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Opinião C&R

Opinião C&R: sobre a transição de governo e grandeza democrática

20 de Outubro de 2016 (atualizado 27/Mar/2017 23h16)

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Por Rodrigo de Castro Dias*
 
Os primeiros dias após a eleição que definiu os novos rumos que Irecê irá trilhar nos próximos 4 anos foram bastante movimentados, mas agora estamos em uma calmaria. Passada a euforia e a decepção entre os lados antagônicos - para alguns ainda não passou - esperamos pelos preparativos da transição de governo. Elmo Vaz, o candidato eleito, demonstrou proatividade. Tratou de fazer a proverbial viagem para Salvador e Brasília, sedes do governo estadual e federal, para conversar com deputados estaduais e federais, senadores e secretários de governo. Segundo ele, no intuito de angariar recursos públicos de emendas parlamentares e articular a costura de laços com órgãos da administração pública em favor da sua gestão à frente de Irecê. Apesar da pitada de marketing político envolvida na viagem e o seu retorno, sua postura é bem-vinda, pois demonstra compromisso com a sua gestão, que está prestes a começar. Elmo aproveitou o retorno para informar que está organizando a equipe que vai conduzir a transição, assim como a montagem da sua equipe de secretários. De quebra, anunciou que está providenciando um imóvel para fixar residência permanente na cidade. Ele sabe que a sua presença constante em Irecê será uma das principais cobranças dos cidadãos, carentes que são de um representante disponível e acessível. Por sua vez, o atual prefeito Luizinho Sobral parece ter acionado uma espécie de piloto automático. Após a eleição, se ausentou por alguns dias da cidade. Para quem possui residência fixa a 500 km de distância, algo corriqueiro e esperado. No retorno, exceto por uma inauguração da reforma de uma praça, silêncio. Rompido somente para uma entrevista a uma emissora de rádio, onde sobrou condescendência entre entrevistadores e entrevistado. Via redes sociais, parabenizou o adversário pela vitória, e afirmou que ele encontrará uma cidade bem administrada, com recursos financeiros em caixa e indicadores sociais de excelência. Sobre transição de governo, contudo, nada disse. Limitou-se a desejar "boa sorte" a equipe de trabalho que assumirá a gestão municipal. Em tempo: qual a justificativa para substituir dois secretários de governo a essa altura do campeonato? Os méritos da administração de Sobral são questionáveis, embora este não seja o objeto desse texto. O que desperta curiosidade (e temor) é o seu silêncio sobre a transição de governo. Irá ele agir de forma antidemocrática e mesquinha, atrapalhando o trabalho de transição, ou irá colaborar com a equipe que irá assumir a gestão?
 
Luizinho Sobral poderia se espelhar no ótimo exemplo dado por Fernando Haddad em São Paulo, que se pôs a disposição logo após sua derrota nas urnas para ajudar o candidato eleito, João Dória, no processo de transição. Uma atitude que rendeu um raro elogio do tucano: "Haddad é maior e melhor do que o partido a que pertence", afirmou ele. Espezinhamentos partidários a parte, Luizinho tem a possibilidade de deixar uma boa marca em sua passagem pela prefeitura de Irecê, no apagar das luzes de sua gestão. Basta querer. Enquanto esperamos para ver qual será a postura do atual prefeito, nos deparamos com um indício negativo vindo de uma vereadora integrante de sua base partidária, por sinal reeleita para mais um mandato. "Vitória de um grupo político não quer dizer que vai ter GOVERNO!!!", publicou em sua página pessoal no facebook Margarida Cardoso, no dia 7 de outubro. O que ela quis dizer com "não quer dizer que vai ter governo"? Margarida é conhecida por ser uma das mais ferrenhas defensoras da gestão sobralista. A postagem foi apagada algum tempo depois, mas o registro em print screen fica para a posteridade. A propósito: ainda há tempo para que a senhora explique a população qual o verdadeiro significado daquelas palavras, cara Margarida. Assim como ainda há tempo para que o prefeito Luizinho Sobral demonstre grandeza e espírito democrático neste momento de transição.
 
*Rodrigo de Castro Dias é jornalista e editor do site Cultura&Realidade