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Funeral de Cícero Nogueira vira protesto contra a violência em Irecê

22 de Maio de 2016

SEPULTA1.jpg [caption id="attachment_4584" align="aligncenter" width="300"]SEPULTA Foto: Gabriel Santhiago - Texto: Bruno Carvalho[/caption] As ruas da cidade de Irecê amanheceram,  neste domingo (22/05), tomadas pela população, que acompanhou o cortejo fúnebre do líder comunitário Cícero Nogueira da Silva, assassinado na madrugada de sábado. No itinerário entre a Igreja São José Operário e o cemitério, no bairro Boa Vista, foi realizada uma grande manifestação em prol da paz, que contou com a participação de parentes e amigos, além de lideranças políticas e religiosas, todos pedindo o fim da violência e da impunidade no município. Os pré-candidatos a prefeito Pascoal Martins (PCdoB), Dorinha Lelis (PMDB) e Elmo Vaz (PSB), também acompanharam o ato. Presente no cortejo, o líder da paróquia São José Operário, padre Francisco de Almeida destacou que a violência na cidade é um problema recorrente, e que necessita de atenção especial das autoridades. “Precisamos discutir seriamente toda essa brutalidade que vem acontecendo no nosso território. A violência não acontece em um só lugar, ela está enraizada em toda a sociedade”. Para o líder religioso, é necessário chamar a atenção da população: “O segmento que mais mata é o dos jovens entre os 15 e 29 anos, normalmente pessoas que não têm estudo, profissão ou mesmo uma vida estabilizada, ou seja, é um segmento ocioso da sociedade”. Ainda segundo o padre, a sociedade  é uma máquina de produzir bandidos. “O estado hoje serve para o privilégio de uma minoria, e nessa instância,  a politica é quem mais precisa sofrer uma reforma.  É preciso que o estado invista não só em segurança, mas também em ações voltadas ao social, em especial aos mais pobres, que ainda necessitam de apoio”, afirmou. “A violência em Irecê tem raízes históricas. Ela está onde há pouca luminosidade e infraestrutura, e isso precisa ser repensado pelos nossos governantes”. Revolta Entre os mais inconformados com a morte do comerciante estava Anselmo Alencar, amigo da vitima, com quem esteve pouco antes do crime. “Encontrei-o na noite do crime, saindo da paróquia, onde estava ensaiando com o coral. Cícero era uma pessoa muito querida, que me ofereceu ajuda nos momentos mais difíceis da minha vida”, contou. “Essa tragédia abalou não apenas a comunidade de São José e região, mas toda a cidade”. Na ocasião, Alencar aproveitou para fazer um apelo às autoridades da cidade. “Imploramos ao prefeito Luizinho Sobral, para que medidas visando a segurança pública sejam tomadas. É inadmissível estarmos sofrendo com essa tragédia, enquanto o prefeito se encontra em Salvador, alheio a tudo isso”. Cícero Nogueira da Silva deixa esposa e seis filhos. O líder comunitário de 62 anos levou três tiros no abdômen e morreu no local do crime, antes da chegada dos socorristas. De acordo com informações da polícia, homens armados arrombaram a residência da vítima, localizada no bairro São José, aos fundos da Igreja Católica São José Operário. Os bandidos invadiram a casa, e o comerciante tentou reagir. Um filho da vítima, de prenome Walace, de 35 anos, foi baleado no braço, sendo socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para o Hospital Regional, onde esteve internado.