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Quatro pessoas foram presas pela Polícia Federal, acusadas de "hackearem" celular de Moro

Cultura&Realidade - 24 de Julho de 2019 (atualizado 24/Jul/2019 11h59)

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Investigação da Polícia Federal ocorre após vazamentos de diálogos noticiados - Foto: Ilustração

A Polícia Federal cumpriu quatro mandados de prisão temporária e sete de busca e apreensão, nesta terça-feira 23, de supostos hackers envolvidos na invasão do celular do ministro da Justiça, Sérgio Moro que relatou suspeita de clonagem de seu aparelho telefônico, após receber ligações do próprio número.

 Os mandados foram cumpridos nas cidades de São Paulo, Araraquara e Ribeirão Preto. Quatro suspeitos já foram detidos: três homens e uma mulher, todos jovens. O grupo deve ser levado a Brasília para ser interrogados.

A ação, batizada como Operação Spoofing, é mantida sob sigilo e foi autorizada pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília. Em nota, a Polícia Federal afirma que a operação tem o objetivo de desarticular organização criminosa que praticava crimes cibernéticos.

De acordo com a PF, “spoofing” é um tipo de falsificação tecnológica que procura enganar uma rede ou uma pessoa, para que ela acredite que a fonte de uma informação é confiável, quando não é.

Sérgio Moro relata que, no dia 4 de junho, por volta das 18h, seu aparelho telefônico recebeu três telefonemas do seu próprio número. A partir de então, o ministro acionou investigadores da PF, com a suspeita de clonagem. Procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato no Paraná também se queixam de invasões. No domingo 21, a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) relatou que seu celular sofreu ação de hackers. Na segunda-feira 22, o ministro da Economia, Paulo Guedes, informou ter sido a terceira vítima.

A investigação da Polícia Federal ocorre após vazamentos de diálogos noticiados pelo site The Intercept Brasil, entre o então juiz da Lava Jato e o procurador Deltan Dallagnol. Segundo as reportagens, Moro teria dado orientações que resultaram na alteração bancada acusatória no processo contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, o ex-juiz teria dado conselhos estratégicos aos acusadores, sugerido testemunhas, cobrado ações e proposto conteúdo de nota dos procuradores.

Em audiências na Câmara e no Senado, em junho, o ministro disse que não reconhece a autenticidade das mensagens reveladas. Além disso, classificou as reportagens do Intercept como “sensacionalistas” e atribuiu os vazamentos à ação de hackers interessados em anular condenações da Lava Jato e atrasar processos em andamento.

Em 2 de julho, o site O Antagonista publicou que o jornalista Glenn Greenwald, editor do Intercept, havia se tornado alvo de investigação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), do Ministério da Economia. Na mesma semana, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) manifestou, em ofício ao COAF, preocupação com a liberdade de imprensa. “A referida especulação tem suscitado a preocupação acerca do risco de violação ao direito fundamental à liberdade de expressão, o qual foi consagrado na Constituição da República de 1988, e constitui um dos pilares do regime democrático brasileiro”, defendeu a entidade.

Da redação, com conteúdo do G1