file-2017-02-08175959.335653-Banner-CR-topo-notcia_22b9a9f62-ee39-11e6-aece-047d7b108db3.jpg

Cultura, Esporte e Lazer

Grito dos Boqueirões: Ambientalista Amirtão foi homenageado durante evento de muitos artistas

Cultura&Realidade - 24 de Janeiro de 2018

file-2018-01-24131414.458297-CAPA_EDSD9ecd0460-0121-11e8-98f4-f23c917a2cda.jpg

Amirtão fez plantio simbólico de dezenas de plantas que forma replantadas no boqueirão da "Gruta do Mané José" - Foto: Edimário Machado

Com poetas, cantadores e ambientalistas da sede e povoados do município de Uibaí e dos municípios de Irecê, São Gabriel, Xique-Xique, Gentio do Ouro, Ibiitá e Central, além de municípios de outras regiões, como Ibotirama e Salvador, o Grito dos Boqueirões comemorou os 10 anos do Projeto de Restauração Florestal Grota do Mané José com uma programação cultural e ambiental de importante significado.

O evento começou com uma caminhada ecológica com destino à Grota do Mané José. Lá no boqueirão houve a devolução simbólica à natureza do primeiro trecho de vegetação restaurada, o plantio de novas árvores e uma homenagem ao ambientalista Amirto da Rocha Machado, o “Amirtão”, inspirador do Projeto.

Bastante concorrida, a caminhada ecológica contou com a presença de pessoas de Uibaí e de municípios vizinhos e da imprensa regional através do Jornal Cultura&Realidade e das rádios 101 News e Cidade FM.

Durante todo o dia houve exposição de artesanato, literatura de cordel, xilogravuras e esculturas na Av. Pedro Joaquim Machado, em frente ao Ponto de Cultura. No final da tarde os grupos de Dança de Reisado de Baixão de Cinésia (Irecê), de Canoão de Ibititá e de Uibaí começaram a percorrer as ruas e visitar as casas, arrastando público para o Grito dos Boqueirões. A apresentação dos três grupos em frente ao Ponto de Cultura de Uibaí foi um espetáculo de grande beleza e originalidade.

Depois de uma apresentação teatral feita por adolescentes da Oficina de Teatro do Ponto de Cultura, o público viu o curta metragem “O Ouro de Muribeca”, escrito, dirigido e filmado na serra de Uibaí, por escritores, diretores e atores uibaienses. No centro do enredo, a lenda sobre um cacho de bananas de ouro escondido na serra de Uibaí, por Belchior Dias Moreira, o Muribeca.

Às 20h o coral infantil “Os Querubins de São Gabriel” abriu a programação de música e poesia, que contou com cerca de 50 poetas e cantadores locais, do nosso território e de outras regiões da Bahia.

Questionado sobre como é possível realizar um evento dessa grandeza, num momento em que o povo brasileiro está com a autoestima em baixa, Edimario Machado, diretor da União Municipal em Benefício de Uibaí - UMBU, entidade realizadora do projeto “Grito dos Boqueirões”, disse que “em momentos como este o povo perde um pouco a crença nas pessoas e nas instituições, fenômeno que afeta nossa capacidade de realização. O Grito dos Boqueirões tinha 50% de chance de ser um fracasso e 50% de chance de ser um bom evento. Estamos convencidos de que foi um bom evento, mas foi preciso, antes, acreditar e mobilizar pessoas e instituições, pois ninguém sozinho conseguiria realizar um simples, mas com tamanha diversidade cultural, como foi o Grito dos Boqueirões”.

Essa efervescência cultural em Uibaí, na contramão do que vem acontecendo em nosso pais e em boa parte dos municípios de nossa região, decorre de um planejamento estratégico feito pela UMBU, que decidiu empenhar esforços na realização de projetos em chamadas públicas feitas através de editais.

Edimario compreende que “os gestores públicos preferem fazer favores, do que assegurar direitos através de políticas públicas. Se alguém faz um favor de um lado, alguém fica devendo um favor do outro, o que talvez justifique essa preferência dos gestores públicos. De outra forma, quando se busca recursos públicos ou privados através de edital, ocorre o exercício de um direito e ninguém fica devendo favor a ninguém”, enfatiza.

Com recursos captados através de editais, a entidade uibaiense vem realizando há mais de quatro anos espetáculos musicais e oficinas de teatro, música, artesanato, futebol, círculo de leitura, dança afro, dança de reisado, guarda mirim ambiental e estação digital, ações que vem potencializando a produção cultural naquele município.

No último final de semana, com o Grito dos Boqueirões, Uibaí reviveu os bons tempos da Semana de Arte e Cultura – SEAC, que foi pioneira em nossa região. E mais, selou  forte aliança entre a produção cultural e a preservação ambiental, parceria que promete dar grandes resultados.

“Que venham outros Gritos dos Boqueirões e que eles ecoem por toda a nossa região!”, conclui ao ambientalista e articulador cultural.

Da Redação, com apoio da Ascom/UMBU

Abaixo, flashes do evento: