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Cultura, Esporte e Lazer

Opinião C&R: Irecê acerta ao privilegiar a pluralidade na grade do São João 2017

Rodrigo de Castro Dias - 08 de Maio de 2017 (atualizado 20/Jun/2017 17h57)

Foto: cartaz oficial de divulgação do São João 2017 em Irecê (Divulgação/Prefeitura de Irecê)

Foto: cartaz oficial de divulgação do São João 2017 em Irecê (Divulgação/Prefeitura de Irecê)

Por Rodrigo de Castro Dias*

Cercada de bastante expectativa popular, a festa de São João em Irecê estava envolta em mistério. 

As dúvidas começavam já na sua realização: com a crise, houve quem questionasse se haveria de fato a festa organizado pela prefeitura.

A dúvida era legítima. Com a crise político-econômica que vem assolando o país nos últimos anos, eventos culturais foram sendo limados do calendário, um a um.

Só este ano - falando somente das regiões de Irecê e Chapada Diamantina - os carnavais de Barra do Mendes, Lapão e Palmeiras foram cancelados. Algumas cidades já anunciaram que, ao menos em 2017, nada de festejos juninos.

Já era esperado. Os recursos públicos destinados ao fomento da Cultura, Esporte, Turismo e Lazer minguaram com a queda nas receitas. A esfera privada cortou a maior parte dos patrocínios, e as empresas e estatais públicas seguiram o mesmo caminho. 

A crise afeta a todos, e a reação mais natural é cortar onde se julga menos importante. 

Para algumas cidades, no entanto, certos eventos culturais possuem espaço muito significativo na vida e na economia local.

É o caso de Irecê. Nos últimos anos, o São João local se tornou mais e mais relevante, graças a investimentos do poder público municipal. Passou a atrair mais visitantes, gerando maiores dividendos para a economia. 

Em nome disso, a prefeitura atendeu o clamor popular e lançou oficialmente o evento deste ano no último dia 4.

A grade de atrações era objeto de grande curiosidade e especulação.

Quando o tecido preto desfraldou o cartaz de divulgação oficial da festa, o cuidado da curadoria na seleção dos artistas chamou atenção.

De vedetes midiáticas como Marília Mendonça a (vários) artistas locais, passando pela mistura de ritmos - há muito tempo que o forró pé-de-serra deixou de ser o preferido da maioria nas festas juninas - o São João de Irecê em 2017 atenderá a todos os gostos e públicos. 

Quer dançar o dois-pra-lá-dois-pra-cá? Vá de Alcymar Monteiro. Xote? Dorgival Dantas lhe atenderá. Sofrência sertaneja? Vá cantar junto com Marília Mendonça. Ficou com saudade do show do Wesley Safadão? Mano Walter faz a mesma mistura de forró eletrônico e música sertaneja - o que alguns chamam de forró de vaquejada.

E tem espaço para antigos astros da música popular romântica, como Odair José e Fernando Mendes. Isso sem contar nas sanfonas e nos sons dos artistas locais.  

Pluralidade é a palavra de ordem.

Claro que não dá para agradar todo mundo. O forrozeiro purista reclamará da "desvirtuação" da tradição musical estabelecida por Luiz Gonzaga; o fã de sertanejo universitário gostaria de ver mais nomes do gênero; o bairrista ferrenho preferiria que os artistas locais fossem mais privilegiados. Algumas pessoas com menos interesse em festas juninas gostariam que se gastasse menos dinheiro público com eventos dessa natureza.

O último ponto é, de fato, para se pensar. É fundamental que a festa se pague e seja benéfica economicamente.

O prefeito Elmo Vaz garantiu que parcerias com o poder privado ajudarão no custeio da festa. Valores a parte, o mais importante é que a gestão municipal seja transparente com o custo-benefício para a cidade. 

Sabemos que o São João de Irecê dinamiza a economia. Mas quanto? Faltam números. Que tal um estudo de impacto econômico?

Em tempos de crise e arrocho econômico, faz-se ainda mais necessária a prestação de contas. Até porque o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) já anunciou que fará jogo duro no controle dos gastos municipais em festas juninas.

Esse assunto, contudo, fica para depois.

Por hora, deve-se parabenizar a diversidade da grade de atrações, que tenta atender a todas as idades e públicos. Digna de nota também é a reverência a um grande artista ireceense, o sanfoneiro Zé Bigode, que ganhou palco com seu nome - o Circuito do Mercadão Zé Bigode - e posição de destaque na promoção da festa.

Além de, é claro, participar como atração musical. 

Pois bem. Quer se divertir neste São João? Venha para Irecê!

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*Rodrigo de Castro Dias é jornalista e editor do Cultura&Realidade