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Educação

Barro Alto: formação, intercâmbio e animação encerram atividades do Novembro negro na comunidade quilombola de Volta Grande

07 de Dezembro de 2016 (atualizado 07/Fev/2017 23h45)

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Foto: crianças da comunidade Volta Grande, em Barro Alto (Uilson Viana)

O mês de Novembro, já reconhecido no calendário como o mês de celebração da Consciência Negra, culminando com a celebração da Morte de Zumbi dos Palmares no dia 20, foi celebrado este ano na comunidade quilombola de Volta Grande com muita formação política, intercambio de experiências e confraternização.

O evento que aconteceu no ultimo domingo do mês (27), promovido pela Associação dos Remanescentes de Quilombos de Volta Grande (AUNIAFRO) contou com uma vasta programação que durou o dia todo. Pela manha aconteceu o I Seminário sobre a Revolta dos Búzios e práticas de convivência com o Semiárido. Na oportunidade foi apresentado o projeto “Identidade e Resistência Quilombola: contando a história de Volta Grande a partir das experiências de empoderamento e redução da pobreza”, pelo seu coordenador Uilson Viana, o qual foi aprovado pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial(SEPROMI) no Edital Agosto da Igualdade 2016.

Ainda na parte da manha o evento contou com a palestra sobre a Revolta dos Búzios na Bahia, seu legado e a celebração do Agosto da Igualdade, ministrada pelo militante e ativista negro João Cena. A discussão sobre as praticas de convivência como Semiárido: produção agroecológica, beneficiamento de frutos da caatinga e produtos da agricultura familiar e Soberania dos povos quilombolas e do Semiárido ficou por conta da técnica do CAA e militante do MST,a companheira Téo. 

Público reunido para prestigiar as atividades do dia da Consciência Negra. | Foto: Uilson Viana

Foto: público reunido para prestigiar as atividades do dia da Consciência Negra (Uilson Viana)

Ao deixarem a quadra Poliesportiva, local das palestras,os participantes se deslocaram até a área coletiva da associação para conhecerem as experiências que vem sendo desenvolvidas na comunidade como alternativas de convivência com o Semiárido e que vem contribuindo para a redução da pobreza ,a segurança alimentar e a complementação da renda familiar. A primeira parada aconteceu na área do agricultor José Joaquim, que mostrou aos visitantes como o seu pequeno quintal produtivo vem contribuindo para a qualidade de vida com o consumo de produtos orgânicos e a comercialização de porta em porta. Na área coletiva da Associação, foi contada a historia de cultivo de hortas na comunidade como uma prática que proporciona os mutirões e a partilha dos resultados. Na oportunidade um grupo de mulheres que plantam e cultivam a área, falou sobre o modo de cultivo.

Foto: Uilson Viana

Foto: Uilson Viana

Duas experiências novas que fizeram parte deste itinerário se tratam do Banco de Sementes e da Cozinha Comunitária instalados na comunidade. O Banco de Sementes foi financiado pelo Ministério de Desenvolvimento Social (MDS) e executado pela Articulação do Semiárido (ASA), junto a Cooperativa Mista de Barro Alto (AGROCOOP), com vistas a garantir a segurança alimentar e proteger as sementes crioulas. O agricultor Luis Carlos, informou que o Banco já está em pleno funcionamento e que as sementes que estão sendo distribuídas para o plantio deste ano deverão voltar uma parte para alimentar o banco.

A Cozinha Comunitária foi apresentada pelo presidente da Associação, Jakson Oliveira, em sua fala esclareceu que o empreendimento foi financiado pelo projeto Juventude Quilombola executado pelo Centro de Assessoria do Assuruá (CAA) e financiado pela PETROBRAS, a qual tem como objetivo de beneficiar e agregar valor aos produtos da agricultura familiar local.

Após ser servida uma feijoada para todos os participantes, a programação da tarde esteve voltada para o Novembro Negro e foi marcada por um importante debate motivado pela palestra que discutiu os impactos do Governo Michel Temer nas políticas afirmativas e de reparação racial para o povo negro e as comunidades quilombolas e ainda com a palestra sobre o Histórico de escravidão e Racismo no Brasil. O público de aproximadamente 200 pessoas, além de Volta Grande, veio das comunidades de Barro Alto, Lagoa Funda, Mandacaru, Queimadinha, Queimada do Claro, Barra do Mendes e de mais duas comunidades quilombolas (Malvinas e Barreirinho). O evento que misturou formação política, visitas técnicas e beleza negra, fechou sua programação com apresentações culturais, desfile da beleza negra com meninos e meninas da comunidade e com música.