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Irecê e Região

"Fiquei 6 horas na fila e não fui atendida"; clientes do BB sofrem com atendimento precarizado

Rodrigo de Castro Dias - 05 de Abril de 2017 (atualizado 27/Jun/2017 11h38)

População de Irecê e cidades próximas sofre com a precarização dos serviços bancários; várias agências estão fechadas e sem previsão para voltar ao funcionamento. 

Foto: em Lapão, clientes locais e de cidades vizinhas buscam atendimento, mesmo durante a noite (Rodrigo de Castro/C&R)

Foto: em Lapão, clientes locais e de cidades vizinhas buscam atendimento, mesmo durante a noite (Rodrigo de Castro/C&R)

Redação Cultura&Realidade - Por Rodrigo de Castro Dias

Passadas quase três semanas da tentativa de assalto a agência do Banco do Brasil em Irecê, o atendimento bancário ao público local e regional está longe de ser normalizado. Desde então, os clientes vem sofrendo para pagar contas, realizar transações financeiras ou receber atendimento presencial. 

Desde o início do ano passado, várias cidades da microrregião sofreram ataques em suas agências bancárias. Contando apenas as ocorrências com agências do BB, Central, Ibititá, João Dourado, Iraquara e Irecê foram vítimas de ações criminosas, que ainda por cima danificaram severamente a estrutura das agências, impossibilitando-as de atender o público. Entre todos os casos, apenas em Irecê os bandidos não conseguiram êxito no assalto.

Com o funcionamento limitado ou interrompido em várias cidades, a solução encontrada por muitas pessoas é procurar cidades próximas que tenham agências em pleno funcionamento. A assistente social Deuraci Vieira seguiu o exemplo de muitos ireceenses nos últimos dias e foi a Lapão, cidade localizada a menos de 10 km de distância, em busca de uma agência ativa. Após horas na longa fila, ouviu do atendente que a espera havia sido em vão. "Fui para fazer pagamentos com cheque, muita gente tem ido lá para usar o banco e achei que resolveria minha situação. Na hora H, o caixa me fala que eles não estavam autorizados a fazer a transação, pois eu sou da agência de Irecê. Fiquei seis horas na fila e não fui atendida! É duro, isso atrasa demais a nossa vida", desabafa Deuraci.

Do lado de fora da agência, a noite avançava e dezenas de pessoas continuaram na fila com esperança de usar os caixas eletrônicos. "Meu filho, você tá vendo a gente aqui agora, quem sabe se na hora que chegar na boca do caixa vai ter dinheiro pra sacar?", questiona Sandra, que está na fila desde às 15h. 

Ao lado, Maria conta que para conseguir atendimento nas primeiras horas do dia, muita gente está madrugando na fila. "Já tem gente chegando aqui na porta às 3h da manhã. Quando amanheceu o dia a fila já tinha dobrado a esquina", afirma. Da porta da agência na esquina apontada por Maria são mais de 30 metros, e de acordo com relatos de outros moradores, a fila tem avançado pela rua lateral do quarteirão onde se localiza a agência.

Com tanta demanda, o Banco do Brasil de Lapão tem sofrido para prestar atendimento para todos. Vários clientes, oriundos principalmente de Irecê e João Dourado, se queixaram da falta de dinheiro nos caixas eletrônicos. "Tem acontecido muito de gente chegar pra sacar e o dinheiro acabar. Eles (os funcionários) até fazem reposição, mas acaba muito rápido", queixa-se Anderson, que veio de João Dourado em busca de atendimento. 

Quando a reportagem do Cultura&Realidade saiu da porta da agência em Lapão na noite desta quarta-feira (5), o relógio marcava 19:30h. Muitos clientes não sabiam quanto tempo mais iriam esperar. "Vou ficar mais um tempo pra ver, mas não posso esticar demais, pois moro em outra cidade. O pior é ficar nessa situação, ter o trabalho de fazer uma viagem pra tentar resolver e dar viagem perdida", lamenta outro cliente. 

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Reformas - Em alguns locais, o Banco do Brasil está trabalhando para devolver agências ao pleno funcionamento, como em Central. Segundo informações divulgadas recentemente, até maio a cidade terá sua rotina bancária na agência reestabelecida. 

Em Irecê, as obras de recuperação foram iniciadas rapidamente. Três dias depois do ataque dos bandidos, que danificou severamente a parte traseira da agência, já havia uma equipe conduzindo trabalhos de manutenção. 

Nesta semana, autoridades municipais da região se movimentaram para cobrar providências do Banco do Brasil para encarar o problema, que tem afetado a rotina de comerciantes, prestadores de serviço e a população em geral. A União das Prefeituras do Platô de Irecê (Unippi) se reuniu nesta quinta-feira (6) com a superintendência estadual do BB em Salvador para tratar do assunto. O foco principal é a cobrança pela reabertura das agências que estão fechadas por causa dos ataques criminosos. 

Antes disso, o prefeito de Irecê, Elmo Vaz (PSB), já havia dialogado em Brasília junto a presidência do banco, com o mesmo objetivo.

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