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Politica

"Somos contrários a PEC 241/55", afirma reitor da Uneb em audiência pública na Câmara de Irecê

18 de Novembro de 2016 (atualizado 08/Fev/2017 01h49)

Reitor da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) esteve em Irecê para participar de audiência pública que discutiu as possibilidades de expansão do Campus XVI, que atende o território de Irecê. Na pauta, a vinda dos cursos de Agroecologia e Direito, além do cenário político e econômico que atrapalha o fortalecimento da Uneb, principalmente no interior. Ele defendeu também a postura dos estudantes em protestar contra as medidas de contenção de gastos do governo Temer, que devem afetar a educação.

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Foto: audiência pública lotou o auditório da Câmara Municipal de Irecê (Rodrigo de Castro Dias)

Por Rodrigo de Castro Dias

Bacharelados em Agroecologia e Direito. Graduações em Agronomia, Psicologia e Enfermagem. Novas e velhas pautas ligadas à expansão do Campus XVI, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) estiveram em debate na tarde dessa sexta-feira (18), no auditório da Câmara Municipal de Irecê. O reitor da Uneb, professor José Bites, foi o principal personagem da audiência pública promovida pela Comissão de Educação da Câmara de Vereadores em parceria com a diretoria do Campus XVI.

O diretor do DCHT local, Joabson Figueiredo, foi o mediador da audiência, que contou com a presença de representantes dos poderes legislativo, executivo e judiciário, além de movimentos sociais e estudantes da Uneb e de escolas e outras instituições de ensino superior da cidade. "O que nós estamos vendo no país é resultado da ausência de formação, de investimentos na educação. Agora estamos passando por uma grave crise política, o que só aumenta as nossas dificuldades", afirmou José Bites em sua fala na plenária.

O reitor defendeu a legitimidade das ocupações nos campi da instituição em todo o estado, mas pediu para que os estudantes não paralisem a universidade. "Mantenham a ocupação, mas não a impeçam (Uneb) de funcionar. Senão vamos sofrer com a judicialização do movimento, a criminalização do processo", disse Bites, que deixou claro que a direção da universidade compartilha das críticas dos estudantes (e boa parte dos professores e servidores) a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, que virou 55 ao chegar no Senado. "Somos contrários a PEC 241/55", garante.

O vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), subseção Irecê, Vinícius Salum, defendeu a implantação do curso de Direito no Campus XVI, indo na contramão da postura da OAB em todo o país, como o próprio admite. "Normalmente a Ordem se posiciona contra a implantação de novos cursos de Direito, face a saturação de faculdades que oferecem ensino de baixa qualidade na área. Por isso, é um tanto curioso eu estar aqui, em nome da OAB, defendendo que o curso venha para Irecê. Mas é devido as particularidades da nossa região, que apresenta uma grande carência de profissionais na área para atender a demanda existente, que é muito grande, já que a cidade atende no campo jurídico uma área que ultrapassa os limites do Território, alcançando muitas cidades", esclareceu. Ao concluir sua fala na plenária, Vinícius entregou ao reitor Bites um documento contendo a proposta de um curso de Direito para a Uneb em Irecê.

Reitor José Bites falou sobre as possibilidades de novos cursos no Campus XVI e defendeu a iniciativa dos estudantes em ocupar a universidade em sinal de protesto contra medidas do governo Temer. | Foto: Rodrigo de Castro

Foto: Reitor José Bites falou sobre as possibilidades de novos cursos no Campus XVI e defendeu a iniciativa dos estudantes em ocupar a universidade em sinal de protesto contra medidas do governo Temer (Rodrigo de Castro Dias)

Oferta x demanda - O reitor José Bites falou sobre uma questão profunda relativa ao planejamento do ensino superior no estado. "Vivemos um cenário onde há pouca interação entre a complexidade e a necessidade de tecnologia nas várias regiões da Bahia face a oferta de cursos existentes nos campi espalhados pelo interior. Por isso, assistimos a uma carência de profissionais em vários setores", explica.

Bites aponta que o fortalecimento da Uneb passa pela reflexão desse cenário, visando uma maior diversificação das áreas de formação a serem ofertadas aos futuros estudantes do ensino superior. As dificuldades orçamentárias, agravadas pela crise política e econômica, que afeta diretamente os investimentos governamentais nas universidades públicas, são apontadas pelo reitor como o principal obstáculo ao fortalecimento da Uneb em Irecê e outras cidades.

Por outro lado, Bites enfatiza a manutenção dos programas de pós-graduação stricto sensu e de ensino na modalidade EaD (Ensino à Distância) como fatores positivos para a universidade hoje. Bites ainda projeta desafios: "precisamos andar mais rápido na oferta de cursos de bacharelado e tecnológicos em todos os campi", defendeu. "O ideal é que tenhamos ao menos um programa de pós-graduação stricto sensu (mestrado e/ou doutorado) em cada unidade da Uneb, mas para isso precisamos investir em formação de professores, além da infraestrutura física. Precisamos de mais mestres e doutores", finaliza.

Histórico e situação hoje - O Campus XVI, localizado na BA-052, próximo a entrada da cidade, foi criado através da Lei Estadual nº 6.601/94 como Núcleo de Irecê (NESIR), ainda vinculado ao Centro de Educação Superior de Paulo Afonso (CESPA). Começou oferecendo o curso de Pedagogia, na modalidade Licenciatura Plena com habilitação em Magistério do Ensino Fundamental.

Em 1999, foi implantada a habilitação em Educação Infantil no curso de Pedagogia. No ano seguinte, o campus ganhou o status de departamento, com a criação do Departamento de Ciências Humanas e Tecnológicas (DCHT/XVI), desvinculando-se do campus de Paulo Afonso. Posteriormente, o campus ganhou a Licenciatura em Letras Vernáculas e a sede própria, inaugurada em 2008. Atualmente a Uneb ireceense oferta, além das licenciaturas em Pedagogia e Letras e o recém-implantado bacharelado em Administração, cursos EaD e programas para formação de professores, a exemplo da Plataforma Freire, além oferecer regularmente programas de pós-graduação lato sensu.

Essas atividades são desenvolvidas em diversas cidades da região, além de Irecê. Para o futuro, as maiores possibilidades de expansão estão depositadas na possibilidade de implantação da graduação em Agroecologia, que está com tramitação em fase avançada, e do curso de Direito, este sem previsão mais concreta. Em anos anteriores, foram ventiladas possibilidades para a implantação dos cursos de Psicologia, Enfermagem e Administração, dos quais somente o último se concretizou de fato.