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Bahia

População elege Temer como Judas e queima boneco no ‘Sábado de Aleluia’ em Souto Soares

Rodrigo de Castro Dias - 17 de Abril de 2017 (atualizado 21/Jun/2017 15h16)

Foto: Temer foi colocado em cima de um jegue e circula pelas ruas da cidade antes de ser queimado como Judas (Divulgação)

Foto: Temer foi colocado em cima de um jegue e circula pelas ruas da cidade antes de ser queimado como Judas (Divulgação)

Do Jornal da Chapada

O ‘Sábado de Aleluia’ é o dia que tradicionalmente os católicos que celebram a ‘Semana Santa’ queimam o Judas – que traiu Jesus com um beijo – segundo a Bíblia. No município de Souto Soares, na Chapada Diamantina, este ato virou uma atração à parte. É que a população elegeu o atual presidente do país, Michel Temer (PMDB), como o Judas deste ano e pretende queimar o boneco neste sábado (15) em praça pública. “A bola da vez é o Michel Temer, então estamos usando esse nome pelas ruas da cidade. Nada mais justo”, informa o morador Josemar Pereira Evangelista, mais conhecido como Pia Natureza, em contato com o Jornal da Chapada.

Segundo os organizadores, a escolha de Temer para ser o Judas deste ano foi motivada pelas pautas debatidas pelo Congresso Nacional atualmente, como as reformas Trabalhista e Previdenciária, além da aprovação da terceirização como o aval do governo federal. A escolha ainda considerou as últimas notícias das delações da Odebrecht que apontou propina de caixa 2 para ministros do governo Temer, deputados e senadores que, inclusive, muitos deles, apoiaram o impedimento da presidente Dilma Rousseff. “É preciso que a sociedade reaja ao desmonte que o Brasil vem sofrendo com esse governo ilegítimo”, aponta um dos coordenadores.

Foto: O boneco de Judas carrega o nome de Michel Temer pelas ruas de Souto Soares (Divulgação)

Historicamente, a queima do boneco de Judas foi criada em Souto Soares por um senhor conhecido na região como ‘Tonho Pezão’. “Ele morreu e agora os jovens da cidade todos os anos se juntam e fazem os ‘guardas batedores’, põem a mulher do Judas e o Judas no jegue e se alguém mexer com a mulher do Judas o couro como com chicotada. Eles rodam pelas ruas da cidade e quem mexer leva cacete dos guardas. É uma tradição, uma brincadeira que mobiliza a população”, salienta Pia Natureza. A procissão esse ano foi coordenada pelo jovem Diego Sampaio.