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Puxada Elétrica dos Idosos, uma festa de todos que revela uma tendência para a cidade

Cultura&Realidade - 03 de Março de 2020

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Puxada Elétrica dos Idosos, envolvente e animado, ganha adesão de diferentes gerações - Foto: Divulgação

Da Redação/Por João Gonçalves

Eis que, de repente, embora nem tão de repente assim, começa a se revelar em Irecê, tendências de retomada dos festejos das folias de Momo. O Carnaval, que antigamente era comemorado em clubes fechados na cidade, como “A Voz da Liberdade”, depois “A Voz de Irecê” e finalmente a ACRI – Associação Cultura e Recreativa de Irecê, começa a ganhar força em iniciativas que vem ganhando corpo e demonstrando que poderá ser uma tendência para o calendário festivo e cultural da cidade.

No último sábado, 29, ocorreu pelas ruas do centro da cidade a terceira Puxada Elétrica, do grupo solidário ao idoso. É um evento voltado para os foliões e as foliãs mais experientes, mas muita gente jovem se reuniu para se divertir ao som de marchinhas e tendências mais modernas dos hits carnavalescos.

A criação do evento foi uma ação do professor “Diomar Zumba”, que este ano articulou diversos colaboradores, “correndo o chapéu mesmo, pedindo 100 reais a um e a outro, recebendo um pedaço de tecido aqui e ali, restos de materiais recicláveis e assim conseguimos os vestuários e ornamentos para nossos idosos”, fala Diomar, sem conseguir esconder o lacrimejar que mina nos cantos dos olhos. “Estou feliz e realizado...”, balbucia.

O colorido e as evoluções dos participantes traduziram a quem viu, uma verdadeira escola carnavalesca desfilando pelo centro da cidade. “Não acredito no que estou vendo. Quanto encanto, quanta beleza”, disse o engenheiro de produção, Joanderson Aleixo.

A concentração se deu em torno do Terminal Rodoviário, no final da tarde por volta das 18h iniciou o desfile, passando pela Praça do Feijão, avenida Tertuliano Cambuí, finalizando na praça Ayrton Senna.

A puxada contou com dois paredões onde um puxou a ala composta por Diomar Zumba como Mestre Sala e Dona Alice como sua Porta bandeira, formando a comissão de frente , em seguida teve a ala composta de mais 15 idosas caracterizadas de portas bandeiras. O outro paredão fez a animação com o bloco Renascer.

“Estou feliz por ter conseguido mais uma edição, graças ao apoio de muitos amigos, nem dá para citar aqui, pois foram muitos. Só Deus para agradecer a compaixão e generosidade de todos. A inclusão dos idosos e a adesão de outras gerações foi mágico”, avalia Diomar.

CARNAVAL DE ANGICAL – No dia 23, outro evento que comprova a tendência e uma reivindicação espontânea, foi o 4º Canasouza, a “Folia de Momo em Angical”, que tambpem vem crescendo, gerando importância econômica, social e cultural na comunidade, exigindo dos seus organizadores novas estruturas.

MICARETA DO CRAS – A micareta oficial do município surgiu no âmbito do Cras, na Secretaria de Desenvolvimento Social e Promoção da Igualdade. Logo ganhou uma outra dimensão e agora é a Micareta Cultural, que acontece no dia 31 de maio, até então considerada data oficial de aniversário da cidade, agora com a participação de todas as estruturas da gestão e setores sociais da comunidade.

O secretário Rafael Sidartha (PCdoB) confirmou que o evento vai ser mantido dia 31 de maio e que ema gosto, haverá também programação oficial pela emancipação política e administrativa da cidade, que se deu em 2 de março de 1926.

Com a “Revolução de 30”, o município foi reintegrado a Morro do Chapéu e ratificada sua emancipação em 31 de maio de 1933.

SOBRE O REI MOMO - Tudo indica que essa rechonchuda figura carnavalesca tenha sido inspirada em um personagem da Antiguidade clássica. Na mitologia grega, Momo era o deus do sarcasmo e do delírio. Usando um gorro com guizos e segurando em uma mão uma máscara e na outra uma boneca, ele vivia rindo e tirando sarro dos outros deuses.

Com esse jeitão esculachado, aprontou tantas que acabou expulso do Olimpo, a morada dos deuses. Ainda antes da era cristã, gregos e romanos incorporaram essa figura mitológica a algumas de suas comemorações. Na Grécia, registros históricos dão conta que os primeiros reis Momos de que se tem notícia, já desfilavam festivamente por volta dos séculos 5 ou 4 a.C. Geralmente, o escolhido era alguém gordinho e extrovertido – provavelmente vem daí a inspiração para a folia brasileira. Já nas bacanais romanas, os participantes selecionavam um Rei Momo entre os soldados mais belos do exército. (Recorte da revista Superinteressante).

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(Fotos: Divulgação)