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Bahia já é 3º maior produtor de energia eólica do país

14 de Dezembro de 2015

torres.jpg [caption id="attachment_3310" align="aligncenter" width="500"]Foto: Reprodução / Joá Souza / Ag. A TARDE Foto: Reprodução / Joá Souza / Ag. A TARDE[/caption] Em 2005, a Bahia não possuía um só projeto de usina de produção de energia pela força dos ventos ou pela irradiação solar. Dez anos passados, o Estado é o principal protagonista do setor e caminha para o ser o maior produtor brasileiro de energia derivada das fontes renováveis solar e eólica. Hoje, com 505 MW médios, a Bahia já é o terceiro maior produtor de energia eólica do Brasil, demonstrando um crescimento de 123% em relação a 2014. E justamente por causa da força dos ventos e do brilho do Sol, os baianos já contabilizam R$ 22,7 bilhões em investimentos. Em eólica são R$ 18,5 bilhões em 186 usinas, com 4,5 GW de potência, distribuídas em 22 municípios do semi-árido. Quanto à solar, são mais R$ 4,2 bilhões para 32 empreendimentos em cinco municípios e 893 MW de potência. Em dez anos, as torres do aerogeradores ficaram mais altas: de 50 m para os 120 m atuais; a potência das máquinas triplicou, de 1MW para 3MW; e o preço médio  da energia obtida pela força dos ventos caiu 45%, fazendo com a eólica seja a segunda energia mais barata no país, atrás somente da hidrelétrica. "Contando com os contratos privados do mercado livre, já são 230 usinas eólicas contratadas na Bahia. E são números que tendem a dar saltos. Como os leilões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) são baseados em critérios de custo/eficiência, levamos vantagem porque temos o melhor potencial eólico-solar do país", diz o secretário de Desenvolvimento Econômico, Jorge Hereda, baseado em estudos que mostram o estado com 195 mil MW de potencial eólico a 150m. De acordo com ele, a Bahia foi um dos estados mais beneficiados com o recém-lançado PIEE - Programa de Investimento em Energia Elétrica, do Governo Federal. "Por determinação da Presidenta Dilma, até 2018 serão realizados leilões para gerar entre 25 mil e 31 mil MW  de energia, com previsão de investimentos da ordem de R$ 186 bilhões. Vamos brigar, ainda mais, pela maior fatia desse bolo", aposta Hereda. No PIEE também está prevista a construção de 38 mil km de linhas de transmissão, para a qual serão aportados R$ 4,1 bilhões. Na Bahia, destacam-se as linhas entre Juazeiro e Ourolândia, e de Gentio do Ouro a Bom Jesus da Lapa, ambas de 500 kV. De Bom Jesus da Lapa,  Sapeaçu  e Igaporã  partirão as linhas que aumentarão em 6 mil MW a capacidade de intercâmbio energético entre as regiões NE e SE. Outra linha, também de 500 kV, do Piauí, passando por Buritirama e Barreiras, beneficiará o Oeste baiano. Potencial do estado "A Bahia possui extraordinárias fontes de radiação solar e produção de ventos, com índices superiores aos verificados em outras regiões brasileiras e do mundo", confirma o engenheiro elétrico Osvaldo Soliano, do Centro Brasileiro de Energia e Mudanças Climáticas e professor da Universidade Federal do Recôncavo . Enquanto a média de produtividade de um gerador eólico é de 28% a 30% no mundo, na Bahia este índice atinge picos de mais de 80%, por causa de ventos estáveis, sem rajadas, e unidirecionais. Já o Atlas Brasileiro de Energia Solar aponta o estado com uma excelente média anual de irradiação solar elevada, com boa uniformidade, alcançando picos de 6,5 kWh/m2,  enquanto o estado de Santa Catarina, por exemplo, chega ao máximo de 4,25 kWh/m² - ainda um número bem superior aos padrões dos países europeus. Empresas formam cadeia do setor Além de deter o melhor potencial solar e eólico do Brasil, a Bahia atraiu diversos empreendimentos industriais para formar a cadeia produtiva da energia eólica. Já são sete fábricas instaladas, ou em instalação, a exemplo de torres eólicas, pás, nacelles (caixa do rotor do aerogerador) e montagem de turbinas. A espanhola Gamesa invesiu R$ 150 milhões desde que se instalou na Bahia, em 2011, para produzir rotores. Este ano, inaugurou a sua segunda linha industrial para a produção de nacelles – compartimento onde fica o gerador, a caixa de velocidades e o sistema de transmissão dos aerogeradores. Este ano, a Gamesa anunciou a instalação na Bahia de universidade corporativa. Inaugurada em 2011, com capacidade de produção de 300 MW em nacelles para as turbinas ECO86 e ECO100, o grupo francês Alstom já triplicou a sua produção para 900 MW, com investimentos de mais de R$ 65 milhões em sua planta baiana. Também espanhola, a Acciona Windpower investiu R$ 15 milhões na ampliação de sua planta industrial em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, com 270 trabalhadores. A companhia, que chegou à Bahia em 2013 para fabricar cubos eólicos – peças que suportam as hélices – passou também a produzir nacelles para os aerogeradores AW 3000. Implantada em 2013, no Polo Industrial de Camaçari, a Torrebras - empresa do Grupo Daniel Alonso, da Espanha – investiu no ano passado quase R$ 50 milhões para aumentar em 50% a sua capacidade de produção de torres eólicas. Expansão no interior Em Jacobina, distante 340 km de Salvador, a TEN (Torres Eólicas do Nordeste) – joint venture entre a brasileira Andrade Gutierrez e a francesa Alstom – investiu R$ 100 milhões em uma fábrica de torres de aço para aerogeradores para atender, com mais eficiência e menor custo logístico, alguns dos seu principais clientes de projetos eólicos. Em Juazeiro, no Vale do São Francisco, a Wobben Windpower, subsidiária da companhia alemã Enercon GmbH, está produzindo torres de concreto, de 1 mil toneladas e 100 m de altura, para abastecer os parques de energia eólica situados no alto sertão baiano. Em Camaçari, a Tecsis, investe R$100 milhões na implantação de uma unidade industrial para fabricação de pás e acessórios para geradores eólicos, com capacidade de produção de 4.000 pás/ano e geração de 3.500 empregos diretos. Agora, o grande desafio, segundo o secretário Jorge Hereda é atrair para a Bahia também grandes players mundiais da indústria de energia solar. “Não queremos somente produzir energia, mas deter a tecnologia dessa produção. Já conseguimos isso com a cadeia eólica, agora vamos em busca da solar”, sinaliza.