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Geral

"Campo cirúrgico vem crescendo muito na região de Irecê"

29 de Julho de 2016

Dr.-Marcus_web.jpg [caption id="attachment_5117" align="alignleft" width="368"]Dr. Marcus Lima | Foto: Arquivo pessoal Dr. Marcus Lima | Foto: Arquivo pessoal[/caption] Em entrevista, Dr. Marcus Lima enaltece a estrutura médica de Irecê. "Cerca de 80% dos procedimentos já podem ser realizados com segurança na microrregião de Irecê", afirma. Por Rodrigo de Castro Neste final de semana acontece em Irecê o I Simpósio de Urgências Médicas e Cardiológicas, que reúne importantes profissionais do ramo médico, focado em cirurgias e no campo da cardiologia. O evento propõe o compartilhamento de conhecimento entre a classe médica através da discussão de casos, temas importantes da medicina e atualidades, buscando aproximar a teoria da realidade local. Entre os participantes está o Dr. Marcus Lima, membro titular da Sociedade Brasileira de videolaroscopia e coordenador do serviço de videocirurgias do Centro Médico Urológico de Irecê (CMU). Ele é um dos coordenadores do evento, junto ao cardiologista Augusto Césare. “O evento é um esforço conjunto da Sociedade Brasileira de Cardiologia - Seção Bahia e do Colégio Brasileiro de Cirurgiões - Capítulo Bahia. Ambos encaminharam suas diretorias para participar e auxiliar os médicos que estejam atendendo nas unidades de Irecê e cidades vizinhas, tratando aspectos que podem ser realizados no hospital da região”, explica ele. Por ocasião do evento, o Jornal Cultura&Realidade conversou com o Dr. Marcus a respeito do cenário da medicina na região de Irecê, estrutura disponível, avanços e desafios. A entrevista também abordou a cirurgia bariátrica, que tem sido bastante procurada por pessoas que querem combater a obesidade, e o temor que muita gente sente ao encarar a mesa de cirurgia. Confira na íntegra a entrevista exclusiva: Jornal Cultura&Realidade: Dr. Marcus, o Simpósio de Urgências Clínicas e Cardiológicas de Irecê é voltado para os profissionais da área. Como o senhor enxerga o campo do atendimento cirúrgico na região, oferta e estrutura de serviços para a população? Existe ainda a necessidade de procurar outras cidades ou estados para realizar cirurgias, a depender da complexidade? Dr. Marcus: o campo cirúrgico vem crescendo muito na região de Irecê. As clinicas e hospitais locais da rede pública e privada vem se estruturando de modo a abranger um número maior de pacientes e alcançar um nível de complexidade mais elevada em relação aos procedimentos realizados. Cerca de 80% dos procedimentos já podem ser realizados com segurança na microrregião de Irecê. A depender do serviço procurado, a exemplo dos serviços de videocirurgia e videloaparoscopia, a microrregião de Irecê já dispõe de equipamento de primeira geração, equipamentos de ponta que colocam Irecê com a mesma qualificação e capacidade tecnológica de grandes centros cirúrgicos que temos em Salvador, em São Paulo e em outras regiões do país e do mundo. No cenário atual, ainda não há capacidade tecnológica de realizar alguns tipos de procedimentos como cirurgias cardíacas ou transplantes. Algumas cirurgias oncológicas de maior porte ainda apresentam restrições, pela falta de suporte de rádio, quimioterapia e suporte hemodinâmico. Isso ainda traz algumas limitações para atuação cirúrgica, fazendo que um percentual pequeno de pacientes, a depender das patologias, precise procurar serviços ainda maiores.   C&R: o evento traz também um foco um pouco mais direcionado para a cardiologia. Quais são as doenças cardiológicas mais comuns entre a população ireceense? Existe um padrão claro de ocorrências, relacionado a hábitos cotidianos? Dr. Marcus: a população ireceense não se diferencia da população de um modo geral no que diz respeito a incidências cardiovasculares. Estamos falando de doenças coronarianas, hipertensão, isquemias e infarto. Os aspectos abordados no Simpósio chamam atenção principalmente para as doenças que levam esses pacientes a situações de emergência, de risco de morte. O evento procura auxiliar o médico que atua nas emergências e plantonistas sobre como lidar e identificar casos como, por exemplo, arritmias, hipertensão, suspeitas de infarto, isquemias, insuficiência cardíaca, mesmo diante de uma eventual deficiência de recurso ou falta de um determinado equipamento, mostrar como ele pode lidar com a situação diante da realidade que ele vive.   C&R: como o senhor avalia a estrutura médica e hospitalar de Irecê, frente ao tamanho da população da região? Em que patamar nós estamos com relação à infraestrutura, analisando em comparação com o que seria ideal? Dr. Marcus: Penso que a gente vem crescendo muito, ganhando em qualidade de atendimento, agregando muita tecnologia, fazendo com que a gente possa prestar atendimentos com cada vez maior excelência e complexidade. Entendo que ainda há uma carência em relação ao número de leitos públicos e privados, principalmente em razão do fato de Irecê ser um polo médico regional. A cidade precisa se aparelhar e assistir não apenas aos munícipes da cidade de Irecê, mas de toda a microrregião em um raio cada vez maior. A cidade de Irecê atende bastante pacientes de municípios vizinhos que buscam a cidade como centro de referência médico, muito em razão dessa excelência de atendimento prestado e dessas inovações tecnológicas que estão fazendo com que Irecê se destaque no cenário regional, sobretudo ao atendimento médico e cirúrgico.   C&R: Como está a cobertura do SUS no campo cirúrgico hoje? O que poderia ser melhorado, em sua visão? Dr. Marcus: o SUS hoje já conta com atendimento de emergência para cirurgias de elevada complexidade, como politraumatizados, no hospital regional. E o municipal já conta com cirurgias eletivas, programadas o que tem melhorado bastante. Acho que a gente pode ganhar um pouco ainda em número de leitos, principalmente no que diz respeito às cirurgias programadas, cirurgias eletivas. Ainda não conseguimos, talvez em razão da elevada demanda, dar conta da necessidade total da região.   C&R: o senhor é especialista em cirurgia bariátrica, a famosa intervenção para a redução do estômago. Como é a procura por essa cirurgia em Irecê? Dr. Marcus: esse é um procedimento novo na história de medicina e da cirurgia. É um procedimento que em ampla escala vem sendo realizado há cerca de 30 a 40 anos. Isso na história médica é pouco tempo. Eu realizei a primeira cirurgia bariátrica da microrregião de Irecê há seis anos, por via laparoscópica, no Hospital Regional de Irecê. É um procedimento que tem menos de dez anos sendo realizado na região, ainda contando com o desconhecimento de alguns colegas e vem ganhando a confiança. As pessoas estão conhecendo o procedimento que vem sendo realizado de maneira mais ampla. Podemos dizer que tem existido um crescimento na procura, na demanda, em relação à realização do procedimento. Conseguimos fazer um número cada vez maior de procedimentos para redução de estômago, para o tratamento da obesidade mórbida e de doenças metabólicas associadas na região.   C&R: para o cidadão comum, leigo em assuntos médicos, que recomendações o senhor dá para as pessoas lidarem de forma mais tranquila com a perspectiva de passar por intervenções cirúrgicas? É algo que pode ser bastante perturbador a depender da característica e complexidade da intervenção. Dr. Marcus: Quando falamos da necessidade da intervenção cirúrgica é importante destacar que existem portes e maneiras diferentes de submeter o paciente a uma intervenção. Existem cirurgias de pequeno porte, de pequeno risco. Existem cirurgias que são realizadas por abordagem minimamente invasivas, que trazem poucos danos, poucos traumas ao paciente com um resultado estético muito bom. Não necessariamente precisamos colocar como se todo tipo de cirurgia tratasse da mesma coisa. Existem cirurgias mais perigosas, cirurgias de urgência, de maior porte, em que o próprio paciente muitas vezes já vem com o estado de saúde delicado. Mas também existem as cirurgias de menor porte, feitas de maneira programada, eletiva, num cenário tido como ideal, onde você pode submeter o paciente a uma intervenção com muita segurança, sem que ele precise ter maior temor ou receio de se submeter à intervenção.