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Geral

Mandato coletivo em Uibaí é desejo dos moradores da Rua da Fontinha

21 de Setembro de 2016

alex_2.jpg [caption id="attachment_5753" align="aligncenter" width="572"]Alex Alecrim, servidor público, morador da Rua da Fontinha. | Foto: Rodrigo de Castro Alex Alecrim, servidor público, morador da Rua da Fontinha. | Foto: Rodrigo de Castro[/caption] Já ouviu falar em Mandato Coletivo? Jovem servidor público de Uibaí é representante de projeto político de um grupo de pessoas que pensam em gerir coletivamente um mandato de vereador, visando a participação popular direta nas decisões políticas Por Rodrigo de Castro A ideia de um mandato eletivo baseado na coletividade das decisões é um resgate do sentido original da figura do vereador como um representante dos interesses da população. A diferença aqui é que a representação se dá de forma direta (ou semidireta), já que o candidato eleito submete o seu mandato a deliberação de um conselho popular, composto pelas pessoas da cidade, que tomam as decisões de forma colegiada. Este conselho efetivamente define a condução do mandato, seja decidindo sobre a postura do representante com relação à fiscalização da administração, a votação de algum projeto ou apresentando projetos de lei de interesse popular para votação na Câmara Municipal, por exemplo. Também pode ajudar nos estudos necessários para a elaboração de novas leis e na redação final das mesmas. Em Uibaí, cidade da microrregião de Irecê, um jovem vem propondo essa alternativa democrática para o eleitorado local. Trata-se do gari Alex Oliveira Alecrim, funcionário público e morador da rua Alto da Fontinha, situada em uma das áreas altas de encostas da zona urbana de Uibaí. Alex nasceu e cresceu no Barreirão, comunidade pobre onde se encontrava o antigo lixão da cidade, hoje desativado. Assim como a maioria das pessoas que viviam ali, ele lutou para sobreviver à pobreza aguda que era comum a todas as famílias do local. Tendo concluído o ensino médio, Alex Alecrim prestou concurso para a prefeitura municipal e foi aprovado para exercer a função de agente de limpeza urbana. Tendo militado em movimentos sociais de cultura, como o grupo Teatro SEU, teatro de rua e atuado no sindicato dos servidores públicos e conselhos municipais, além de promover ações de rádio livre, Alex entrou para o meio político-partidário se filiando ao Partido Verde (PV), sendo eleito por seus vizinhos e conhecidos da periferia como representante legal do grupo de pessoas que fará a gestão do mandato coletivo de vereador, caso ele seja eleito. "A candidatura de Alex Alecrim é uma novidade agradável no meio dessa política viciada que se vem praticando há décadas na região. É uma grata novidade porque retoma o sentido clássico do exercício da política, aquele que traduz a política como práxis, como ação comunitária em prol do bem comum. Como governo dos bens públicos voltado para toda a comunidade, feito de ações cidadãs, calcadas em interesses puramente coletivos", afirma o professor Alan Oliveira Machado, que participa do projeto e contribui nas discussões políticas dentro da comunidade. [caption id="attachment_5754" align="alignleft" width="363"]A candidatura aposta em vídeos curtos e incisivos como estratégia de divulgação. | Foto: Rodrigo de Castro A candidatura aposta em vídeos curtos e incisivos como estratégia de divulgação. | Foto: Rodrigo de Castro[/caption] As bandeiras do projeto coletivo que surgiu entre os cidadãos da Fontinha - muitos oriundos do antigo Barreirão - são calcadas em iniciativas de cunho educacional e cultural, como a implantação de uma biblioteca pública, algo ainda inexistente na cidade. Alex pretende levar a Câmara Municipal propostas para realizar ações de teatro e música em escolas e espaços públicos de Uibaí, como praças, utilizando verba legislativa para tal. A última proposta da candidatura é a mais diferenciada: transmitir as sessões da Câmara, ao vivo no rádio, para toda a cidade. "Acho que as sessões da plenária dos vereadores devem ser radiofonizadas para todas as pessoas. O que acontece hoje é que o que é discutido na Câmara não chega ao conhecimento da população, que não tem tempo ou disposição para ir assistir as sessões. Transmitir por rádio é somente uma medida de democratização do debate legislativo", aponta Alex. A campanha vem sendo realizada sem nenhum centavo, como consta na declaração de gastos de Alex no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O parco material utilizado até o momento, como a plaguinha, é fruto de doações espontâneas de amigos e conhecidos. As caminhadas a pé para conversar com os eleitores e as caronas para deslocamentos maiores são os únicos meios de transporte. Para Rui Oliveira, que vive na Rua da Fontinha e contribui com várias ações culturais com a juventude local, tudo se trata de uma ação coletiva. "Ele é o nosso representante nas urnas, mas a candidatura é de todo mundo, por isso todos ajudamos como podemos. É trabalho de formiguinha mesmo", explica. Já que não conta com recursos financeiros, a candidatura tem apostado na divulgação de vídeos curtos, feitos no smartphone, falando sobre os problemas da cidade e as propostas do mandato, apostando na distribuição em redes sociais, especialmente o WhatsApp, para mobilizar possíveis eleitores. Temas invisíveis a maior parte da opinião pública, como a rua que foi divulgada como pavimentada embora mais da metade dela esteja sem calçamento, são explorados. Se a proposta de mandato coletivo conquistará votos suficientes para ser experimentado na Câmara de Vereadores de Uibaí, é difícil dizer. Mas a rara iniciativa, indo na contramão da disputa política tradicional, pode gerar frutos na conscientização política das pessoas, especialmente entre a juventude. Por outro lado, a candidatura enfrenta resistência daqueles que duvidam do caráter altruísta e coletivo do projeto. Alex aposta na sua trajetória de vida e apoio da sua comunidade para convencer o eleitorado da seriedade da candidatura coletiva da Rua da Fontinha. "Queremos fazer algo diferente, praticar uma política que realmente escute as necessidades das pessoas. É o que nos move", define Alex.