências às flâmulas dos grupos políticos. Eram patrocinados pelas principais lideranças que disputavam os espaços de poder, à época. “Tribuna de Irecê”, “Tribuna do Feijão”... dentre outros, marcaram o jornalismo impresso naquela década e nas seguintes.

Mais para o final daquele século, avançaram dois grupos culturais: o Nascerarte, com as suas semanas de arte e cultura e posteriormente, o Art’Vida, focando a encenação da Paixão e Morte de Cristo. Neste caso, não ocorreu polarização ideológica de apologia eleitoral, apenas de afinidades pessoais. Ambos tinham uma postura mais oposicionista, focada no empoderamento das atividades culturais.

No momento, a polarização política se dá no entorno do grupo liderado pelo atual prefeito Elmo Vaz e o ex-prefeito Luizinho sobral. 

Neste cenário, a voz no âmbito cultural de maior repercussão, são os festejos juninos, de programação oficial. A dualidade ocorre na comparação de qual gestão “brocou” mais, nem que para isso, faltem recursos para fechar as contas do orçamento anual ou custeio de politicas públicas sociais importantes.

A polarização externa, se dá no campo da tecnologia da informação. As redes sociais, mais democráticas e democratizantes, com todos os riscos que se apresentam, sem uma política de controle dos crimes cibernéticos eficaz, e as emissoras de rádio. Estas, são seis em Irecê: Vida FM (comunitária) e as comerciais, Cidade FM, 101 News FM, Transamérica FM, Cabaíbas FM e Lider FM. Especialmente as duas últimas, são as que mais fortalecem a polarização politico-eleitoral, conforme a natureza das articulações.

A última emissora citada abusou dos seus procedimentos e métodos para servir ao seu projeto politico/financeiro, a serviço de Luizinho Sobral em 2016, a ponto de se encontrar envolta de um processo judicial que tornou inelegível a única liderança local do grupo com influência eleitoral para disputar as próximas eleições (o próprio Luizinho). O crime praticado inviabilizou juridicamente, também, a ex-vice-prefeita Hisadora Lelis (esposa de Beto Lelis, também inelegível até 2022) e o próprio dono da emissora, que em resposta a uma matéria do site Cultura&Realidade, disse que iria disputar as eleições contra Elmo Vaz. Porém, os pareceres da corte suprema, em Brasília, para onde recorreram na esperança de anular as sentenças, não lhes são favoráveis.

Fundamentado nos julgamentos da regional e em pareceres do próprio Ministério Público Eleitoral Federal, o Ministro Luís Roberto Barroso, ainda monocraticamente, manteve a sentença proferida pelo Tribunal Regional Eleitoral, que condenou os réus à unanimidade, por 7 (sete) votos a 0 (zero), tornando-os inviáveis para as disputas eleitorais de 2020.

Do outro lado, o prefeito Elmo Vaz avança na aceitação popular, no que se refere aos resultados da administração. Os oponentes, com os meios que tem, usam de diversos artifícios para tentar desqualificar a gestão, cujos índices de avaliação demonstram solidez na consolidação do governo, o que, de certo, influencia na gestão política.

Este cenário se comprova pela movimentação da oposição. O ex-prefeito Luizinho, que mora em Salvador e só aparece em Irecê, em agenda política visando a Prefeitura, concedeu entrevista à dita emissora, na semana passada, visando estancar a sangria das diversas lideranças da sua base eleitoral, que vem aos poucos aderindo ao projeto liderado por Vaz.

Embora o grupo oposicionista tenha quadros qualificados em Irecê, estes, no entanto, pelo visto nas articulações políticas, não gozam da confiança do chefe Luizinho, uma vez que o mesmo está buscando na cidade vizinha de São Gabriel, o ex-prefeito Zé Carlos da Cebola, que também se vê envolto de processos judiciais, os quais poderão ensejar na sua inviabilidade eleitoral. Pelo visto, o chefe do clã não conseguiu emplacar sua esposa Michele Sobral, que era a sua preferida, diante da inelegibilidade posta.

Claro, vão dizer que não. Mas, os que militam nos ambientes políticos, sabem ler a tradução das movimentações promovidas pelas agendas sócio-eleitorais. Além da revelação na entrevista, de conversas de bastidores, Luizinho e Zé Carlos participaram da procissão que marca a culminância do novenário de São Domingos, no último domingo, 4. 

O certo é que a movimentação antecipada da oposição revela o reconhecimento do crescimento politico do prefeito Elmo Vaz. 

É o famoso “cuida ou não alcançamos mais”.