file-2017-02-08175959.335653-Banner-CR-topo-notcia_22b9a9f62-ee39-11e6-aece-047d7b108db3.jpg

Irecê e Região

Incêndio no lixão de Irecê já dura três dias; bombeiros civis fazem o combate

Rodrigo de Castro Dias - 16 de Março de 2017 (atualizado 28/Jun/2017 15h39)

Foto: bombeiros civis combatem incêndio no lixão desde a tarde de terça-feira (Divulgação/GBCBA)

Foto: bombeiros civis combatem incêndio no lixão desde a tarde de terça-feira (Divulgação/GBCBA)

Redação Cultura&Realidade - Por Rodrigo de Castro Dias


Um incêndio de grandes proporções vem ardendo no lixão de Irecê desde a manhã da última terça-feira (14). De acordo com o Grupamento de Bombeiros Civis (GBC) de Irecê, o incêndio começou depois que um funcionário de uma empresa ainda não identificada ateou fogo a um jogo de rodas descartado no local. Até a manhã de hoje (16) o fogo ainda não foi extinto, embora o grupamento estime em 70% o nível de controle da situação.

"Combatemos firmemente na terça e na quarta, mas o vento que sopra mais de noite acaba realimentando os focos menores, o que dificulta o trabalho", afirma Darlis Santana, da coordenação dos bombeiros civis. "Hoje a situação está melhor, os focos diminuíram bastante. Com um pouco de sorte, talvez a gente consiga acabar 100% com o incêndio", acredita.

Outro motivo complicador da operação é o risco de explosões devido ao gás metano acumulado no solo. "Como o metano se acumula sob o solo, tivemos que avançar de forma mais cuidadosa no combate as chamas, inclusive usando uma retroescavadeira para ir revirando o solo pra soltar o gás. O risco é grande para nós combatentes, pois a água apaga as chamas e molha o solo, causando reações com o metano que ocasionam explosões", explica Darlis. 

Embora a equipe de bombeiros civis conte com o suporte da prefeitura, o combatente se queixa da falta de apoio externo no combate ao incêndio, que poderia ter ganhado proporções ainda maiores, saindo inclusive da área do lixão para outros espaços. "No primeiro dia as chamas tinham alcançado um lado da cerca que limita o lixão, se não tivesse combate naquele momento poderia ter espalhado. Se tivéssemos ajuda dos bombeiros que ficam em Lençóis, por exemplo, poderíamos ter debelado o fogo antes", critica. Com a ausência do Corpo de Bombeiros Militar, somente os bombeiros civis vem lutando contra o incêndio nos últimos dias, de forma totalmente voluntária.

Foto: combate as chamas continua nesta quinta-feira (Divulgação/GBCBA)

Responsabilidades - O incêndio no lixão, causado por ação humana, poderia ter tomado proporções muito maiores, e passa a sensação de que falta controle administrativo sobre o acesso de pessoas estranhas ao local. Em contato com a secretaria municipal de infraestrutura, o responsável pela gestão da limpeza pública, Paulo Dourado (Paulinho), afirmou que a pessoa que levou as rodas teve autorização da administração pública para entrar no lixão.

"A pessoa entrou com o veículo (no lixão) porque nós autorizamos. Era melhor ele descartar as rodas lá do que no meio do mato", disse. No entanto, o servidor expressou surpresa pela atitude do autor do incêndio. "Não sei porque, o cara achou que era melhor botar fogo, não pensou nas consequências", afirma Paulinho.

Faltou explicação, contudo, para o fato de não haver ninguém no momento para impedir que a pessoa colocasse fogo nas rodas. "O administrador do lixão também opera a máquina de processamento de lixo, então ele não estava próximo do rapaz no momento", argumenta Paulinho. Questionado sobre a empresa para qual o autor do incêndio trabalha, ele desconversou: "sabemos qual a empresa, mas é melhor não dizer agora, pois o dono está se recusando a admitir a responsabilidade. O secretário deve entrar em contato com ele para discutir a questão", encerrou.

Responsabilização - Apesar da administração do lixão garantir que o espaço fica fechado a cadeado, um incidente perigoso ocorreu por culpa da imprudência de alguém que normalmente não deveria ter acesso ao espaço, fato no qual o poder público possui responsabilidade. Até o momento, não se sabe qual será a postura da prefeitura com relação ao autor do incêndio e a falha de segurança da administração do lixão. Eventuais prejuízos ainda não foram contabilizados.

O episódio demonstra também a carência de Irecê e região por uma estrutura própria de Corpo de Bombeiros instalada localmente. Há anos, a região de Irecê depende de Lençóis nesse sentido, sendo que a estrutura instalada no aeroporto de Lençóis claramente não conta com capacidade para atender um território tão grande.

Nota do editor: até o final do dia o CUltura&Realidade informará sobre a situação do incêndio que ainda continua, embora esteja com situação controlada pelos bombeiros civis.