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Irecê e Região

Após chuvas fortes, Lençóis e Jacobina decretam situação de emergência

Cultura&Realidade - 03 de Abril de 2019 (atualizado 03/Abr/2019 16h15)

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Em Jacobina, choveu 180 mm, segundo a Prefeitura (Foto: Antonio Maia/Divulgação)

Moradores das cidades de Lençóis e Jacobina, na região da Chapada Diamantina, viveram momentos de apreensão na madrugada desta terça-feira (2), devido às fortes chuvas que derrubaram pontes e casas e deixaram cerca de 20 famílias desabrigadas, o que levou as prefeituras desses municípios a decretar situação de emergência. Não houve feridos.

Com mais de 80 mil habitantes, Jacobina foi a mais atingida. Segundo informações da prefeitura, caíram na cidade 180 mm de chuva – a Superintendência de Proteção e Defesa Civil da Bahia (Sudec) divulgou 140 mm, e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), 110,4 mm.

O Rio do Ouro, que corta o município, transbordou e em algumas partes da cidade, como no bairro Leader (o mais atingido), as águas chegaram a quase 1 metro. Segundo a prefeitura, três casas foram parcialmente ao chão, e as famílias tiveram de ser resgatadas às pressas. Elas foram levadas para casas de parentes.

Duas pontes sobre o Rio do Ouro estão interditadas devido aos danos causados pela enxurrada, que as derrubou em parte. Uma delas dá acesso a uma escola infantil e a outra a uma residência – ambas ficam na área urbana do município. Numa área mais central, a prefeitura interditou outra ponte parcialmente destruída.

O aguaceiro levou boa parte do calçamento das ruas e da estrutura de concreto que fica no logradouro à margem do Rio do Ouro. Uma parte dela cedeu, devido à força das águas, formando uma cratera. Vários estabelecimentos comerciais foram invadidos pelas águas, causando um prejuízo ainda inestimado.

A Defesa Civil do município registrou dois desmoronamentos no bairro da Bananeira e eminência de desabamento em uma residência no bairro Serrinha. Na região central houve inundações na praça Rio Branco, rua Senador Pedro Lago, praça Getúlio Vargas (Mercado Velho) e avenida Orlando Oliveira Pires.

Na BR-324 no trecho entre o Posto Fiscal e o contorno de Cachoeira Grande foram registradas cinco quedas de árvores e um deslizamento de terra. A via já está sendo monitorada pela Polícia Rodoviária Federal desde as primeiras horas do dia. O Inmet prevê mais chuvas paras as próximas 48 horas para cidade.

A prefeitura alerta a transeuntes, motociclistas e motoristas, principalmente de veículos pesados, que redobrem a atenção nas áreas afetadas, a exemplo do bairro Félix Tomaz, onde a Embasa (estatal responsável pelo fornecimento de água e saneamento) realiza obra de esgotamento sanitário, e no bairro Leader.

A cidade já havia sido atingida por chuvas fortes em dezembro deste ano, o que levou a prefeitura a decretar emergência. E em março houve outra chuva que fez a administração prorrogar o decreto. “Precisamos fazer outro decreto agora porque essa chuva foi bem pior que as outras”, afirmou o engenheiro civil Vinícius Sampaio.

Mais desabrigados
As chuvas que caíram em Lençóis na madrugada desta terça não fizeram o rio homônimo que corta a cidade transbordar, mas causaram danos em diversas residências. Até o momento, há 16 famílias desabrigadas que foram levadas para prédios alugados pela prefeitura, e outras serão retiradas de áreas de risco.

“Essa quantidade de desabrigados pode aumentar ainda, pois vimos que há situações em que as pessoas não podem mais ficar nas casas devido ao risco de desabar. Há mais previsão de chuvas até para hoje ainda”, disse o secretário de Meio Ambiente de Lençóis, Andrés Yglesias.

De acordo com o Inmet, a cidade registrou 133,4 mm de chuvas. Já a Sudec e a prefeitura informaram 123 mm. Os bairros mais afetados foram o Tia Ricardina e Lavrado. Nesta terça, a cidade histórica que mais atrai turistas na Chapada Diamantina amanheceu com muita lama e pedras nas ruas, devido à enxurrada.

“O Estado da Bahia acatou e nosso decreto de estiagem tem 15 dias, e agora tem esse sobre as chuvas. O decreto de estiagem são para as pessoas da zona rural, cerca de 4 mil que estão passando por problemas – ou estavam, tomara que essa chuva tenha colaborado para melhorar essa situação”, disse o prefeito Marcos Araújo (PRB).

O superintendente da Sudec, Paulo Sérgio Menezes Luz, informou que técnicos do órgão foram enviados para as cidades. “Os moradores estão apreensivos com a água que começou a descer e a formação de nuvens pesadas na serra. Há risco de choques elétricos, desabamento de muros e barrancos com casas abaixo, e contaminação por fossas cegas rasas”, disse.

Meteorologista do Inmet, Cláudia Valéria da Silva informou que as chuvas nessa época do ano são esperadas em cidades da Chapada Diamantina, centro-norte, Recôncavo Baiano e oeste. “É uma situação da época mesmo. Agora essas que ocorreram em Jacobina e Lençóis essa noite foram muito acima do esperado”, declarou.

Frente fria
O Inema (órgão ambiental estadual) informou que as chuvas em Jacobina e Lençóis foram influenciadas por uma frente fria que se formou no oceano e avançou para o continente, gerando nebulosidades e a formação de chuvas intensas, porém sem ter a mesma intensidade em cidades vizinhas.

“A borda dessa frente fria que classificamos como desconfigurada, por não ser como a frente fria padrão, de inverno, predominou para o continente. Como estamos no início do outono, as chuvas ainda têm um pouco da característica de verão, chuvas mais intensas e localizadas”, disse a meteorologista Diva Cordeiro.

Para Jacobina, o Inema registrou 162,6 mm entre as 2h e as 7h. Esse volume de chuva é mais que o dobro da média histórica de chuvas no mês de abril, de 82,1 mm. Ainda segundo o Inema, o volume de chuva em Lençóis foi de 127,6 mm, entre as 0h e as 4h, pouco mais de que a média histórica do mês de abril, de 124,9mm.

Da redação, com informações do site Correio 24H