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Geral

Centro de Informações Antiveneno celebra 37 anos

Cultura&Realidade - 05 de Setembro de 2017

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Ciave completou 37 anos de ações antiveneno

As ações para prevenção a acidentes com venenos e assistência às vitimas, desenvolvidas pelo Centro de Informações Antiveneno da Bahia (Ciave), foram motivo de manifesto da Deputada Estadual Fabíola Mansur, durante a abertura da 3ª Semana Estadual de Prevenção das Intoxicações. “Gostaria de parabenizar o trabalho de toda a equipe do CIAVE. Parabéns pelo trabalho que fazem, vocês orgulham a Bahia”, disse a parlamentar. O Ciave completou 37 anos de funcionamento e o evento teve o objetivo de capacitar profissionais de saúde, como já fez com 1.200 estudantes e mais de 54.600 emergencistas ao longo de sua existência.

Médica e integrante da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, Fabíola conheceu o serviço há dois meses, a convite do colega de profissão Daniel Rebouças, diretor do órgão, que é vinculado à Secretaria Estadual da Saúde (Sesab), e encantou-se com a instituição, referência na área de toxicologia no País, a ponto de comprometer-se com a colocação de uma emenda impositiva ao orçamento de 2018 com o objetivo de garantir a aquisição de equipamentos para o laboratório de animais peçonhentos e controle e manutenção de bancos de antídotos.

Segundo serviço de toxicologia do país a entrar em funcionamento, o CIAVE é responsável pela normatização, regulação e controle de atividades ligadas à toxicologia; orientação toxicológica em geral para prevenção, diagnóstico e tratamento de intoxicações exógenas; atendimento médico de urgência e acompanhamento de pacientes intoxicados; realização de análises toxicológicas de urgência em pacientes atendidos na rede pública de saúde e monitoramento terapêutico de fármacos.

O serviço conta ainda com o Núcleo de Estudos e Prevenção do Suicídio (NEPS), criado em 2007, que além do acompanhamento psicológico, disponibiliza atendimento psiquiátrico ambulatorial, terapia ocupacional e reuniões informativas para familiares de pacientes que tentaram suicídio.

Destaque também, no CIAVE, para o jardim de plantas venenosas, fundamental para identificar as espécies de plantas que causam envenenamento ou algum tipo de intoxicação, garantindo o tratamento adequado às vítimas.

O centro atende cerca de 7.500 ocorrências tóxicas por ano e registra cerca de 16 mil acidentes por animais peçonhentos e 3 mil casos de intoxicações em geral, através de notificações recebidas pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação, ocorridas em toso os municípios da Bahia.

Palestra

E foram justamente os Animais Peçonhentos o tema da primeira palestra do dia, proferida pelo professor Francisco França, da USP e do Instituto Butantan.

Ele explicou que 50 mil pessoas são picadas por serpentes anualmente em todo o mundo, das quais 20 mil vão a óbito. No Brasil, desde 1994 a incidência é de 100 óbitos por ano. O tempo entre a picada e a soroterapia é fundamental para reduzir as chances de mortalidade ou de amputação por necrópsia. “Uma pessoa que recebe o soro seis horas após a picada corre 3,5 vezes mais risco de morrer que uma pessoa que recebe o soro em até três horas”, compara.

Segundo França, medidas simples como o uso de botinas ou perneiras de couro evitariam 80% dos acidentes, uma vez que pés e pernas são as partes do corpo mais atacadas.

Por último, listou as informações mais importantes para as pessoas que são vítimas de ataques de cobras:

1) A identificação do gênero da serpente é fundamental, pois os soros são gênero-específicos, ou seja, dependem da família da cobra que o mordeu para ter eficácia. Uma foto ou descrição da cabeça e do rabo são suficientes;

2) Nunca uso sugue, corte ou amarre com torniquetes próximo ao local afetado. Estas medidas podem ser inócuas ou até mesmo prejudiciais, uma vez que podem acelerar o processo de necrosamento;

3) Lavar o local afetado com água e sabão. O uso de antissépticos também é recomendável para evitar a proliferação de bactérias presentes na boca do animal;

4) Hidrate-se o máximo possível para reduzir o impacto do veneno sobre a atividade renal;

5) Procure imediatamente a unidade de saúde mais próxima para iniciar a soroterapia. Todo o tratamento é feito gratuitamente pelo SUS.

Fonte: Ascom/ALBA