JOVEM ESCRITOR C&R

Pablo Maia estuda informática no IFBA  de Irecê, mora em João Dourado, tem  15 anos e é o autor desta quarta

Cultura&Realidade - 08 de Janeiro de 2020 (atualizado 08/Jan/2020 16h03)

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Ser você parece crime

Ser você parece crime, condenado a pena de morte.
"Olha esse cabelo", "Vai sair vestido assim na rua?”, “Curte reggae? Maconheiro..." Quando se fala em preconceito logo se pensa em discriminação racial, social ou de estereótipo. Porém, o medo de aceitar o outro é o que causa preconceito. Julgar alguém por alguma diferença que ela tenha, seja essa qual for, pode parecer algo mais leve, quando se traz em tom de brincadeira, “ah, só estou brincando”,  mas causa efeitos cruéis para quem é o alvo. Em casos mais sérios, o alvo da "brincadeira" pode desenvolver um quadro de depressão que começaram dessa maneira. Segundo recente estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão é a segunda principal causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos.

Em pesquisa publicada no The British Medical Journal (BMJ), foi concluído que 30% dos casos de depressão podem ser atribuídos a bullying na adolescência. Já o estudo realizado pelo British Council a 3.500 alunos de 47 escolas em nove países da Europa aponta que um em cada dois estudantes portugueses é zombado (ou outra palavra melhor) pela roupa que veste. No Brasil, o bullying é duas vezes maior do que a média geral das instituições de ensino em 48 países, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). 

Vivemos em uma sociedade que ridiculariza seu jeito de ser, te apresentando um padrão ou até te obriga a segui-lo, fazendo com que você perca a autoconfiança e a sua personalidade, reprimindo o simples fato de ser você. Quantas pessoas hoje estão perdidas, magoando a si mesmas, vivendo conceitos que não são seus, para alcançar um modelo de ser humano que a maioria das pessoas prega, pelo temor gerado de que alguém possa rir de você, medo da rejeição ou mesmo para agradar os outros, sendo assim um fantoche. 

Pelo fato de existir esse padrão da sociedade a ser seguido, quem não o segue é diferente, e ser diferente é anormal para ela. As pessoas não respeitam as diferenças, só há respeito quando compartilha do mesmo padrão. Então, muda-se o jeito de falar, de se vestir, gostos musicais... Seja por influências, da família, da escola, da religião, dos grupos de amizades... Até que nos distanciamos cada vez mais de nós mesmos, deixando de lado nossa verdadeira essência. 

Ser você é uma tarefa difícil e exaustiva, quando há exigências de padrões, mais do que se imagina. Não perca tempo tentando mudar você só porque alguém te olhou com cara feia.  Ligue o foda-se e seja feliz da forma que você é, e como quiser. Como diria Monteiro Lobato: “Seja você mesmo, porque ou somos nós mesmos, ou não somos coisa nenhuma.”

 

Pablo Maia tem 15 anos, está no 1º ano de informática no IFBA – Irecê, e mora em João Dourado Ba.

 

“A minha motivação para escrever esse texto é em torno da hipocrisia que reina na sociedade em julgar e apontar o que acredita ser certo somente pelo fato de alguém ser ou ter gostos diferentes dos seus.”

 

JOVEM ESCRITOR C&R

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Da Redação.