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Irecê e Região

Mais uma vez, mortes em tragédia ambiental anunciada nas serras de Uibaí. Cadê a Prefeitura e a Sema estadual?

João Gonçalves - 17 de Outubro de 2018

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Fogo mata árvores nativas e animais nas serras de Uibaí. Mortes anunciadas - Foto: Brigadistas voluntários

Prefeitura de Uibaí e o Governo do Estado precisam urgentemente definir condições de gestão sobre as queimadas em Uibaí.

Já se sabe que todo ano isso ocorre.

 

Por volta das 12:30h de quinta-feira, dia 11, populares da cidade de Uibaí verificaram sinais de fumaça. Pareciam comunicação indígena, como os antepassados do lugar, comunicando mais uma tragédia.

Mato seco, sol escaldante, ventos fortes. Os primeiros focos de fogo logo se espalharam e urgentemente voluntários, sem transporte e sem equipamentos adequados, correram na direção das chamas. O ponto de apoio foi no “Cajueiro do Morro Branco”, para onde apoiadores levavam água, alimentos e outros suprimentos.

“Morte, muita morte de plantas e animais. Camaçaris cobertos de flores brancas, imburanas, jatobás, aroeiras... viraram cinzas. Animais como preás e mocós correndo incendiados, filhotes com as patas queimadas...”, registou em tom de angústia, Edimário Machado, um dos articuladores ambientalistas voluntários de Uibaí, que fez parte da equipe de combate ao fogo.

E continua ele, “... a temperatura no local do fogo com a sensação de centenas de graus. Quase humanamente impossível o combate. A Natureza vai precisar de muitas dezenas de anos para recuperar tudo”, disse.

Edimário avalia que “o pior é que todos os anos ocorrem dois, três, quatro incêndios como este em Uibaí, impunemente. O fogo não é aparente nesta manhã, ele continua queimando tocos e cupins. Um grupo de brigadistas, muito cansado, está fazendo o rescaldo. O fogo deve reaparecer a partir do meio dia (novamente).”

Na tarde de terça-feira, 16, chegou da Chapada Diamantina, equipe de bombeiros militares, que subiu a serra pela manhã desta quarta-feira, 17, retornou à tarde, constatando a inexistência de novos focos.

A sensação de alívio, entretanto, não permite desatenção. “Precisamos de voluntários com roupa adequada, botas, facão e disposição para conduzir mochilas costais com água”, apelou o combatente.

Apesar de termos o controle da situação, “a equipe vai ficar aqui monitorando nas próximas 24 horas, pois pode ocorrer, como de outras vezes, de alguma fagulha virar novo foco”, salientou, informando que “o estrago foi enorme”.

O que impressiona é que todos os anos os focos de incêndio em Uibaí acontece e nenhum prefeito ou governo do estado, tem se dado conta, historicamente e o atual, de que é preciso instituir estrutura e condições humanas e de logística adequadas para evitar maiores danos e até investigar para se saber se os focos são naturais ou criminosos.