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“Bacurau”, filme brasileiro, vence prêmio no Festival de Cannes

Cultura&Realidade - 27 de Maio de 2019 (atualizado 27/Mai/2019 14h36)

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Cena do filme Bacurau, dirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dorneles.  Foto: SBS Distribution

O filme "Bacurau", dos pernambucanos Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, ganhou o prêmio do júri no Festival de Cannes. O longa dividiu o prêmio com "Les Misérables", do francês Ladj Ly. É o terceiro prêmio mais importante do evento. A estreia nos cinemas está marcada para o dia 30 de agosto.

O troféu coroa a excelente participação do Brasil no evento, o mais prestigiado festival do calendário cinematográfico mundial. Ontem, o longa "A Vida Invisível de Eurídice Gusmão", dirigido pelo cearense Karim Aïnouz, arrebatou o prêmio principal reservado aos filmes da mostra Un Certain Regard (Um Certo Olhar), a segunda mostra mais importante de Cannes.

Outro filme com DNA do Brasil também recebeu prêmio na tarde de hoje: o longa "The Lighthouse", dirigido pelo americano Robert Eggers e produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira, da RT Features (também produtora de "Eurídice Gusmão"), foi agraciado com o prêmio da crítica (Fipresci) dedicado aos filmes em mostras paralelas.

"Queria mandar um beijo para todo mundo do Recife, Pernambuco", disse Mendonça Filho, no palco da cerimônia. "Faz 20 anos que venho, era uma jornalista e descobri muitos filmes aqui", completou o cineasta, que em seguida celebrou o fato de o filme de Aïnouz ter ganhado o prêmio Un Certain Regard de ontem, dizendo que os artistas são "embaixadores da cultura" brasileira no exterior.

"Queria dizer que 'Bacurau' foi um filme que envolveu o trabalho de muita gente, do Brasil e de fora, e essas pessoas trabalharam duro para que o filme ficasse pronto", disse Dornelles. "Dedico esse prêmio a todos os trabalhadores do Brasil da ciência, da educação e da cultura", completou.

Com caráter distópico, "Bacurau" se passa em uma cidade fictícia de mesmo nome, em um futuro próximo, no interior de Pernambuco. Na trama, o vilarejo começa a ser sabotado por grupos interessados em exterminar o local --nos mapas oficiais, a cidade já não existe mais.

Água, comida e sinal de celular também já foram cortados, e quando forasteiros aparecem na região, os habitantes se unem para resistir ao extermínio.

O elenco conta com Sônia Braga, Karine Teles, Barbara Colen e o ator alemão Udo Kier. Com estilo a meio caminho entre o realista e o metafórico, o longa conta um forte viés político, com notório paralelo com o Brasil conservador de Jair Bolsonaro.

A cidade de Bacurau, com seus habitantes orgulhosos da própria cultura e ciosos do respeito às diferenças de comportamento entre si, pode ser compreendida, alegoricamente, como um centro de resistência a investidas de forças reacionárias.

Notório opositor de Bolsonaro, Mendonça Filho fez barulho da outra vez que esteve em Cannes, em 2016, quando seu longa "Aquarius" disputou a Palma de Ouro. Na ocasião, o cineasta e membros da equipe do filme aproveitaram o tapete vermelho para protestar contra o impeachment da então presidenta Dilma Rousseff.

Desta vez, embora não tenha feito protesto no red carpet, o diretor se pronunciou contra o atual governo na conversa com a imprensa, com críticas específicas aos cortes na área da educação.

O outro vencedor do prêmio, "Les Misérables", mostra um policial francês que se muda para uma nova cidade, onde precisa se adaptar a uma nova rotina, marcada por problemas ligados a uma juventude entregue à criminalidade.

Da redação, com informações do Site Uol