Saúde

Bebês que mamam leite materno desenvolvem cérebro melhor

Cultura&Realidade - 17 de Fevereiro de 2020 (atualizado 17/Fev/2020 12h02)

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“Sabemos que existem muitos compostos diferentes no leite materno e a composição é dinâmica..." - Foto: Ilustração

 

Há muito se sabe que as substâncias contidas no leite materno desempenham um papel importante no desenvolvimento do sistema nervoso de um bebê em crescimento. Em um novo trabalho sobre esse assunto, pesquisadores da Universidade da Califórnia e do Hospital Infantil de Los Angeles descobriram que o oligossacarídeo 2′-fucosilactose (2′-FL), encontrado no leite materno, promove o desenvolvimento das habilidades cognitivas de uma criança.


Os autores do estudo analisaram a composição do leite materno, bem como a frequência da amamentação materna aos um e seis meses de idade em 50 famílias. A concentração de oligossacarídeos foi determinada no leite; o grau de desenvolvimento cognitivo das crianças foi medido 24 meses após o nascimento, utilizando o teste padronizado de Bayley-III.


“Através da nossa plataforma analítica de alto rendimento, podemos quantificar oligossacarídeos como o 2’FL e muitos outros em centenas de amostras de leite materno em um curto período de tempo”, diz um dos autores do trabalho, o especialista em pediatria Lars Bode. “Essa tecnologia nos permite vincular diferenças na composição do leite com parâmetros específicos em crianças”.
 

O estudo mostrou que a quantidade de 2′-FL no leite materno no primeiro mês de amamentação estava associada a taxas significativamente mais altas de desenvolvimento cognitivo em crianças aos dois anos. Ao mesmo tempo, a quantidade de oligossacarídeo no leite seis meses após o nascimento não se correlacionou com os indicadores cognitivos: isso sugere que o efeito benéfico do 2′-FL se manifesta somente nos estágios iniciais da vida.
 

Essas observações permitiram à equipe concluir que o aumento do neurodesenvolvimento proporcionado pela amamentação se devia principalmente às mães que estavam produzindo mais 2’FL para o bebê consumir.
 

“Sabemos que existem muitos compostos diferentes no leite materno e a composição é dinâmica – muda ao longo do tempo e é altamente variável entre as mães”, disse Michael Goran, principal autor do estudo. 

Da Redação, com informações da Socientifica.