EDITORIAL

Condenado pela Justiça Federal, Luizinho expõe sua vaidade e a fraqueza do seu grupo político

Cultura&Realidade - 27 de Setembro de 2019 (atualizado 27/Set/2019 17h34)

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Luizinho Sobral, vaidade e fraqueza do líder - Foto: Ilustração

Mais uma vez a região de Irecê acompanha a repetição de uma velha prática da política. Agentes políticos que cometem irregularidades administrativas quando assumem função pública e são condenadas pela Justiça, insistem, no afã de se manter vaidosamente no páreo, em assegurar para as pessoas que, apesar das sentenças, poderão concorrer a cargos públicos, quando as normas legais dizem que não.

Assim aconteceu com o ex-prefeito de Irecê, Adalberto Lelis Filho, o Beto Lelis, que por duas vezes, levou milhares de eleitores a jogarem seus votos na lata de lixo. Um verdadeiro desrespeito aos cidadãos e cidadãs, que mesmo tendo notícias dos crimes praticados, insistiram em depositar confiança no mesmo.

Na primeira oportunidade, após ser condenado pela justiça, Beto Lelis insistiu em uma disputa para deputado federal. Foram mais de 22 mil votos jogados na “latrina”, os quais poderiam ter sido depositados a outros candidatos de base social e eleitoral em nossa região, que disputavam na oportunidade, o que poderia ter permitido recuperar uma representação regional na Câmara Federal, o que perdemos há 23 anos.

Em ato contínuo, Beto optou mais uma vez por ele mesmo. Como se não tivesse ninguém no grupo dele, capaz de substituí-lo. Mesmo frente às sentenças judiciais, ele insistiu em ser candidato. Não deu outra, as pessoas que confiavam nele permaneceram fieis, votaram e perderam o voto, impedindo que se revelasse novo projeto político para a cidade, naquele momento.

A mesma situação acontece no momento. Luizinho Sobral, que responde a mais de 30 denúncias por crime administrativo e eleitoral, sendo sentenciado pela justiça local, pela estadual e agora pela federal, o que não resta dúvida do crime cometido, insiste em dizer para o povo de Irecê, através de seus seguidores, que será candidato.

Pensando na oportunidade em não superar a justiça, ele tem se articulado com outras possibilidades de candidatura. Pessoas ligadas aos seus bastidores falam que o desaconselharam a trazer sua esposa Michele Sobral, de Salvador, para ser candidata em seu lugar. O mesmo ocorreu com Hebert, o seu vice da discordância em 2016. Apontado como seu principal fator de derrota. Estas eram as suas duas preferências diretas. Mais humilde que nas decisões políticas de quando era prefeito, ele atendeu as opiniões e desistiu de trazer gente de Salvador.

Ele então, segundo as mesmas fontes, aliançou com Zé Carlos da Cebola, para, uma vez confirmada a decisão da justiça, o empresário da cebola ser o seu candidato. Ou seja, as articulações de Luizinho deixam evidente que, para ele, no seu grupo político local, não tem ninguém que goze da sua confiança política para ser candidato a prefeito, ou prefeita. Só serve se trouxer de fora.

Pois bem, eis que, em decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na manhã desta quinta-feira, 26, os ministros acolheram a decisão do Juiz José Onofre, de Irecê, que condenou Luizinho por crime eleitoral em 2012, suspendendo seus direitos políticos por 8 anos. A decisão foi avaliada pelo Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, que por unanimidade, manteve a sentença. Luizinho recorreu a Brasília e lá, mais uma vez, foi confirmado o crime que praticou em conluio com o dono da rádio Irecê Lider FM, o empresário José Sidnei de Souza. Bom que se diga que Luizinho, de acordo com a nossa assessoria jurídica, ainda pode apresentar recurso extraordinário ao Superior Tribunal Federal - STF, onde não é comum anulação de sentença de inelegibilidade.

Assim, frente aos atuais normativos legais, o ex-prefeito Luizinho Sobral não poderá concorrer às eleições de 2020. Ele levou a reboque, Hisadora Lelis e José Sidnei, que também, pelo mesmo crime e processo, estão com seus direitos políticos suspensos.

Bom, há algum problema de Luizinho, mesmo condenado pela justiça, insistir na disputa eleitoral? Claro que não. O que é estarrecedor é ver as pessoas que se colocam reféns, submissas aos seus caprichos, serem incapazes de construírem novos projetos políticos para o município. Ele humilha a cidade, não mantem sua família aqui e mesmo quando prefeito seus filhos estudavam em Salvador. Só aparece aqui em agenda eleitoral. Sua esposa não gosta desse lugar. Quando tem a oportunidade de revelar novas possiblidades políticas dentro do grupo, deixa claro, pelas movimentações políticas que faz, que entre seus seguidores, em Irecê, não há nenhuma pessoa que possa gozar da sua confiança, ou que tenha capacidade para representar o grupo em um projeto de gestão para o município.

É muita vaidade e fraqueza envolvidas.