AMBIENTE

Extinção acelera e já atinge mais de 1 milhão de espécies, diz ONU

Cultura&Realidade - 06 de Maio de 2019 (atualizado 06/Mai/2019 17h37)

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Foto: Divulgação

O ritmo de extinção de espécies de animais e plantas está acelerando de forma inédita no mundo e já coloca mais de 1 milhão de espécies sob risco. A conclusão é do mais recente relatório do Painel Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Ecossistema (IPBES, na sigla em inglês).

O relatório contou com informações de 145 cientistas de 50 países e a análise de 15 mil fontes de dados, no que é apontado pela plataforma intergovernamental como o mais extenso relatório sobre o tema já feito. 

“A maior evidência da Avaliação Global do IPBES, num vasto leque de diferentes áreas de conhecimento, apresenta um quadro sinistro”, disse o presidente do IPBES, Robert Watson. “A saúde dos ecossistemas dos quais nós e todas as outras espécies dependem está se deteriorando mais rapidamente do que nunca. Estamos erodindo as fundações de nossas economias, meios de subsistência, segurança alimentar, saúde e qualidade de vida em todo o mundo”.

Segundo dados do estudo, a média de espécies nativas na maioria dos principais habitats terrestres diminuiu 20%, desde 1900. Pelo menos 680 animais vertebrados foram extintos desde o século 16. Mais de 9% de todas as raças domésticas de mamíferos, usados para obtenção de comida e na agricultura, desapareceram até 2016. Pelo menos outras mil raças estão ameaçadas. 

Mais de 40% das espécies de anfíbios, 33% dos corais e mais de 33% de todos os mamíferos marinhos também estão sob ameaça. O quadro não é tão claro ao se analisar o risco dos insetos, mas estimativas apontam para ameaça de 10% das espécies. 

O relatório apontou ainda as principais causas de extinção das espécies: mudanças no uso da terra e dos mares, exploração animal, mudanças climáticas, poluição e competição com outras espécies invasoras. A expectativa é de que nos próximos anos, as mudanças climáticas passe a ser o fator mais relevante no aumento do risco às espécies.

Outra conclusão do relatório é a de que a diversidade das espécies, suas relações com o ambiente assim como os benefícios extraídos pela humanidade da natureza estão se deteriorando rapidamente. Embora, ainda exista tempo de criar uma alternativa sustentável para o planeta. 

A solução, porém, não deve ser alcançada pelas metas globais de sustentabilidade já traçadas (e que não deverão ser alcançadas). O relatório aponta ser preciso uma nova transformação social, econômica, política e tecnológica. 

O risco de extinção das espécies deve minar o alcance de 80% das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável relacionados a pobreza, fome, saúde, acesso à água, cidades, clima, terras e oceanos.

OUTROS DADOS DO RELATÓRIO

- Três em cada quatro ambientes terrestres e cerca de 66% dos ambientes marinhos foram significantemente alterados pela ação do homem. Na média, esses impactos foram menores ou inexistentes em áreas de ocupação indígena e de comunidades locais. 

- Mais de um terço da superfície terrestre e cerca de 75% das fontes de água doce estão reservadas para agricultura ou pecuária

- A degradação do solo reduziu a produtividade em 23% da superfície

- Mais de U$ 577 bilhões anuais em plantações estão em risco, devido a perda de polinizadores, e uma população entre 100 e 300 milhões de pessoas sob ameaça de enchentes e furacões, por causa da perda de habitat marinhos, que servem de proteção à costa. 

- A poluição por plástico aumentou dez vezes desde 1980.

Da redação, com informações do site Folha de São Paulo