Comportamento

Inspirada pela mãe, menina de 7 anos já quer ser empreendedora e ajudar em casa

Cultura&Realidade - 22 de Maio de 2020 (atualizado 22/Mai/2020 11h52)

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A simplicidade da barraquinha e a felicidade da menina com o seu empreendimento - Foto: Ilustração

DA REDAÇÃO | RAZÕES PARA ACREDITAR

Quem quando criança não quis brincar de ter seu próprio negócio, fingir que é vendedor? Para Luiza Cristina, de 7 aninhos, o desejo era de montar uma barraquinha de doces.

Menina de 7 anos "abre o próprio negócio" para ajudar a mãe ...

 


 “Foi uma atitude dela. Sozinha, coisa que parte da cabeça dela”, disse orgulhosa a mãe Nanda Alves. A mãe atendeu ao pedido e montou a barraquinha só de brincadeirinha para incentivar a filha no seu desejo.

Ela comprou bombons numa venda da comunidade Morro Caixa D’água, em Mesquita, na Baixada Fluminense (RJ), e montou a mesinha improvisada com uma toalha de casa com os doces.

 

Além dos produtos, ela usava máscara e tinha até borrifador de álcool em gel. Ela vendeu alguns bombons e a família mesmo comprou o restante para alimentar o fascínio da menina pela atividade.
 

 “As mulheres da nossa família aprendem cedo a serem independentes”
Luíza é uma menina muito inteligente e esperta e para a mãe, essa atitude dela é reflexo do que ela vê dentro de casa. A garota mora com a mãe, a avó, o padrasto e o tio.

 

“A avó dela sempre diz que ela tem que ser independente porque aqui na nossa família as mulheres são muito independentes, aprendem desde cedo”, disse Nanda.
 

Mas a menina certamente se espelha é na própria mãe. Nanda tem 23 anos de idade, é mãe solteira, faz faculdade de comunicação na UFRJ e trabalha como autônoma. A história dela é muito forte, já sofreu abuso sexual e preconceito e superou isso tudo.
 

 “Eu tinha 16 anos quando engravidei. Era uma menina com problemas de autoestima pelos abusos sofridos na infância. E, também por ser gorda, achava que me relacionar sexualmente com várias pessoas faria com que me sentisse melhor. A gravidez veio de surpresa. Continuar na escola foi um desafio, mas concluí o ensino médio e ingressei na Universidade Federal do Rio de Janeiro“, relembrou.
 

Nanda cuida da criação de Cris sozinha com auxílio de uma bolsa de pesquisa da faculdade e a pensão paga pelo pai da menina. O complemento da renda vem da venda de perucas que ela comercializa pelo seu perfil do Instagram.


Mulher apresentando trabalho diante de projeto multimídia

Nanda batalha como autônoma e estudante para criar Cris. Foto: Arquivo pessoal

 “Eu já devia ter me formado, todos os meus amigos se formaram, mas estou atrasadíssima porque tenho que trabalhar, estudar e cuidar dela. Não tenho computador e faço todos os trabalhos, as provas escritas à mão”, revelou Nanda.
 

“Desde pequenininha, com 3 ou 4 anos ela ia comigo pra universidade, eu tinha que levar. Ela ficava quietinha, nem chorava, falava baixinho sem atrapalhar ninguém. Os professores falavam: parece que já foi feita para a universidade”, disse a mãe.
 

Cris quer ser empresária, maquiadora e caminhoneira

 

Menina sentada em carteira com lápis fazendo atividade

Cris acompanha a mãe desde cedo na faculdade. Foto: Arquivo pessoal


Cris está no 1º ano do Ensino Fundamental numa escola pública. Com a pandemia, ela está sem aulas e não pode assistir aulas online, pois não tem computador em casa.
“Mas um dia desse, ela parou do nada, e disse que queria uma videoaula, que queria estudar e estava com saudade da escola”.

 

A garota já disse querer ter várias profissões, como empresária, cabeleireira, maquiadora e até caminhoneira.
Depois de postar a brincadeira da barraquinha, muita gente criticou a mãe nas redes sociais e teve até quem a denunciasse ao Conselho Tutelar. Mas nada disso tira o brilho do olhar de mãe e filha que aprenderam a lutar desde cedo.

 

“Como que eu não incentivo ela a estudar? Eu mostro o valor do trabalho e SEMPRE falo pra ela o valor de um diploma”, disse. Nanda, você não precisa se defender, sabemos da mãezona que é, exemplo para essa filhota linda.