CULTURA

João Dourado: abre-se as portas do Centro Cultural Casa de Zuma, espaço da cultura viva

Cultura&Realidade - 29 de Janeiro de 2020 (atualizado 30/Jan/2020 12h07)

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Centro Cultural Casa de Zuma. Na Rua Adolfo Silva Dourado (do Cemitério)  - 713. - Foto: C&R 

 

Por Vítor Ferreira

A cidade de João Dourado foi marcada nos dias 24 e 25 de Janeiro com a fundação do Centro Cultural Casa de Zuma. “Não é só uma casa... nem é museu! É lugar de memórias como uma casa e também como um museu. É morada do passado, do presente e do futuro. Como casas... como museus.” São as palavras escritas para apresentar que espaço é aquele, a casa de Zuma.

Na última segunda-feira, 27, Zulmiro de Souza Castro - Zuma Castro, como era conhecido - faria 100 anos, uma vida movida pela sabedoria, atuação cidadã na agricultura, na política, na cultura e história de Canal (antigo distrito de Irecê), participando efetivamente na emancipação do povoado agora cidade, João Dourado. “Minha cidade tem história e memória”, dizia ele que foi um agente ávido nesse percurso, fazendo história e ficando na memória de um povo.

 

“Acima do medo, coragem!”, era com essa e tantas outras frases poéticas que ele avançava nas labutas diárias, e aconselhava seus familiares e amigos. Por causa desse exemplo cidadão, a família com muita coragem, amor e emoção, abriu as portas da casa que ele morou por tantos anos, transformando-a em um Centro Cultural.

“A ideia Inicial era reunir objetos, poesias e outros textos para construir um memorial na casa onde nasceram quase todos os filhos de meu pai, mas percebemos que sua importância ultrapassava a dimensão familiar”, disse Zulmiro Júnior, um dos filhos de Zuma.

A abertura foi cheia de muita expressão artística levando o público a viajar ao passado, refletir o presente e imaginar o futuro com o novo espaço cultural. Dividido em cinco ambientes: pátio, hall de entrada, memorial, sala de leitura e quintal/teatro.

O pátio tem a representatividade de um dos marcos de Zuma, onde é apresentado um de seus implementos que revolucionou a agricultura da época, sendo ele um dos primeiros a utilizar equipamentos agrícolas na região.

O Hall de entrada, “Sala Áurea Dourado”, nomeado em homenagem à sua amada esposa trás ao público um belo quadro com a fotografia dela e a linha do tempo do homem que foi tropeiro, agricultor, delegado, vereador, escritor, pai, avô, bisavô...

Ao adentrar na sala memorial, nota-se o busto ao lado do livro biográfico, “Zulmiro de Souza Castro, Poesia, Lida e Vida.”, à sua frente uma grande mesa com doze cadeiras, e guardanapos de tecido bordado com o nome de cada membro familiar, seus onze filhos e sua esposa, retratando união para fazer suas refeições. Em uma das paredes o título de cidadão Joãodouradense e o de Presbítero Emérito pela IPB – Igreja Presbiteriana no Brasil, na outra a sua  árvore genealógica, além de objetos que lembram o homem que foi.

Busto de Seu Zuma. Ao lado, o livro com sua biografia e poesias. - Foto: C&R

A Mesa na sala  "memorial" representatividade de uma união familiar. - Foto: C&R

A família conta que os livros fizeram parte da vida de Zuma, a Sala de Leitura foi pensada para expor, receber e emprestar livros, além acolher as ações pedagógicas de escolas. No evento de fundação, a sala recebeu uma exposição do artista plástico Adherrio-Laiss.

Tocaia - Assemblagem do artista plástico Adherrio-Laiss/ C.C. Casa de Zuma - Foto: C&R

Consolo -  do artista plástico Adherrio-Laiss/ C.C. Casa de Zuma - Foto: C&R

A persistência da retórica -  do artista plástico Adherrio-Laiss/ C.C. Casa de Zuma - Foto: C&R

O quintal/teatro é um ambiente como auditório, onde foi palco para o Culto Ecumênico, palestras, contação de histórias, apresentações musicais, entre elas a Filarmônica 09 de Maio Joãodouradense, recitais poéticos, principalmente de autoria de Zuma, além da apresentação do grupo de Reisado da comunidade de Mata do Milho.

Em conversa com o site Cultura&Realidade a Profª. Drª Jamile Borges que fez parte da curadoria, disse que a casa de seu Zuma torna-se um equipamento cultural para João Dourado.

“No momento que se abre as portas da casa de Seu Zuma, e a transforma em um Centro Cultural, ela deixa de ser apenas um espaço de celebração da família e torna-se um bem público, um equipamento cultural para a cidade. A ideia é essa, não ser apenas um local de guardar objetos, mas apostando como um espaço de futuro, acolher jovens estudantes, adultos, crianças para que aconteça debates, cinemas, teatros, leituras, dentre tantas outras expressões.”

Antropóloga, Prof.ª Drª Jamile Borges, uma das curadoras do Centro Cultural Casa de Zuma. - Foto: C&R

 

A curadora ressaltou que a casa de Zuma não é apenas para celebrar o passado, mas um lugar para frutificar novas iniciativas culturais.

“A história da cidade não é pensar apenas do ponto de vista, da sua memória ou da preservação em termos turísticos, mas que possa ser pensado através de ações educativas, pensando não só celebrar o passado, mas também é para ser um lugar de frutificar novas iniciativas culturais. A casa é um espaço vivo, manteve sua estrutura original, as paredes permaneceram, mas o que acontece por dentro dela, vai se transformar, vai transformar com as ações que por ela passar, assim como a sociedade.”, aponta.

Zulmiro de Souza Castro Nasceu em 27 de Janeiro de 1920, na missão do Sahi em Senhor do Bonfim. Aos cinco anos de idade, perde sua mãe -  Maria Alves de Souza. Em 1930 a família se muda para a Queimadas dos Florianos na Região de Irecê. Casa-se com Áurea Loula Dourado em 1946 e passa a morar em Canal – atualmente João Dourado. Perde seu pai – Cornélio Castro Granha em 1956. Exerce os cargos públicos de delegado e em seguida de vereador por Canal entre 1960 – 1970. Ingressa na Igreja Presbiteriana de Canal em 1970. Em 1972 a família se muda para a sede do município de Irecê. Ele inicia na Loja Maçônica luz, trabalho e fraternidade em 1974. Participa ativamente na emancipação política de João Dourado em 1985, retornando definitivamente para nova cidade emancipada em 1994. Em 2014 recebeu o título de cidadão Joãodouradense e nos deixa em 12 de abril de 2019.

Zulmiro de Souza Castro - à direita, recebendo o título de cidadão Joãodouradense. - Foto: Internet

 

Ficha técnica de fundação do Centro Cultural Casa de Zuma:

CURADORIA – Zulmiro Castro Júnior, Sandra Castro, Eduardo Santos e Jamile Borges.

ORGANIZAÇÃO -  Áurea Dourado Castro, Davi Dourado Castro, Jarbas Dourado Castro, Derli Dourado Castro, Maria Áurea Dourado Castro, Nanci de Castro Loula, Quenas Dourado Castro, Sandra Castro, Zulmiro Castro Júnior, Wilton Wagner Dourado, Ananias Alexandre, Ramilton Castro.

IDENTIDADE VISUAL: Arnoldo Miranda

TEXTOS: Jamile Borges.

 

Da Redação, por Vítor Ferreira.