Bahia

Os trios elétricos de luto: morre Moraes Moreira, primeiro cantor de trio elétrico do Brasil

Cultura&Realidade - 13 de Abril de 2020 (atualizado 13/Abr/2020 15h14)

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Moraes Moreira morre no Rio de Janeiro, aos 72 anos. Causa ainda não foi divulgada - Foto: Ilustração

Da Redação

Em isolamento social desde março, para evitar a pandemia, Moraes chegou a fazer um cordel de esconjuro ao coronavírus: "Eu temo o coronavírus / E zelo por minha vida / Mas tenho medo de tiros / Também de bala perdida, / A nossa fé é a vacina / O professor que me ensina / É a minha própria lida", inicia.

O cantor e compositor morreu na manhã desta segunda-feira (13), no Rio de Janeiro, aos 72 anos. A informação foi confirmada pela assessoria do artista. De acordo com familiares, não se sabe o que teria causado a morte. 

"Ele estava bem, ninguém sabe as causas", informou um familiar do cantor.

Um dos mais importantes artistas da música brasileira, o autor de "Sintonia" e "Pombo Correio" morreu dormindo em sua casa na Gávea. Moraes Moreira nasceu em Ituaçu, em 8 de julho de 1947, e deixa uma história de muitos sucessos e atuação fundamental também no Carnaval de Salvador, onde é considerado o primeiro cantor de trio-elétrico.

Sempre ativo, Moraes estreou recentemente o show "Elogio à Inveja", onde interpretava canções que gostaria de ter feito, a exemplo de "Quem Há de Dizer", de Lupicínio Rodrigues. 

Carreira

Baiano de Ituaçu, Moraes Moreira tem diversas canções de sucesso no MPB. Junto de Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor, Baby Consuelo e Luiz Galvão, formou o conjunto de sucesso Novos Baianos, onde ficou de 1969 a  1975 e lançou o disco Acabou Chorare, detentor de diversos prêmios.

Moraes Moreira é conhecido como o primeiro cantor de trio elétrico do país, cantando no trio de Dodô e Osmar. Nesta época, lançou sucessos como Pombo Correio, Vassourinha Elétrica e Bloco do Prazer. 

Conheça o cordel inteiro sobre o coronavírus. Provavelmente a última composição de Moraes...
Quarentena - Moraes Moreira

Eu temo o coronavirus
E zelo por minha vida
Mas tenho medo de tiros
Também de bala perdida,
A nossa fé é vacina
O professor que me ensina
Será minha própria lida

Assombra-me a pandemia
Que agora domina o mundo
Mas tenho uma garantia
Não sou nenhum vagabundo,
Porque todo cidadão
Merece mais atenção
O sentimento é profundo

Eu não queria essa praga
Que não é mais do Egito
Não quero que ela traga
O mal que sempre eu evito,
Os males não são eternos
Pois os recursos modernos
Estão aí, acredito

De quem será esse lucro
Ou mesmo a teoria?
Detesto falar de estrupo
Eu gosto é de poesia,
Mas creio na consciência
E digo não a todo dia

Eu tenho medo do excesso
Que seja em qualquer sentido
Mas também do retrocesso
Que por aí escondido,
As vezes é o que notamos
Passar o que já passamos
Jamais será esquecido

Até aceito a polícia
Mas quando muda de letra
E se transforma em milícia
Odeio essa mutreta,
Pra combater o que alarma
Só tenho mesmo uma arma
Que é a minha caneta

Com tanta coisa inda cismo….
Estão na ordem do dia
Eu digo não ao machismo
Também a misoginia,
Tem outros que eu não aceito
É o tal do preconceito
E as sombras da hipocrisia

As coisas já foram postas
Mas prevalecem os relés
Queremos sim ter respostas
Sobre as nossas Marielles,
Em meio a um mundo efêmero
Não é só questão de gênero
Nem de homens ou mulheres

O que vale é o ser humano
E sua dignidade
Vivemos num mundo insano
Queremos mais liberdade,
Pra que tudo isso mude
Certeza, ninguém se ilude
Não tem tempo, nem idade