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Irecê e Região

Irecê: falta d’água começa a afetar serviços públicos e economia

João Gonçalves - 24 de Fevereiro de 2017 (atualizado 29/Jun/2017 10h13)

Aulas suspensas, serviços paralisados em clínica veterinária, hospital abastecido com carro-pipa são algumas das consequências.

Falta d’água começa a afetar serviços públicos e economia em Irecê e região

Por João Gonçalves

A cidade de Irecê vive um problema sério de abastecimento de água desde as 22h de terça-feira, 21. De acordo com Odirlei Rocha, gerente da unidade regional da Embasa – Empresa Baiana de Saneamento Básico, “a empresa foi comunicada de um vazamento na tubulação de água bruta da Adutora do São Francisco, próximo a Xique-Xique . Nossa equipe dirigiu-se até o local e constatou a perda de uma grande quantidade de água, mas não foi possível intervir à noite, em razão da complexidade da operação, o que ocorreu no dia seguinte”, disse o gerente.

PREVISÃO NÃO SE CUMPRIU - Odirlei informou que o sistema foi totalmente esvaziado, exigindo maior tempo para recomposição do estoque de água para abastecimento humano. “Os reservatórios foram utilizados pela população durante o período de manutenção. Assim, toda a rede e reservatórios ficaram totalmente vazios. Mas desde o final da tarde de quarta-feira, que a água começou a ser distribuída nas áreas mais baixas da cidade de Irecê. Nas localidades mais altas, é preciso de bombeamento e maior quantidade de água nos reservatórios, mas acreditamos que até o início da manhã desta sexta-feira, o abastecimento começa a ser normalizado”, salientou.

Previstas para ter o abastecimento normalizado hoje pela manhã, as áreas mais altas como o bairro Copirecê, Recanto, São José, Vida Bela, Recanto e Asa Sul, até o momento da postagem desta matéria, continuavam sem uma gota d’água nas torneiras e a  população começou a apelar para os carros-pipas também.  Apenas a comunidade Vida Bela começou, lentamente, a receber água.

FALTA DE RESERVATÓRIOS - Em menos de três dias sem abastecimento, grande parte da população se revela despreparada para situações como essa. “As pessoas não dispõem de reserva de água para ao menos uma semana. Poucas pessoas estão preparadas para isso”, disse Oseas Mariano, fornecedor de água em carro-pipa.

De acordo com ele, “aumentou bastante a procura pelo serviço. A gente não cobra pela água. Nem doce, que se pega na Embasa, nem salgada, próximo à escola Parque, cobramos apenas o transporte, que varia de R$ 120,00 a R$ 150,00 de acordo com o grau de dificuldade para descarregar”, explicou.

SERVIÇOS PÚBLICOS E ECONOMIA SÃO AFETADOS  – A falta de água começa a afetar os setores da economia e dos serviços públicos. O secretário de educação Agnaldo Freitas disse na manhã de hoje, que as aulas matutinas só iriam funcionar até às 10h. “Vamos liberar os alunos. A Embasa nos prometeu que o fornecimento seria normalizado hoje pela manhã, mas isso não ocorreu. À tarde vai depender da situação. Provavelmente não haverá aulas. Estamos abastecendo a dessedentação com fornecimento de água mineral, mas não é suficiente para produção da alimentação escolar e manutenção da limpeza”, disse.

O subsecretário de saúde Daniel Cunha disse que a gestão de saúde já começa a definir estratégias para não prejudicar as unidades de saúde. “O Hospital Municipal ontem foi abastecido pela Embasa com carro-pipa. A UPA ainda não precisou e as UBSs e PSFs tem reservatórios suficientes para a manutenção até segunda-feira”, afirmou.

Maria do Socorro, funcionária da Atendimentos Médicos Veterinários de Irecê (AMEVI) disse que a clínica está repleta de animais e sem água, prejudicando sensivelmente os serviços. O proprietário do “Bar do Leno”, Heleno Ezídio, disse que faltou água apenas um dia, que o seu reservatório deu conta, mas se passasse mais algum tempo, poderia ter prejuízos. Assim como Heleno, na parte baixa da cidade, os proprietários do Açougue Almeida, no Paulo Freire, parte alta da cidade, ainda não sofreu os impactos, pois tinha água reservada, mas que hoje já não dispõe do produto.