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Opinião C&R

Opinião C&R: Marcelo Crivella e Luizinho Sobral, unidos pelo marketing

02 de Janeiro de 2017 (atualizado 27/Mar/2017 16h01)

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Foto: Fazenda Nova Canaã, que fez menos do que é propagandeado. Assim como a gestão de Luizinho Sobral (Francisco Rocha Júnior)

Por Rodrigo de Castro Dias 

A Folha de SP publicou neste domingo, 1º de Janeiro, uma matéria sobre a Fazenda Nova Canaã, um projeto social implantado em Irecê pela Igreja Universal do Reino de Deus, em 1998. O foco da matéria é o exagero com que o bispo Marcelo Crivella, senador recém-empossado como prefeito da capital fluminense, enfatizava durante sua campanha os feitos da Nova Canaã em melhorar as condições de vida de Irecê, cidade de referência no Centro-Norte baiano.

Para Crivella, a fazenda mudou a vida de Irecê. Como nós que vivemos aqui sabemos, isso não passa de uma falácia, a qual a Folha acaba de desmascarar - não com certo atraso - para o Brasil. Não que a Nova Canaã, que atende hoje cerca de 600 crianças em seu projeto educacional, não mereça crédito pelo papel que desempenha.

A questão é que Crivella fez uso eleitoral de um feito que passou muito longe de ser condizente com a realidade. Detalhe: o projeto da Igreja Universal era originalmente focado em produção de alimentos através de irrigação, com pretensão de impactar economicamente a cidade. Pouco tempo depois, mudou seu foco para um projeto educacional.

Mas a propaganda da Universal - e Crivella - ignoram este detalhe na hora de alardear os milagres realizados pela fazenda em Irecê. "O consenso na cidade é que a Nova Canaã não contribuiu para o desenvolvimento econômico local e que Crivella tampouco encontrou uma cidade arrasada pela fome", concluiu acertadamente a reportagem.

Irônico que a Folha venha publicar uma reportagem sobre esse tema justamente no dia em que outro usuário costumaz da propaganda enganosa acaba de fechar um ciclo de quatro anos como gestor municipal. O agora ex-prefeito "Luizinho Sobral teve no marketing o ponto alto de sua administração. As palmeiras imperiais, as tintas e o photoshop mostravam uma cidade que parecia, mas não era".

Como as aspas demonstram, essas são palavras já escritas anteriormente. Foram redigidas em outubro por este que vos escreve, na ocasião do resultado que as urnas ireceenses disseram sobre o que queriam e o que não queriam para o futuro da administração municipal. No apagar das luzes, Luizinho provou (mais uma vez) o acerto daquelas palavras.

O informativo "de prestação de contas" da Prefeitura no mês de dezembro faz de tudo, menos prestar contas a população sobre os feitos do mandato que se encerra. Folheando as páginas da publicação, encontramos fotos - muitas fotos - manipuladas em photoshop para parecerem mais bonitas e vibrantes do que no mundo real. Não bastasse isso, os textos falam de feitos que ora não se aproximam do que foi feito realmente, ora não foram fruto da gestão sobralista. Falo aqui das 1196 casas populares, oriundas do projeto federal Minha Casa Minha Vida, boa parte delas contratadas para Irecê ainda na gestão do ex-prefeito Zé das Virgens, que também não tem direito de se vangloriar.

No afã de somar feitos para exibir aos eleitores, muitos políticos carregam nas tintas do que realizaram. É até compreensível, embora não seja aceitável. O que Luizinho faz, no entanto, é desdenhar da inteligência alheia. Afirmar em seu informativo - de prestação de contas, reparem - que a nova rodoviária municipal (uma promessa de campanha, é bom lembrar) AINDA será construída não é outra coisa senão chamar o cidadão de burro.

Como assim será construída? Na gestão do novo prefeito? E ainda assim quer assumir os créditos pela obra? É uma postura arrogante além da conta.

A publicação não para por aí, fala de outras ações que ainda serão feitas. Mas o que gostaríamos de saber na verdade é porque essas ações não foram feitas durante o mandato.

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Com tanto marketing, as boas ações da gestão de Sobral, como o Prefeitura Atende, o fortalecimento da festa de São João e a requalificação de praças e espaços públicos acabaram ficando com pouco destaque frente aos ufanismos. A reabertura do Hospital Municipal, feita com pompas em meio aos festejos juninos, foi o símbolo de sua gestão: poderia ter sido excelente para a cidade, mas não foi. Foi reaberto, mas não para a população. Fala-se em centenas de cirurgias realizadas. Igual quantidade de pessoas reclamam, afirmando que os procedimentos foram marcados, mas ainda não realizados.

Parecia, mas não era.

Como Crivella com a fazenda Canaã, Luizinho Sobral inflou muito os feitos de sua gestão. Para Crivella, a Nova Canaã foi a salvação de Irecê. Para Luizinho Sobral, sua gestão também foi a salvação de Irecê. Fosse mais honesto com as limitações de sua gestão, sua avaliação poderia ser menos severa. Leia aqui a reportagem da Folha sobre Crivella e os exageros no papel da Fazenda Nova Canaã.