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Repúdio ao machismo e violência contra a mulher – NOTA DA COLETIVA ARACEMA ESTUDOS FEMINISTAS

28 de Maio de 2016

image.jpg [caption id="attachment_4636" align="aligncenter" width="376"]Arte: Divulgação Arte: Divulgação[/caption] Recentemente, duas notícias bárbaras chocaram o país. Essas notícias relatam dois casos de estupro coletivo que ocorreram no Brasil, um deles em Bom Jesus, no estado do Piauí, onde cinco homens covardemente violentaram sexualmente uma jovem menor de idade. E o segundo caso, que teve maior repercussão nas mídias, ocorreu no Rio de Janeiro, onde uma garota de 17 anos foi estuprada por um grupo de 33 homens! Esse estupro foi registrado por meio de filmagens e fotografias, sendo que esses registros foram publicados e compartilhados pelos próprios agressores nas redes sociais. Casos como estes revelam o quanto a nossa cultura ainda é machista e misógina*. Revelam também o quanto é assustador ser mulher nessa sociedade violenta. Afinal, foram dois casos de verdadeira barbárie que vieram à tona nas mídias sociais, mas que infelizmente não casos isolados. Pois, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil. É preciso levar em conta que, segundo o IPEA, apenas 10%dos casos de violência sexual são registrados formalmente pelas vítimas. Neste sentido, cabe ressaltar que no estado da Bahia foram registrados 576 casos de estupro apenas no primeiro trimestre deste ano, conforme informações divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública do Estado. A Coletiva Aracema Estudos Feministas vem, por meio dessa nota, tornar público o nosso repúdio à cultura de estupro tão presente no discurso da sociedade patriarcal na qual estamos inseridas. Inicialmente, é necessário compreender que todos, tanto homens, quanto mulheres estão sujeitos às armadilhas deste discurso que legitima a equivocada noção de dominação masculina. Por dominação masculina entendemos que é a ideia construída historicamente de que os homens são superiores às mulheres. Essa falsa superioridade que vem sendo reproduzida através das gerações desencadeia diversos tipos de violência contra as mulheres, desde as simbólicas e psicológicas, chegando à violência física, abuso sexual e até o feminicídio. Portanto, a partir dos nossos estudos e vivências, afirmamos com pesar que o machismo viola nossos corpos e mata as mulheres todos os dias! Voltando ao caso dos mais de trinta homens contra uma adolescente no Rio de Janeiro, repudiamos também o comportamento desumano de parte do público que divulgou e expôs o vídeo e imagens do estupro. Bem como repudiamos o discurso machista, ratificado por uma parcela dos internautas, que demonstrou nenhum comprometimento contestador da violência ali registrada, deixando evidente o intuito de julgar e culpabilizar a vítima. Revelando assim mais um aspecto da vil face da já mencionada cultura do estupro. Queremos também evidenciar que apesar de o Estado Brasileiro ter avançado nos últimos anos em termos de garantia de políticas públicas para as mulheres, o momento é de retrocessos e de ameaça às nossas conquistas, impedindo o avanço da garantia de direitos. Recentemente, foi anunciada oficialmente a candidatura oficial do deputado Jair Bolsonaro à Presidência da República no pleito que ocorrerá em 2018, o mesmo que reverenciou torturador e estuprador na sessão plenária da votação do impeachment no dia 17 de abril; o mesmo que disse que não estupraria uma deputada “porque ela não merecia”; o mesmo que é autor de projetos de lei que dificultam o atendimento às vítimas de violência sexual, restrição do acesso à contracepção de emergência e ao aborto legal. Repudiamos todas as violências praticadas por esse deputado e sua ala seguidora (dentro e fora do Congresso Nacional), assim como todas as práticas que ameacem a nossa dignidade. Afirmamos que o Estado Brasileiro não pode tolerar o machismo e nenhuma outra forma de violência contra as mulheres. Não pode também receber estuprador confesso em gabinete de ministério, mostrando assim o quão grave pode ser esse momento de retrocesso e tudo o que dele desencadeia. A Aracema Estudos Feministas reafirma o seu compromisso com a bandeira de defesa dos nossos direitos e dignidade e elenca como fundamental a sua função empoderadora das mulheres do Território de Identidade de Irecê-BA e deseja profundamente que estes saberes, denúncias e reflexões contestadoras expandam para outros territórios, quicá para todo o país. Seguiremos em marcha até que todas sejam livres!   Atenciosamente, Coletiva Aracema Estudos Feministas. Território de Identidade de Irecê-BA, 28 de maio de 2016.   *Misoginia se refere a repulsa, desprezo ou ódio contra as mulheres.