CORONAVÍRUS

No meio à tragédia que se abate a Manaus, fake news, montadas com caixões vazios, buscam esconder a realidade

Cultura&Realidade - 04 de Maio de 2020 (atualizado 04/Mai/2020 10h32)

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Apesar da circulação de informações falsas, o estado de alerta sobre Manaus é legítimo - Foto: Ilustração

Circularam nas redes algumas publicações com imagens apontando que estariam sendo enterrados caixões vazios em Manaus/AM, supostamente para alarmar a população, fazendo todos acreditarem que o número de mortes por Covid-19 é maior que o real. Trata-se de mais uma fake news criada diante do atual cenário de pandemia no Brasil.

São Carlos: Polícia acusa família de enterrar caixão vazio para ...


Diversas fotos estão sendo publicadas para corroborar com a falsa notícia. Uma delas expõe um caixão vazio, com apenas um saco plástico em seu interior. Outra retrata um grupo de homens com trajes de proteção e dois deles carregam um caixão, o que levou pessoas a afirmarem que o objeto estaria vazio, diante da aparente facilidade com que o seguravam.
 

Contudo, as informações foram desmentidas e comprovou-se que a primeira imagem retrata um momento que sequer aconteceu em Manaus. Trata-se de um golpe desvendado em 2017, pela Polícia Civil de São Carlos (SP). No caso, uma família foi acusada de enterrar um caixão vazio para ficar com o seguro da suposta vítima. Já a segunda foto retrata um sepultamento real, que foi acompanhado pela equipe do portal Amazônia Real, cuja vítima foi Esther Silva (67 anos).
 

Por meio de nota, a Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc) de Manaus aponta que “todo sepultamento tem a respectiva Certidão de Óbito ou, atualmente com a pandemia da Covid-19, a Declaração de Óbito (D.O), expedida pela unidade hospitalar credenciada, tanto para óbitos em casa (esse incluindo o Boletim de Ocorrência-B.O) quanto para as mortes nas unidades de saúde”.
 

O órgão também citou outra fake news que circulou, sobre uma suposta denúncia de superfaturamento na aquisição de urnas funerárias do serviço do SOS Funeral, que é destinado a pessoas em situação de vulnerabilidade social e econômica que não podem arcar com os custos do sepultamento. Em nota de esclarecimento, a Semasc aponta que a denúncia “é inconsistente e traz áudios que teriam sido supostamente gravados em 2018, citando um suposto ex-servidor e não a atual titular da pasta, Conceição Sampaio, que assumiu em fevereiro de 2019 e está mobilizando todas suas ações para o combate à Covid-19”.
 

Números reais
Apesar da circulação de informações falsas, o estado de alerta sobre Manaus é legítimo. A capital está entre as cidades brasileiras mais afetadas pela pandemia e enfrenta uma crise, tanto no sistema de saúde, quanto no atendimento funerário.

 

Segundo informe da Prefeitura, apenas na última sexta-feira (1º), foram registrados 126 óbitos nos cemitérios públicos, que são administrados pela Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp). Entre as causas de morte, 12 pessoas tiveram no atestado a confirmação para Covid-19. Outras 26 foram registradas como causa desconhecida ou indeterminada e mais 46 tiveram como causa de morte síndrome, insuficiência ou parada cardiorrespiratória.
 

As medidas para sepultamento dos corpos tem causado confusão e revolta. O sistema de camadas foi implementado pela gestão pública em determinado momento, mas ver os entes queridos sendo enterrados em pilhas com desconhecidos desagradou a população. Logo, a decisão mudou e a Prefeitura manteve o modelo de trincheiras, como ocorrido anteriormente. Passou a disponibilizar também a opção de cremação paras as famílias que assim o desejassem. 
 

Tal situação caótica levou inclusive famílias a abrirem os caixões, para confirmarem se de fato são seus parentes que estão sendo enterrados.
 

Com conteúdo de O Imparcial