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Festival Gastronômico Paladares do Sertão

Projeto pioneiro reúne famílias de consumidores e produtores rurais

10 de Novembro de 2015

chacara.jpg [caption id="attachment_2949" align="aligncenter" width="500"]Foto: Correio Brasiliense Foto: Reprodução / Correio Brasiliense[/caption]

Por Rafael Campos / Correio Brasiliense

Os compradores financiam totalmente os custos dos chacareiros e participam desde o planejamento da safra até à colheita dos orgânicos

Todas as semanas, a produção orgânica mantida pela geógrafa Andrea Zimmermann tem 25 destinos certos. São famílias que bancam os custos do que ela cultiva e recebem uma cesta variada, com itens livres de agrotóxicos. A diferença é que ela conhece os futuros consumidores. Todos sabem quais foram os valores envolvidos no trabalho. E todos já foram até a sua lavoura, chegando ao ponto de participarem da colheita. E, na certeza de que ela tem de que esse esforço não será desperdiçado, a agricultura ganha um outro foco, no qual a importância das relações entre as pessoas fica acima das transações monetárias. Andrea é produtora do projeto Comunidade que Sustenta a Agricultura (CSA), um modelo de organização de consumo que chegou a Brasília há menos de um ano e que tem alterado a forma com que muitas pessoas se relacionam com os alimentos. “É mudar da cultura do preço para a cultura do apreço. As pessoas têm questionado mais o que estão consumindo e isso não é mais papo de ecochato. É uma opção para viver bem”, garante. Em uma CSA, um grupo de pessoas — chamadas de coprodutores — paga um valor fixo mensal ao agricultor para garantia da sua produção. Com a certeza do investimento, o chacareiro entrega os itens da lavoura diretamente aos co-produtores, eliminando atravessadores. Mas esse relacionamento não termina aí. “A CSA quer criar uma união entre pessoas que desejam se alimentar bem, se aproximar da terra e viver uma economia que é solidária. Você não lida mais com sua alimentação como item de consumo”, explica Andrea. Dessa forma, o processo não termina no momento em que há o pagamento. A comunidade formada participa ativamente de todos os processos da cadeia produtiva, desde a apresentação das planilhas de custos ao recebimento dos produtos nos pontos de convivência — como são chamados os locais onde as famílias pegam suas cotas. “Elas deixam de resolver, simplesmente, o problema de abastecimento da sua despensa e começam a pensar de onde vem o alimento, fazendo uma contribuição efetiva: financiar uma produção orgânica socialmente responsável”, explica a consultura sócioambiental Renata Navega, 28 anos. Ela é uma das precursoras do movimento em Brasília, que começou em março. Atualmente, existem três comunidades em funcionamento no Distrito Federal.