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Opinião C&R: Irecê, manifesto à razão: quem está mentindo, Elmo ou Luizinho?

18 de Janeiro de 2017 (atualizado 03/Jul/2017 17h26)

Opinião C&R: Irecê, manifesto à razão: quem está mentindo, Elmo ou Luizinho?

Por João Gonçalves

Do latim, ratĭo,ōnis... razão tem diferentes usos de aplicação, causa, origem. No campo da filosofia, se apresenta em diversos sentidos, por uma mesma... razão.

“Faculdade intelectual e linguística que distingue o ser humano dos outros animais.” “Faculdade humana da linguagem e do pensamento, voltada para a apreensão cognitiva da realidade, em contraste com a função desempenhada pelos sentidos na captação de percepções imediatas e não refletidas do mundo externo.” “O pensamento moral, em sua função de orientar a conduta humana, prevendo as consequências e avaliando o significado das ações.” “No cartesianismo, faculdade caracterizada por seu poder de discernimento entre o verdadeiro e o falso, ou o bem e o mal.”.

Nas ciências da matemática, há também uma infinidade de apontamentos. Mas não é o caso para o momento. Não. Não me desafiem a aprofundar os conceitos e trazer os principais pensadores sobre a razão. Sou apenas, sem razão, um mero “alfaiate” a reunir recortes dos dicionários, wikipédia e similares.

Porém ouso provocar. Estamos vivendo um momento bastante significativo em Irecê, sobretudo, centrado na subjetividade. Estamos fortemente tocados pelo subjetivo. Sentimento. Sentimos emoções fortes, logo nos emocionamos, nos comovemos, nos impressionamos. Nossa sensibilidade amplia ou reduz nossas capacidades de perceber e apreciar na justa razão.

Por conta disso, nos apaixonamos. E, por esta razão, nos tornamos passionais. Os principais meios de comunicação e as plataformas sociais retroalimentam-se, tornando-se palcos da guerra de informações, promovendo sentimentos, julgamentos e sentenças, envolvendo as duas principais lideranças políticas do momento: Elmo Vaz e Luizinho Sobral e seus seguidores.

Tempos atrás, chefes políticos e seus correligionários. Mais antigamente, ainda, os coronéis e seus capangas. Se antes eram usadas armas de fogo, baionetas e punhais, hoje, as balas estão travestidas de palavras expressas pela internet e emissoras de rádio, com efeitos devastadores. Mas, em sua maioria, insignificantes do ponto de vista de agregar significado a um debate qualificado e construtivo.

A questão é: qual a qualidade e consistência das palavras proferidas ou escritas? Qual o poder de fé dedicado aos seus autores? Luizinho Sobral passou dois anos da sua gestão culpabilizando Zé das Virgens pela sua inércia no início da gestão. “Estamos arrumando a casa”, dizia ele em suas aparições, e agora aconselha ao atual a não se comportar de tal modo.

Por sua vez, Elmo vocifera sobre o seu antecessor: “Estamos enfrentando diversas armadilhas deixadas pelo ex-gestor, transferências de recursos duvidosas, conciliação de precatórios de forma a prejudicar o bom andamento da nossa gestão...uma dívida que poderá chegar a R$ 70 milhões”. Tais manifestos tem sido acolhidos pela população em formato ‘gincaniano’... parece uma gincana sem fim. Em sua maioria, os seguidores de cada lado reproduzem cegamente, com ou sem razão, o que é dito pelo seu chefe. Não há uma preocupação com a materialidade dos fatos.

Precisamos urgentemente do tempero da razão. Que as pessoas deixem de ser meros reprodutores dos seus chefes e passem a avaliar os acontecimento à luz da verdade, do bom senso, dando um significado que engrandeça a nossa cidade.

Sei, o que peço é inviável do ponto de vista prático, considerando que as pessoas envolvidas na reprodução dos sentimentos, julgamentos e sentenças, o fazem de modo passional, pois encontram-se algemadas às subjetividades de suas paixões. Elas não darão trégua ao bom senso. Manterão em suas artilharias a potencialização da política rasa, descompromissada com um projeto de desenvolvimento sustentado, a partir de um planejamento articulado, plural, horizontal.

Como já dito, Luizinho passou dois anos falando mal de Zé. Agora é ele a ter seus atos expostos por Elmo, vindo a público na tentativa do desmentido. Afinal, quem está mentindo? Defendo a tese de que a sociedade, através das suas instituições de serviços sociais e de controle externo, averigue, constate os fatos.

É inadmissível que em pleno século 21, com toda uma legislação e meios tecnológicos de informação que favorecem à transparência e a promoção do controle social, tenhamos que nos deparar com situações em que líderes se digladiam midiaticamente e seus seguidores, em sua maioria, os reproduzem sem análise crítica dos fatos.

Defendo que todos os atos dos gestores sejam expostos à vista pública. É legal, obrigatório e fundamental para o uso da razão. E que os segmentos sociais possam fazer bom uso dos mesmos, analisando os fatos e apontando quem, realmente, faz uso da ética, da decência e da verdade no trato da gestão pública ireceense. Que, a partir da razão, possamos ter um planejamento e realizações que de fato interessem à sociedade. Expor a realidade, planejar e agir para melhorar é um dever dos gestores e um direito dos cidadãos.