Saúde

Governo lança campanha de prevenção à gravidez na adolescência

Cultura&Realidade - 04 de Fevereiro de 2020

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A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, disse que o lançamento da campanha é o primeiro passo na construção de um "programa de prevenção ao sexo precoce". - Foto: Ilustração

 

Com o lema "Adolescência primeiro, gravidez depois", o governo federal divulgou na última segunda-feira (3) a Campanha Nacional de Prevenção à Gravidez na Adolescência.

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, disse que o lançamento da campanha é o primeiro passo na construção de um "programa de prevenção ao sexo precoce". Ela não deu detalhes sobre as próximas etapas do programa.

Números

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que os dados alertam para a urgência de abordar o tema da gravidez e que as críticas recebidas pelo governo antes do lançamento da atual campanha foram infundadas. "Enfrentem os números", disse o ministro da Saúde, ressaltando que o total de casos de gravidez entre as garotas com menos de 15 anos é expressivo.

A tendência dos casos é de queda. Segundo dados do ministério, entre 2000 e 2018 houve diminuição de 40% nos casos de gravidez entre garotas com entre 15 e 19 anos. Já entre aquelas com menos de 15, a queda foi de 27%.

Abstinência    

Antes de ser lançada, a campanha foi alvo de críticas porque o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos admitiu que trabalhava a indicação da abstinência como uma política pública de prevenção.

Perguntado sobre a posição de entidades médicas que divulgaram estudos contra a abordagem, o ministro da Saúde não apontou a abstinência como a única política a ser defendida e chegou a citar métodos contraceptivos na lista de possíveis ações conforme o perfil etário do público.

O ministro disse que a "campanha fala por si" e motiva o debate. "E um dos debates é sim de você chegar e falar que vai se reservar o direito de ter atividade sexual no momento que achar melhor. Eu não entendo isso como abstinência, eu entendo como comportamento mais responsável nas consequências", disse o ministro da saúde.

"Não vejo muita base científica também nessa discussão estéril que quer diminuir o tamanho do problema e o tamanho do enfrentamento. Quer dizer que nós deveríamos então falar para um público de 11 anos e 12 anos: olha, você vá lá e peça uma pílula anticoncepcional, coloque um diu aos 11 anos? Não é assim que funciona" - Mandetta, ministro da Saúde


Taxa comparada

Apenas em 2018, 434 mil adolescentes entre 15 e 19 anos foram mães, isso representa 68,4 nascimentos para cada mil. A taxa mundial é de 46 nascimentos, de acordo com os dados do ministério.
A taxas de mortalidade infantil entre as mães mais jovens (até 19 anos) é de 15,3 óbitos para cada mil nascidos, acima da taxa nacional que é de 13,4 óbitos.

Estudo da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) , em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), publicado em 2018, aponta que a gravidez na adolescência ocorre com maior frequência entre as meninas com menor escolaridade e menor renda, menor acesso a serviços públicos, e em situação de maior vulnerabilidade social.

Confira aqui o Power Poit apresentado no lançamento


Da Redação, com informações do G1