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Irecê e Região

Clima tenso no Baixio de Irecê: agricultores querem produzir e estão impedidos. Segurança ameaça visitantes

Cultura&Realidade - 04 de Março de 2018 (atualizado 04/Mar/2018 17h37)

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Canal de irrigação do Baixio de Irecê e no destaque, produtores e estudantes que visitaram a área neste sábado - Foto visitantes: Olcemário Pereira - Foto canal: Divulgação

O Projeto Baixio de Irecê, que teve início na década de 60, continua sendo motivo de tensões.

Comitiva de aproximadamente 60 pessoas, entre produtores e estudantes do Ifba - Instituto Federal da Bahia/Pólo Xique-Xique,  estiveram na manhã deste sábado, 3, visitando o canal do Baixio de Irecê, projeto de irrigação localizado predominantemente no município de Itaguaçu da Bahia, quando foram recebidos pelo agrônomo e seguranças do local de modo hostil e ameaçador.

A visita faz parte de uma agenda de reconhecimento do projeto, por parte de quem ainda não o conhece e das ações de cobranças realizadas pelos agricultores familiares e empresários que dispõem de lotes já devidamente licitados no perímetro irrigado e estão prejudicados, pois desde 2015 tentam iniciar as atividades produtivas e não conseguem. Por conta disso, iniciaram o movimento para chamar a atenção da sociedade e pressionar o governo a fazer o pouco que resta das obrigações do Estado.

INVESTIMENTOS E EMPREGOS - O projeto já consumiu cerca de R$ 1,5 milhão e deveria ter concluído etapa final para iniciar a operação, no final de 2017. “O último recurso investido foi na ordem de R$ 9 milhões para termino das comportas, tomadas de água, supressão vegetal das áreas de 6ha e recuperação de solos. Ocorre q não foi recuperado solo, as comportas estão sem volante e as tomadas não estão concluídas, e as que foram feitas estão em desacordo ao projeto”, informa Mário Cesar Gottfried Fornossier, representante da Irrigabahia, detentora de um lote empresarial, com expectativa de implantação de agroindústria no local.

Com as diversas mudanças e planos de investimentos, a previsão atual  é de 25 mil empregos diretos e 37 mil indiretos, o que aliviaria sensivelmente os problemas sociais provocados pelo desemprego no Território de Irecê, segundo os irrigantes. Os empregos indiretos são previsões voltadas para os segmentos do comércio e prestação de serviços, favorecendo principalmente a cidade de Irecê, pólo de negócios do território.

PRODUÇÃO PRECARIZADA - “Já investimos significativamente neste projeto, depois do processo licitatório, acreditando que o governo faria a sua parte conforme o planejado. Estamos agora aumentando nossos prejuízos e dívidas. Chegou o nosso limite e precisamos iniciar a produção em condições normais”, disse o agricultor Joaci Nunes, do distrito de Itapicuru, município de Irecê, que já está com seus filhos na área, produzindo abóbora de modo precarizado.

O presidente da APRIBI – Associação dos Produtores Irrigantes do Baixio de Irecê, Olcemário Pereira Gomes, que também se encontra com lote operando precariamente na produção de melancias, manifestou recentemente em um vídeo produzido pela entidade, informando o descalabro do governo com o projeto. “Estamos om muita vontade de produzir, gerar emprego e renda, mas as condições estão muito ruins. Meu sistema de irrigação, quando consigo por para funcionar, é com bomba movida a gás. Precisamos que o governo cumpra a sua parte, para que possamos realizar nossos sonhos e produzir fartura para o nossa região”, diz.

Segundo informações dos organizadores da caravana, um engenheiro civil encarregado de fiscalizar as obras e coordenar os seguranças do perímetro, em vez de acolher e orientar os visitantes, bem como narrar os desafios do projeto, recebeu os estudantes com hostilidade e ameaças.

O clima foi tenso, deixando os estudantes assustados e os irrigantes contrariados. “Não viemos aqui ocupar, ou invadir. Isso nós já fizemos. Já estamos produzindo na tora”, disse o agricultor familiar Joaci Nunes.

“O que estamos fazendo foi uma visita para apresentar a um grupo estudantes de jornalistas, as condições em que se encontra o projeto”, esclareceu Jonatas “Raminho”, vice-presidente da Copirecê.

O caso já foi levado ao conhecimento da gerência regional da Codevasf, que prometeu adotar providências administrativas, salientando que os agricultores e visitantes em visitas de reconhecimento precisam ser recebidos com a cortesia obrigatória dos serviços públicos.

Nesta segunda-feira, os irrigantes vão ocupar as instalações da Codevasf, com promessas de ser um ato pacífico, com a finalidade de chamar a atenção da sociedade e do governo, visando adoção de providências para o imediato funcionamento do projeto.

PRINCIPAIS REIVINDICAÇÕES – Sistema de energia, estrada para escoação da produção e conclusão das tomadas de acesso à agua do canal.

O movimento é puxado pela Associação dos Produtores Irrigantes do Baixio de Irecê (APRIBI) e tem apoio do Sindicato dos Produtores Rurais da Região de Irecê (SINPRI) - Câmara de Dirigentes Lojistas de Irecê (CDL) - Associação Comercial de Industrial (ACE) - Irrigabahia - Copirecê.