BRASIL

GOLPE BRANCO!: "General Braga Neto passa a operar o governo no lugar de Bolsonaro", diz jornal italiano

Cultura&Realidade - 04 de Abril de 2020

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General Braga Netto, atual chefe da Casa Civil da Presidência, veio da área militar, onde estava chefe d Estado-Maior do Exército - Foto: Ilustração

Reportagem de Daniele Mastrogiacomo, do La Reppublica, diz que um acordo envolvendo o próprio Bolsonaro foi feito para que o ministro da Casa Civil, Braga Neto, assumisse o cargo de "Chefe do Estado Maior do Planalto". A matéria está replicada pelos site brasileiros Revista Forum, Brasil 247 e o Diário d Centro do Mundo - DCM.

Em extensa reportagem na edição deste sábado (4), o jornal italiano La Repubblica fala de um “suposto golpe de estado” no Brasil e confirma a informação divulgada nesta sexta-feira (3) pelo jornalista investigativo argentino Horacio Verbitsky de que o ministro-chefe da Casa Civil, o General Walter Braga Netto, é o “presidente operacional”, em um acordo feito pelas Forças Armadas diante da crise provocada por Jair Bolsonaro com a pandemia do Coronavírus.

“Nesse clima de tensão e medo, as notícias do suposto golpe “institucional”, com a passagem de entregas operacionais ao ministro da Casa Civil, uma espécie de primeiro ministro, se ampliam.

Jornais e sites brasileiros não mencionam isso”, diz Daniele Mastrogiacomo, jornalista do La Reppublica, que cita um artigo divulgado pelos site “Defesa.net, vinculado ao Ministério da Defesa, que relata essa estranha história com um serviço exclusivo”.

Quem é Braga Netto?

O general mineiro Walter Souza Braga Netto, 62, foi escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para substituir Onyx Lorenzoni no comando da Casa Civil. Há 45 anos na carreira militar, ele se notabilizou por ocupar cargos de comando na hierarquia do Exército e ter atuado como interventor militar na segurança pública do Rio de Janeiro em 2018.

Braga Netto, nascido em Belo Horizonte, ingressou na carreira militar em 1975, mas em 1980 já era 1º Tenente. Sua carreira ganhou expressão nacional em 2001, quando, já tenente-coronel, foi nomeado oficial de gabinete de Gleuber Vieira, então comandante do Exército.

Em julho daquele ano, outra nomeação: comandante do 1º Regimento de Carros de Combate, no Rio. Cinco meses depois, e ele era promovido a coronel.

Entre 2005 e 2007, Braga Netto foi enviado à Polônia para serviços diplomáticos: lá, exerceu o cargo de Adido de Defesa do Exército na embaixada brasileira naquele país.

General

Promovido a general de brigada em novembro de 2009, ele voltou à função de Adido de Defesa em 2011, mas na embaixada brasileira nos Estados Unidos.

Em 2013, nova promoção, agora para general de divisão, mesmo ano em que foi nomeado coordenador-geral da Assessoria Especial dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio em 2016.

Um ano antes dos jogos, no entanto, passou a comandante da 1ª Região Militar, com jurisdição sobre os estados do Rio e Espírito Santo.

Interventor no Rio

Em fevereiro de 2018, Braga Netto foi nomeado pelo então presidente Michel Temer (MDB) interventor federal na segurança pública do Rio, posição que ocupou até dezembro do mesmo ano. O balanço da intervenção no Rio é controverso.

Entre os resultados positivos estão a redução dos roubos no estado, implantação de melhorias administrativas nos órgãos de segurança e a compra de materiais para as corporações. Por outro lado, a medida não reduziu as mortes violentas, os tiroteios se intensificaram e a letalidade policial cresceu.

De acordo com dados do ISP (Instituto de Segurança Pública), o Rio de Janeiro fechou 2018 com 6.695 mortes violentas. O número ficou um pouco abaixo do ano anterior, quando foram registradas 6.749 mortes violentas no estado.

Em março do ano passado, Braga Netto foi indicado para nova função: assumiu a chefia do Estado-Maior do Exército, órgão responsável pela elaboração da política militar terrestre.

 

Da Redação