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Cultura, Esporte e Lazer

Em apresentação inédita, Lívia Mattos lança o disco “Vinha da Ida” no palco do Teatro Vila Velha, dia 22

Cultura&Realidade - 06 de Novembro de 2017 (atualizado 06/Nov/2017 17h08)

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Capa da produção musical da artista que teve projeto aprovado em edital musical da Natura - Foto: Produção

A cantora e acordeonista Livia Mattos apresenta o seu primeiro trabalho solo  “Vinha da Ida” no próximo dia 22, no Teatro Vila Velha. Com trajetória peculiar, a artista vem construindo o seu caminho na música de forma sólida e diversa: como sanfoneira da banda de Chico César; circulando com seu trabalho autoral em festivais como Akorden Festival Wien, na Áustria, e “Accordions Around The Wolrd, em NYC; como solista convidada da Orquestra Sinfônica da Bahia; como participante selecionada pelo programa OneBeat , nos EUA; com experiências de shows em grandes festas de rua, como Carnaval e São João; além da vasta experiência de criação da interface música/cena.

O álbum é composto por dez canções autorais, sendo duas em parceria com o acordeonista franco-português Loïc Cordeone – que participa da faixa “Vou lá” - e uma com o guitarrista Jurandir Santana – que fez a direção musical das faixas trabalhadas com músicos na Bahia. Participam também do disco artistas que fizeram parte da caminhada da sanfoneira: Chico César, com quem continua tocando; Toninho Ferragutti, amigo e mestre; e Zé Manoel, que foi sua aproximação mais forte recentemente, com o qual montou um show conjunto.

Informações:

Data: 22 de novembro (quarta)

Horário: 20h

Ingressos: R$20 inteira e R$ 10 meia

Local: Teatro Vila Velha (Sala Principal)

Endereço: Av. Sete de Setembro, S/N – Passeio Público – Salvador - BA

Vendas: www.ingressorapido.com.br/venda/?id=3313#!/tickets

 

RESENHA - “Vinha da Ida” é o retrato fonográfico do estradar dessa artista, que tem circulado como acordeonista, cantora e circense. Encontrou no produtor Alê Siqueira, o parceiro ideal para produzir o disco, valorizando as construções advindas de seus trânsitos sonoros.  É um disco de canção e de sonoridades, que coloca  acordeom num lugar outro, de busca infinita, através de motes, riifs e cadências que inspiram a criação, a composição. 

O álbum é composto por dez canções autorais, sendo duas em parceria com o acordeonista franco-português Loïc Cordeone – que participa da faixa “Vou lá” - e uma com o guitarrista Jurandir Santana – que fez a direção musical das faixas trabalhadas com músicos na Bahia. Participam também do disco artistas que fizeram parte da caminhada da sanfoneira: Chico César, com quem continua tocando; Toninho Ferragutti, amigo e mestre; e Zé Manoel, que foi sua aproximação mais forte recentemente, com o qual montou um show conjunto.Toda gestualidade e espontaneidade desaguou num resultado original, que mostra a contemporaneidade da musica brasileira, sem se sustentar em recursos eletrônicos. É o cancioneiro vivo, pulsante, híbrido, com identidade maturada nos anos de estrada, sem perder o frescor.

O disco passa por diversas cores, tanto do estilo das canções, como de formação, como também do lugar da sanfona e vozes. No entanto, não aparece como uma bricolagem, apresentando-se com uma identidade sólida e inusitada. A junção do acordeom com violoncelo e bateria, trouxeram nuances e cores novas às canções, combinando força, crueza e delicadeza. Já os bailes atlânticos, apresentadas por sua banda completa – tuba, guitarra baiana/bandolim, percussão, bateria e acordeom/voz - trazem os ares de quem vem da costa, de quem é litorânea, mas transita por muitos mundos. É do mundo. Assim, sem baixo - além dos 120 baixos de sua sanfona - Lívia Mattos apresenta um disco de canção e sonoridades peculiares, com uma porção de musicas que se comunicam com o público de imediato, apesar de certas “estranhezas” interessantes - que ela própria chama de veneno. A atmosfera circense também é presente no disco, de maneira mais explicita pela canção “Melodia-a-dia”, e de maneira mais subjetiva na canção “Sob o céu sobre o chão”. A junção da tuba com acordeom também remete a esse universo em outras canções.

É um disco salgado, de que vem da beira do mar, da costa, do suor, do salitre, da umidez, do choro, da dança, do sereno, da chuva. É um disco de quem vai, de quem vive de ida, de estrada, de quem pressupõe que existir é ir. Tudo veio do respirar por esse fole, que desenha caminhos, vai e volta - nunca igual. A poética gira em torno da existência, desse seguir.... das contradições inerentes à vida, que  ao mesmo tempo é divina e vadia, frágil e vigorosa, escassa e sortida - que tem o tempo e o mar como entidades.

Este disco de Livinha reflete exatamente o q ela é: multiartista curiosa com
suas inúmeras possibilidades de linguagens e sonoridades que não nunca
cessam, pois são camadas infinitas de fato.

Os dois tons nas formações musicais que ela elegeu para produzir e mostrar
suas músicas - a grande banda e o trio - fazem parte de um caleidoscópio
maior de possibilidades, mas que independente delas, carrega em si sua
história, refletida e representada, nessas músicas.

Outro fato interessante a destacar é ela assumir o seu papel de cantautora,
cantando lindamente suas canções. Pode parecer óbvio, mas a autora cantando
o que ela compõe deixa registrado ali, para a eternidade, o que ele quis
expressar. E por fim, não poderia deixar de ressaltar a Livinha
instrumentista, que cada vez mais, está nos fazendo entender, de uma
meneira forte e amorosa, que a sanfona é pertencente também ao universo
feminino.

O projeto foi selecionado para receber o patrocínio do edital Natura Musical, com apoio do Governo do Estado da Bahia, por meio do FazCultura. “O Natura Musical foi criado para valorizar a diversidade e identidade da música brasileira, diz Fernanda Paiva, gerente de Marketing Institucional da Natura. “Desde 2012, o edital Bahia já contemplou 26 projetos no Estado de artistas como Russo Passapusso, Larissa Luz, Giovani Cidreira, Lucas Santtana e, agora, Livia Mattos”, complementa.

Por Letieres Leite