Comportamento

Jovem LGBT doa tapiocas para quem não pode pagar: “importante espalhar esperança”

Cultura&Realidade - 06 de Maio de 2020 (atualizado 06/Mai/2020 11h29)

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As tapiocas saem de graça para caminhoneiros, garis e pessoas em situação de rua - Foto: Facebook

Conversamos com a Pauleteh, a jovem LGBT de São Sebastião, litoral norte de São Paulo,  que há um mês lançou uma campanha para alimentar pessoas de baixa renda com deliciosas tapiocas feitas na hora por ele.

Paulo Araújo, carinhosamente chamado de Pauleteh, é um ativista social e empreendedor. Ele batizou sua campanha de ‘Tá com fome? Come aqui óh!’.

Para tornar a refeição mais acessível, Paulo reduziu o valor da tapioca que vende na praia há cinco anos de R$ 10 para R$ 5. Caso a pessoa não consiga pagar, ela pode levar duas tapiocas gratuitamente.
“Como eu não posso trabalhar na praia agora e já tinha bastante massa de tapioca, pensei: ‘vou fazer essas tapiocas pra quem não tem o que comer nesse momento. Aqui tem muita gente que passa necessidade”, explica.

As tapiocas saem de graça para caminhoneiros, garis e pessoas em situação de rua.

Segundo Paulo, o valor de R$ 5 cobrado é utilizado para repor materiais e seguir com sua boa ação.

“São três horários, café da manhã, almoço e janta. E quem não puder pagar vai poder comer. Esses dias faltaram ingredientes. Tinha pouca gente pra comprar e muita gente pra comer. Graças a Deus, é pra isso que a gente fez esse projeto.”


Vaquinha
Paulo então criou uma vaquinha online para levantar o recurso necessário para comprar os ingredientes que faltavam – foi um sucesso! A meta inicial de R$ 2 mil foi batida em poucas horas.

“Eu lancei a campanha na internet e deu super certo. Tomou uma proporção inimaginável. Muita gente doando. Eu pedi o valor R$ 2 mil só pra comprar os materiais necessários pra esse mês. De repente eu vi R$ 11 mil. Eu fiquei chocado. Ainda estou na verdade”, comemora.

“Além de comprar os materiais pra tapioca, também vamos comprar um notebook pro projeto Despertar. Nós não temos e é necessário. Vêm muitas pessoas pedir auxílio emergencial, com documentos… É muito importante ajudar essas pessoas. [Vamos usar o dinheiro] também com cestas básicas.”

Até o momento, a vaquinha já levantou mais de R$ 14 mil.

 

“Você não precisa ter dinheiro pra ajudar as outras pessoas”

Paulo é uma das lideranças do projeto Despertar. A ONG promove atividades de arteducação e também leva orientação profissional aos moradores da comunidade de Juquehy.

O comprometimento de Paulo em ajudar quem mais precisa vem da infância.

“Eu tive uma infância muito difícil. De não ter o que comer, não ter o que vestir. De colher as frutas que ficavam depois da feira, pedir alimento. Hoje, eu vejo que é minha missão. Fazer com que o mínimo de pessoas passe por isso.”

A falta de dinheiro nunca será um problema, o que não pode faltar mesmo é força de vontade.

“Você não precisa ter dinheiro pra ajudar as outras pessoas. Precisa ter força de vontade porque você consegue. Essa é uma missão que eu quero passar para as outras pessoas. Esse olhar de humanidade e de carinho.”

Liderança LGBT
“Bicha, preta e afeminada, meu amor! (risos) A visão que a sociedade tem de um negro é a visão de roubo, de crime… Do gay é de perversão e coisas do tipo. Vivemos no país que mais mata LGBT no mundo. É importante mostrar que somos não só o que eles dizem que somos, que nos limitam a ser.”

“Eu faço esse trabalho junto com pastores, LGBTs, umbandistas, centro espírita. As pessoas ficam meio assustadas com esse meu envolvimento (em ações sociais). Mas a grande maioria me respeita bastante. Têm um carinho por mim e pelo meu trabalho.”

“O mais importante nessa vida é espalhar amor, positividade, esperança. As pessoas são muito negativas. Costumam dizer: por que você tá fazendo isso? Você vai quebrar. As pessoas vão se aproveitar de você’. Eu tenho esperança de que as coisas vão dar certo.”
 

Com conteúdo de Razões Para Acreditar