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AMBIENTE

Índice de desmatamento da Amazônia dispara para 400%

Cultura&Realidade - 05 de Janeiro de 2019

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Dispara o índice de desmatamento da Amazônia Foto: CARL DE SOUZA (AFP)

No mesmo dia em que a nova ministra da Agricultura, Tereza Cristina, assumia o cargo e afirmava que o Brasil era “… o país que mais soube preservar suas florestas nativas e matas ciliares … e é um modelo a ser seguido, jamais transgressor a ser recriminado”, o Instituto Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) divulgou um levantamento em que revela que o desmatamento na Floresta Amazônia deu um salto alarmante.

Em novembro de 2018, ele foi 406% maior do que o mesmo mês de 2017. Foram detectados 287 km2 de desmatamento na Amazônia Legal, área que compreende nove estados brasileiros e corresponde a quase 60% do território nacional.

Os principais responsáveis pela destruição de vegetação foram os estados do Pará (63%), Amazonas (12%), Rondônia (9%), Mato Grosso (7%), Roraima (5%) e Acre (4%).

Segundo o boletim mensal do Imazon (SAD), a maioria (53%) do desmatamento ocorreu em áreas privadas ou sob diversos estágios de posse. O restante do desmatamento foi registrado em assentamentos (37%), terras indígenas (5%) e Unidades de Conservação (4%).

Vale prestar atenção nesses números acima. Notar que mais da metade da destruição da floresta ocorreu em terras particulares e apenas, uma pequena parte em áreas indígenas. Ou seja, agora, com a nova medida do governo do presidente Jair Bolsonaro, que transferiu da Fundação Nacional do Índio (Funai) para o Ministério da Agricultura, a atribuição de identificar, demarcar e limitar terras indígenas essa porcentagem deve mudar. Todos sabem que os indígenas são protetores da floresta, por isso mesmo, há pouca devastação onde eles estão presentes.

Nos bastidores, há rumores, inclusive, que o novo governo pretende liberar a exploração agropecuária nas terras indígenas. Vai ser mais uma bandeira verde para que a bancada ruralista siga em frente com a devastação da mata.

Ontem (02/01), os mais importantes jornais do mundo ressaltaram, em suas manchetes, a decisão de Bolsonaro de dar mais poder ao Ministério da Agricultura e enfraquecer os órgãos de proteção ambiental, colocando em risco a preservação da maior floresta tropical do planeta, a Amazônica.

O discurso de Tereza Cristina fala de uma realidade distante. O Brasil foi sim, exemplo de conservação e conseguiu reduzir os índices de desmatamento da Amazônia, mas já faz algum tempo, a destruição da floresta voltou a crescer.

O desmatamento na região é o pior em dez anos: 1,18 bilhão de árvores foram derrubadas em um ano. De acordo com números divulgados recentemente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)*, responsável pelo monitoramento oficial da Amazônia, de agosto de 2017 a julho de 2018, foram destruídos quase 8 mil km² de vegetação. Essa área é equivalente a 987.500 mil campos de futebol ou 5,2 cidades de São Paulo.

Ministra da Agricultura, é preciso revisar seu discurso. Infelizmente, o Brasil deixou de ser modelo de preservação… E com os planos anunciados de uma “política focada nos interesses comerciais do Brasil”, difícil acreditar que o país voltará a servir de exemplo nessa área.

*Os alertas de desmatamento e degradação florestal realizados pelo Imazon são gerados pela plataforma Google Earth Engine (EE), com a utilização de imagens de satélites e mapas digitais. Todavia, os índices de deflorestamento da Amazônia publicados pelo instituto não são oficiais. O governo só leva em conta os dados elaborados pelo Inpe, que frequentemente apresenta números diferentes aos do Imazon. A discrepância nos resultados se dá ao uso de metodologias distintas de avaliação

 

Da redação, com informações do site Conexão Planeta