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Saúde

Palmeiras Imperiais são foco do mosquito transmissor da “doença de Chagas”

26 de Agosto de 2015 (atualizado 21/Jun/2017 13h50)

Palmeiras imperiais estão sofrendo com infestação de barbeiros

Foto: Palmeiras imperiais estão sofrendo com infestação de barbeiros (Reprodução)

“As equipes do Departamento de Vigilância Sanitária e Epidemiológica e a Superintendência de Controle de Endemias... estão desde quinta-feira (11), realizando procedimentos de limpeza e poda de palmeiras imperiais localizadas na Praça Central. A ação tem o objetivo de prevenir a proliferação de focos do bicho barbeiro, inseto transmissor da doença de Chagas.(*) >>> “O pecuarista Paulo Pedon conta que há mais de 60 dias os insetos estão aparecendo no prédio. Ele mesmo encontrou dois no quarto de brinquedos da filha, de 1 ano e meio de idade. ‘Como eu já tinha escutado várias pessoas reclamando, me atentei e recolhi o inseto e entreguei ao zelador’, conta. Desde então ele tem mantido todas as janelas da casa fechadas e usado inseticida, com medo do parasita.” (**) >>> “Uma operação envolvendo a Secretaria Municipal de Saúde, Departamentos: de Parques e Jardins e Limpeza Pública e Sucen (Superintendência de Controles de Endemias)...  na avenida Antônio Fischer, no bairro Campos Eliseos na quarta-feira,... com o objetivo de eliminar focos de infestação de barbeiros... a equipe de Parques e Jardins promoveu o corte de folhas e cachos das palmeiras do canteiro central, onde ninhos de pássaros concentravam a infestação do barbeiro. Logo após a poda o pessoal da Sucen (órgão estadual de controle de endemias) aplicou inseticida nas palmeiras, no material proveniente do corte e nas cercanias, para evitar que os insetos migrassem para as residências. O morador da esquina da avenida Antônio Fischer com a rua 28, o comerciante, Otacir de Souza, mostrou alívio pela operação de poda e nebulização de inseticida. Ele relatou que encontrou insetos em sua casa.” (***) >>> Os três textos acima são recortes de matérias publicadas em jornais impressos e virtuais de três cidades diferentes: Araçatuba, Guaíra e Ribeirão Preto, que tiveram infestações do barbeiro (Trypanosoma cruzi) inseto que pode transmitir o mal de chagas, com focos, dentre outros ambientes, em casas de enchimento e em Palmeiras Imperiais. As cidades citadas, que tem dezenas da espécie arbórea nas ruas e praças centrais, enfrentam anualmente a infestação do mosquito causador do “Mal de Chagas”, uma doença infecciosa que pode evoluir e comprometer o coração. De acordo com o médico Dr. Drauzzio Varella, em sua página oficial, a doença de chagas é causada pelo protozoário parasita Trypanosoma cruzi que é transmitido pelas fezes do inseto (triatoma) o famoso barbeiro. O nome do parasita foi dado por seu descobridor, o cientista Carlos Chagas, em homenagem ao também cientista Oswaldo Cruz. Segundo os dados levantados pela Sucen, esse inseto de hábitos noturnos vive nas frestas das casas de pau-a-pique, ninhos de pássaros, tocas de animais, casca de troncos de árvores e embaixo de pedras.

Transmissão - A doença de Chagas não é transmitida ao ser humano diretamente pela picada do inseto, que se infecta com o parasita quando suga o sangue de um animal contaminado (gambás ou pequenos roedores). A transmissão ocorre quando a pessoa coça o local da picada e as fezes eliminadas pelo barbeiro penetram pelo orifício que ali deixou. A transmissão pode também ocorrer por transfusão de sangue contaminado e durante a gravidez, da mãe para filho. No Brasil, foram registrados casos da infecção transmitida por via oral nas pessoas que tomaram caldo-de-cana ou comeram açaí moído. Embora não se imaginasse que isso pudesse acontecer, o provável é que haja uma invasão ativa do parasita diretamente através do aparelho digestivo nesse tipo de transmissão.

Sintomas - Febre, mal-estar, inflamação e dor nos gânglios, vermelhidão, inchaço nos olhos (sinal de Romanã), aumento do fígado e do baço são os principais sintomas. Com frequência, a febre desaparece depois de alguns dias e a pessoa não se dá conta do que lhe aconteceu, embora o parasita já esteja alojado em alguns órgãos. Como nem sempre os sintomas são perceptíveis, o indivíduo pode saber que tem a doença, 20, 30 anos depois de ter sido infectado, ao fazer um exame de sangue de rotina. Meningite e encefalite são complicações graves da doença de Chagas na fase aguda, mas são raros os casos de morte.

Evolução - Caindo na circulação, o Trypanosoma cruzi afeta os gânglios, o fígado e o baço. Depois se localiza no coração, intestino e esôfago. Nas fases crônicas da doença, pode haver destruição da musculatura e sua flacidez provoca aumento desses três órgãos, o que causa problemas como cardite chagásica (aumento do coração), megacólon (aumento do cólon que pode provocar retenção das fezes) e megaesôfago, cujo principal sintoma é a regurgitação dos alimentos ingeridos. Essas lesões são definitivas, irreversíveis. A doença de Chagas pode não provocar lesões importantes em pessoas que apresentem resposta imunológica adequada, mas pode ser fatal para outras.

Diagnóstico e período de incubação - O período de incubação vai de cinco a 14 dias após a picada e o diagnóstico é feito através de um exame de sangue, que deve ser prescrito, principalmente, quando um indivíduo vem de zonas endêmicas e apresenta os sintomas acima relacionados.

Tratamento - A medicação é dada sob acompanhamento médico nos hospitais devido aos efeitos colaterais que provoca, e deve ser mantida, no mínimo, por um mês. O efeito do medicamento costuma ser satisfatório na fase aguda da doença, enquanto o parasita está circulando no sangue. Na fase crônica, não compensa utilizá-lo mais e o tratamento é direcionado às manifestações da doença a fim de controlar os sintomas e evitar as complicações.

Recomendações: * Como não existe vacina para a doença de Chagas, os cuidados devem ser redobrados nas regiões onde o barbeiro ainda existe, como o vale do Jequitinhonha, no norte de Minas Gerais, e em algumas áreas do nordeste da Bahia; * Pessoa que esteve numa região de transmissão natural do parasita deve procurar assistência médica se apresentar febre ou qualquer outro sintoma característico da doença de Chagas; * Portadores do parasita, mesmo que sejam assintomáticos, não podem doar sangue; * A cana-de-açúcar deve ser cuidadosamente lavada antes da moagem e a mesma precaução deve ser tomada antes de o açaí ser preparado para consumo; * Eliminar o inseto transmissor da doença ou mantê-lo afastado do convívio humano é a única forma de erradicar a doença de Chagas.