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Em clima de luto, população de Irecê clama por paz e justiça nas ruas

24 de Maio de 2016

caminhada3_autoria-Rodrigo-de-Castro.jpg [caption id="attachment_4614" align="aligncenter" width="560"]População se mobiliza contra a escalada da violência em Irecê - Foto: Rodrigo de Castro População se mobiliza contra a escalada da violência em Irecê - Foto: Rodrigo de Castro[/caption] A polícia militar estimou cerca de 8 mil pessoas na manifestação, que durou cerca de 3 horas e percorreu ruas e avenidas da cidade, como a Praça do Feijão e a Avenida Tertuliano Cambuí Rodrigo de Castro Tristeza e indignação eram os sentimentos visíveis no semblante de milhares de pessoas que caminharam juntas pelas ruas de Irecê no final da tarde desta terça-feira (24). A manifestação, organizada pela Paróquia São José Operário e Observatório Permanente de Desenvolvimento, com  apoio de outras igrejas, movimentos sociais, comerciantes, ciclistas, motociclistas e estudantes, dentre outros grupos, foi motivada pela onda de matança de jovens que ocorre na cidade e especialmente o assassinato do líder comunitário Cícero Nogueira da Silva no último dia 22. A caminhada, que partiu da paróquia São José Operário, no bairro do mesmo nome, seguiu para o centro da cidade, ganhando rapidamente a adesão de milhares de pessoas. Munidas de carro de som, cartazes, faixas e apitos, as pessoas se queixaram da falta de segurança crescente e lamentaram a perca de Cícero, pessoa extremamente querida pela comunidade ireceense. “Cada dia que passa eu tenho mais medo de sair de casa, meu filho. A gente acha que pode ser roubada a qualquer hora do dia. E agora deram de entrar na casa, é assustador”, conta dona Cícera, que carregava seu cartaz com os dizeres “Pela paz, contra a maldade“. Faixas pediam mais amor e paz e também cobravam mais segurança por parte das autoridades. O governador Rui Costa, que vem lidando com críticas na área da segurança pública, e o prefeito Luizinho Sobral, foram cobrados. Algumas pessoas se indignaram com a falta de atitudes do prefeito contra o aumento da violência, questionando inclusive o fato de que a polícia se preocupa mais em fazer a segurança pessoal do prefeito em vez de fazer mais rondas em bairros da periferia. Quanto a este quesito, um preposto do comando da Polícia Militar desconhece tal situação e assegurou que o 7º Batalhão da PM, com sede em Irecê, vai abrir sindicância para apurar o apontamento. Durante o ato, jovens fizeram uma instalação artística pintando o asfalto do percurso com pedidos de paz, além de fazer a memória das vítimas da violência com cruzes vermelhas e brancas. Motociclistas que trabalham com transporte de passageiros promoveram buzinaço. “A depender do lugar que a pessoa me pede pra buscar eu recuso, porque o perigo acaba sendo demais. Tem determinadas partes da cidade que não dá pra arriscar depois de certas horas”, conta Jorge, que trabalha como mototaxista desde 2014. [caption id="attachment_4615" align="alignright" width="448"]A lembrança dos entes queridos, vítimas da violência, alimentaram a mobilização popular. Foto: Rodrigo de Castro A lembrança dos entes queridos, vítimas da violência, alimentaram a mobilização popular. Foto: Rodrigo de Castro[/caption] A segurança pública naturalmente assume grande importância no debate público. Elmo Vaz, pré-candidato a prefeitura de Irecê pelo PSB, e um dos proponentes do ato, ressalta que a questão da segurança vai além do combate à violência. “O problema da violência, na verdade, está mais na falta de incentivo à cultura e o esporte para o jovem dos bairros carentes, na oferta de mais educação e emprego, do que somente no combate a criminalidade. Não é nada fácil, mas só vamos melhorar nessa questão se trabalharmos nesse sentido de buscar a mudança estrutural. E a população tem urgência, a manifestação de hoje é o melhor exemplo disso”. Também participaram da caminhada o ex-prefeito Joacy (PT), o pré-candidato a prefeito Pascoal Martins (PCdoB) e diversas outras lideranças políticas e empresariais, como Zé Duarte, Diomira Macêdo e Alaerte Arônia. No final da manifestação, que adentrou a noite, atos simbólicos foram realizados na Praça Ayrton Sena, local de muitos atos violentos, e na praça da prefeitura, onde líderes comunitários se manifestaram. Padre Francisco e Padre Jessé, da Igreja Católica, e Edvan Nunes, pastor evangélico, cobraram das instituições públicas ações mais efetivas em prol da segurança pública e refletiu sobre a importância das manifestações populares no enfrentamento da violência e criminalidade, que envolve a luta contra as drogas e a marginalidade. No final, um minuto de silencio foi dedicado em memória de Cícero. Mobilização - A manifestação, organizada pela paróquia São José Operário e observatório Peermanente de Desenvolvimento não será um ato isolado. Uma audiência pública para debater a situação da segurança pública está marcada para o dia 3 de Junho na Câmara de Vereadores às 10h, e a expectativa é que diversos representantes da sociedade civil e do poder público se reúnam para construir um entendimento sobre ações necessárias para o enfrentamento da violência. Novos atos públicos também deverão acontecer, embora ainda sem datas definidas.