Religião

Espíritas progressistas manifestam preocupação com cenário político

Cultura&Realidade - 21 de Maio de 2019

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Foto: Divulgação

Por Franklin Félix|Carta Capital

O Coletivo de Estudos Espiritismo e Justiça Social (Cejus) vem juntar-se a diversas entidades – religiosas ou não religiosas – nas denúncias sobre o massacre que o povo brasileiro vem sofrendo com as medidas tomadas pelo atual governo, no poder a cinco meses.

Estamos em um momento crítico, quando Direitos Humanos vêm sendo vilipendiados e rifados por aqueles/as que deveriam garantir sua efetivação.

A Espiritualidade existente em todos/as nós precisa agir e posicionar-se contra esse estado de barbárie.

Nós, espíritas progressistas que somos, a exemplo de Allan Kardec, defensores/as da justiça social e por ela militantes, colocamo-nos perplexos diante de tamanho desmonte do estado brasileiro.

O Brasil vive um momento em que o capital financeiro domina e dita todas as regras. Conquistas sociais adquiridas com muita luta, suor e sangue estão sendo estraçalhadas uma a uma, e a sociedade assiste a tudo sob um torpor estarrecedor.

Agora, o governo federal, avesso a qualquer debate com a sociedade civil, ataca de forma espantosa a educação (estudantes, professores/as, pesquisadores/as, cientistas), as universidades públicas e os institutos federais, transformando a vida de estudantes e professores num campo de batalha desleal.

A sociedade brasileira tem que reagir e todos/as aqueles/as que trilham o caminho de uma espiritualidade libertadora precisa entender que a omissão, neste momento, é a assinatura da conivência com a regressão de conquistas sociais, com a violação de direitos, com a violência e ódio.

Além disso, o neoliberalismo selvagem avança com suas garras (sujas de sangue) sobre o meio ambiente. Várias das proteções conquistadas ao longo de décadas de lutas estão sendo descartadas. Nossas reservas estão sendo destruídas e o Brasil está se tornando alvo frágil para a exploração inescrupulosa das suas riquezas naturais e do seu povo.

A reforma da Previdência tira de uma parcela imensa da sociedade a possibilidade de uma velhice digna; a infância e a juventude, por sua vez, estão ameaçadas pela falta de perspectivas; e os trabalhadores e as trabalhadoras têm o seu presente esmagado por uma opressão desmedida. Mulheres que lutaram por conquistas de direitos e por espaços seguros, sentem o jugo de uma política calcada no fundamentalismo religioso e na misoginia.

Não podemos fazer de conta que nada está acontecendo!

O povo brasileiro está sendo estimulado a incendiar-se de um ódio altamente destrutivo para a nossa sociedade. Massacrar a população, tirar a esperança de gerações e ainda estabelecer um culto hediondo às armas, são formas de fomentar a autodestruição de um povo.

O Cejus se coloca ao lado de todas as correntes religiosas e espirituais que estejam dispostas a enfrentar essa necropolítica que assola o país.

A indiferença e a omissão serão cobradas de todos/as e este é o momento de cumprirmos o nosso papel de pacificadores/as, conforme recomendado por Jesus no seu sermão inesquecível.

A paz que todos e todas buscamos só será implementada quando a justiça existir como “fome e sede” dentro de cada um de nós: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos.” – Mateus 5:6

Espíritos imortais que somos, o futuro de todos/as é o nosso próprio futuro.

Sigamos unidos/as e fortes na luta pela justiça social.

Conic, Cese e Cáritas iniciam mobilização contra a reforma da Previdência

O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), que reúne católicos, batistas, anglicanos, presbiterianos, ortodoxos e luteranos, iniciou no dia 6 de maio uma campanha nacional contra a reforma da Previdência. A ação é realizada em parceria com a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (Cese) e com a Cáritas Brasileira.

A campanha se dará por meio de publicações diárias, no Facebook do Conic, de argumentos contrário à reforma.

No último dia 14 de maio, Conic e Cese realizaram, em várias cidades do país, a Vigília Nacional contra a reforma da Previdência. Igrejas, comunidades de fé, sindicatos, associações de trabalhadoras e trabalhadores, professores, militantes em geral organizaram ações e saíram às ruas para dizer não a mais este absurdo governamental.