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Opinião C&R

Opinião C&R: Irecê coleciona êxitos e pode se orgulhar do São João 2017

01 de Julho de 2017 (atualizado 05/Jul/2017 19h54)

Marília Mendonça reúne grande público no último dia do São João 2017 em Irecê

Foto: São João 2017 em Irecê reuniu milhares de visitantes em 5 dias de festa (Divulgação)

Por Rodrigo de Castro Dias*

O São João 2017 em Irecê foi um sucesso.

Trouxe visitantes, movimentou o comércio local e deu um alento ao setor de serviços. Os hotéis ficaram lotados, alguns moradores alugaram seus imóveis para visitantes, bares e restaurantes tiveram bom movimento. 

O balanço da prefeitura municipal fala em 500 mil pessoas circulando nos locais de festa durante os 5 dias de evento, ou uma média de 100 mil por dia. O dado não inclui o movimento no São Pedro da Boa Vista.

Como sempre quando se trata de estimativas dos organizadores - seja lá qual for a natureza do evento - soa exagerado. Mas releva-se, pois uma estatística dessas não é simples de obter. 

Em eventos públicos não existe catraca, e os métodos para contagem de multidões (como o Jacobs, por exemplo) apresentam apenas estimativas com precisão variável, a depender dos critérios e ferramentas existentes.

Exageros à parte, o que importa mesmo é que os palcos da festa estiveram sempre com muito público.

Outros dados apresentados pela prefeitura, estes sim relevantes, dizem respeito aos valores envolvidos. 

R$ 5 milhões é a estimativa de receita gerada apenas entre os comerciantes dos circuitos do São João. 2 mil postos de trabalho foram criados por ocasião dos festejos juninos.

Comparada ao custo da festa, cerca de R$ 3,5 milhões, a realização do São João fica plenamente justificada. Até porque a prefeitura alega ter desembolsado R$ 2,5 milhões, com o restante custeado pelas parcerias e patrocínios.

Em suma: Irecê pode e deve comemorar. Apesar da crise e da negatividade de alguns, a cidade marcou presença no calendário festivo de São João a nível estadual e nacional, o evento cultural que mais movimenta o turismo interno brasileiro.

De quebra, o São João de Irecê exibiu ótima organização e poucos contratempos. Episódios de violência ocorreram em número bastante inferior a 2016. Menos furtos, roubo de carros, apreensões de drogas, lesões corporais. Aplausos para o planejamento de segurança.

No aspecto musical, a grade bem equilibrada entre artistas locais e de grande apelo popular deu liga. Sem contar a variedade de ritmos. Foram poucos os que não tiveram sua preferência musical atendida pela curadoria do evento em algum momento. 

Claro que houve quem se decepcionasse: os que esperavam que a organização da festa aderisse a campanha 'Devolva Meu São João' ficaram a ver navios. O forró esteve longe de ser o protagonista na grade de atrações.

Zé Bigode tocando no palco do Mercadão no São João de Irecê 2017

Foto: Zé Bigode foi um ícone deste São João em Irecê (Divulgação)

Aqui cabe um adendo.

O movimento é legítimo. Centenas de músicos do forró sanfona-zabumba-triângulo, o formato musical que é pai dos festejos juninos, reclamam com razão da forma como eles vem sendo progressivamente excluídos dos eventos de São João, sejam eles públicos ou privados.

Eles estão certo em reclamar. A maioria depende dos shows no período junino para se manter. Sem tocar, como vão sobreviver? Paralelo a isso, existe também a questão da proteção aos valores culturais. São João sem forró é qualquer coisa, menos São João.

No meio dessa discussão, Irecê tentou equilibrar os dois mundos. E talvez tenha sido o maior acerto da organização.

Trouxe artistas que estão no auge da popularidade, como Marília Mendonça, e novos candidatos ao estrelato, como Mano Walter e Matheus e Kauan. Se o objetivo é trazer turistas e gerar renda, não tinha como seguir outro caminho que não o de trazer o sertanejo universitário para o palco.

Por outro lado, garantiu bom espaço aos artistas locais e prestou reverência a um dos músicos mais importantes da história de Irecê, o Zé Bigode. Além disso, trouxe artistas importantes da tradição forrozeira, como Dorgival Dantas, Fulô de Mandacaru, Targino Gondim e Alcymar Monteiro.

Zé Bigode foi - literalmente - o nome da festa. Tocou e foi homenageado no palco, foi protagonista de campanhas de divulgação do evento, recebeu visitantes na rodoviária com o som de sua sanfona, esteve onipresente nos festejos pela cidade ao longo do mês. Virou, merecidamente, uma celebridade local.

A valorização dos artistas da terra e o fortalecimento do São João no calendário festivo do nordeste são os principais legados que ficam em 2017.

Fica a torcida para que em 2018 o sucesso desta edição seja ampliado. E por favor, mantenham e ampliem a Vila Caraíbas. Na opinião do escriba aqui, foi o espaço mais agradável de todo o evento. 

*Rodrigo de Castro Dias é jornalista e editor do Cultura&Realidade