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Bahia

Após denúncia de vazamento de resíduos, empresa avalia qualidade da água em Jacobina

Rodrigo de Castro Dias - 21 de Abril de 2017 (atualizado 21/Jun/2017 14h37)

Foto: foi recomendada à mineradora a interrupção imediata do lançamento de quaisquer efluentes no meio ambiente local (Reprodução/MP-BA)

Foto: foi recomendada à mineradora a interrupção imediata do lançamento de quaisquer efluentes no meio ambiente local (Reprodução/MP-BA)

Da Agência Brasil

Após denúncia do Ministério Público do Estado da Bahia (MPE) de vazamento de resíduos de mineração em um dos mananciais de Jacobina, na Chapada Norte, a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) começou na última quinta (20) a colher amostras no Rio Itapicuruzinho para avaliar a qualidade da água. A informação é da companhia, que recebeu a recomendação do MPE para suspender o fornecimento de água de mananciais afetados pela mineração. A Jacobina Mineração e Comércio nega qualquer vazamento.

Após uma inspeção realizada pelo Ministério Público, foram detectados resíduos líquidos decorrentes da mineração de ouro na zona rural de Jacobina “em áreas próximas de residências, sítios e praças públicas e por onde passam rios que preenchem as barragens responsáveis pelo abastecimento humano de água no município”. No caso do Rio Itapicuruzinho, cujas amostras serão avaliadas pela Embasa, os resíduos eram visíveis e de coloração “amarelada e barrenta”, em direção ao leito do rio.

A vistoria foi feita na Fazenda Itapicuru, onde está localizada a planta industrial e de exploração mineral da mineradora Jacobina Mineração e Comércio Ltda., controlada pela empresa multinacional Yamana Gold Inc. Após a constatação de vazamentos pelo MPE, o promotor de Justiça Pablo Almeida fez uma série de recomendações emergenciais à mineradora, à Embasa, ao Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado da Bahia (Inema) e à prefeitura de Jacobina.

Foto: amostras de solo e de água onde ocorreram os vazamentos foram coletadas para análise laboratorial da composição química e grau de toxicidade do líquido vazado (Reprodução/MP-BA)

Recomendações do MPE - Além da interrupção do fornecimento de água de mananciais afetados pela atividade de mineração, foi recomendado que a Embasa procure identificar se estão presentes na água fornecida à cidade elementos tóxicos como resíduos de combustível, cianeto e alumínio. Em nota, a Embasa confirmou a suspensão da captação de água no Rio Itapicuruzinho desde quarta (19) e o início das análises na água a partir da quinta (20). Ainda segundo a empresa de saneamento, nas últimas análises periódicas não foram detectados indícios de contaminação.

No entanto, a Embasa garantiu que, mesmo assim, “não captará água do Rio Itapicuruzinho” e abastecerá o município por meio de outros mananciais que atendem a cidade. Ao Inema e à prefeitura de Jacobina foi recomendado intensificar a fiscalização, com a coleta de amostras de solo, água e efluentes em pelo menos 10 pontos georreferenciados para realização de análise técnica do material coletado. Procurados pela reportagem, o Inema e a prefeitura não atenderam as ligações até o fechamento desta matéria.