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Irecê e Região

Assassinato de Aroldo repercute na Bahia e Polícia descarta latrocínio. Pauta sindical é o principal eixo da investigação

João Gonçalves - 08 de Novembro de 2018 (atualizado 08/Nov/2018 20h28)

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Aroldo, no destaque, mantinha boa relação institucional, mas foi sempre firme na defesa dos interesses dos sevidores - Foto: Arte/C&R

O assassinato do lider sindical Aroldo Pereira de Souza, 47, presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Central, ocorrido na manhã desta quinta-feira, 8, repercutiu em toda a Bahia e deverá ser pauta do noticiário televisivo desta noite.

Aroldo, como de costume diário, ia todas as manhãs alimentar em sua propriedade rural, um pequeno criatório de ovinos e caprinos. Hoje, ao sair do local, foi surpreendido por um desconhecido, por volta das 7h da manhã, que deflagrou ao menos três tiros, um deles, alvejando sua cabeça.

Ele foi socorrido e levado para o hospital de Central e em seguida, regulado para o Hospital Regional de Irecê, onde foi cirurgiado mas não resistiu e veio a óbito.

Em conversa ainda a pouco como o Coordenador da 14ª Corpin – Coordenadoria Regional de Polícia do Interior, Almir Fernandes, e com o Delegado que preside as investigações do crime,  Michael Alves, a polícia está empenhada em resolver o caso, mas ainda não dispõe de pistas concretas.

“O episódio aconteceu em um local isolado, sem testemunhas oculares, nem filmagens. Nas redes sociais e no telefone da vítima, não consta nada, até o presente momento, que possa sinalizar a autoria do crime. Nenhuma imagem, nem conversas de ameaças. Apenas nas redes sociais alguns conflitos entre partes interessadas na pauta do sindicato, mas sem indícios de maiores consequências”, disse o delegado, que afirmou não ter na Delegacia nenhum registro que possa desonrar a conduta da vítima, ou mesmo que sinalizasse malquerença com ninguém.

O delegado Michael Alves informou que os trabalhos investigativos apontam para o fato de que o autor dos disparos estava só, em uma moto CG vermelha, que após o ato fugiu pela vicinal de chão batido até a BA 052 e seguiu na direção de Xique-Xique.

Foi informado ainda pelo delegado, que está descartada qualquer possibilidade de resistência a assalto, ou latrocínio, uma vez que nenhum pertence da vitima foi levado pelo criminoso e que a principal artéria de investigação é a causa sindical, não descartando outras possibilidades não reveladas.

PAUTA SINDICAL

No âmbito da luta sindical, Aroldo, no cumprimento das suas atividades, vinha liderando uma paralisação dos professores da Rede Municipal de Ensino, por conta de atrasos dos salários. “Não tem como entender o fato dos recursos federais chegarem regularmente todo mês, e os professores estarem com seus salários atrasados”, dizia Aroldo nas reuniões dos sindicalizados e entrevistas nas emissoras de rádio da região.

Em sua página pessoal do Facebook, ele postava as pautas de interesse do sindicato e as mais recentes foi uma “nota de esclarecimento”, onde o sindicato, em longo texto, repudiou panfleto anônimo veiculado em todo o município de Central,”ameaçando os servidores a voltar a trabalhar, sob pena de configurar abandono de emprego”. Na postagem, a entidade questionava o Estado Democrático de Direito, e fundamenta os direitos constitucionais de greve.

Nesta, um internauta que se apresenta na pagina como Everaldo Carvalho diz que “Sindicato é uma merda, isso tem que ser exterminado da vida do trabalhador”, e Aroldo o retruca, sugerindo que o mesmo seja voluntário .

Em outra postagem, do dia 23, ele chamou a atenção do prefeito da cidade, Wilson Monteiro. “Enquanto nosso gestor busca resolver o problema de Central com truculência,ameaças,mostrando seu total descontrole,buscando mostrar que a culpa do caos nesta cidade é do sindicato e não dele que administra mensalmente mais de 3000.000,00(três milhões de reais) do povo centralense,nós vamos continuar procurando defender nossos direitos,estamos sempre abertos ao diálogo,pois este é o papel da unidade sindical,quando não se tem o diálogo buscamos as esferas judiciais como fizemos hoje e a qualquer momento que o gestor quiser,estamos abertos para o diálogo em qualquer esfera judicial claro,para ter legitimidade,ou simplesmente pague nossos salários em dias,já que o senhor é o empregado de Central mais bem remunerado e precisa cumprir seu dever com afinco e parar de tratar nossa população como lesados ou cegos que não estão percebendo ou enxergando a incompetência da gestão em administrar o município.”

Nesta postagem, ele ilustra com uma foto da faixada do Ministério Público Federal em Irecê, onde teria uma audiência nesta quinta-feira, 8, com os representantes do município, para tratar sobre a greve deflagrada.

Um dos prints de falas na página de Aroldo, sobre diálogos da pauta sindical

 

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